Dos quase 500 mil profissionais de Tecnologia da Informação (TI) atuantes no Brasil, somente 19,2% são mulheres, de acordo com o estudo W-Tech 2025, elaborado pelo Observatório Softex.
Apesar das mulheres representarem mais da metade da população do país e quase metade da força de trabalho formal, elas ainda são uma minoria em diversos setores, entre eles, o de TI.
Há desigualdade de gênero na TI brasileira?
De acordo com o relatório do Observatório Softex, a disparidade de gênero começa na formação acadêmica: apenas 17,8% dos concluintes nos cursos de graduação voltados à TI são mulheres, um percentual que vem aumentando timidamente nos últimos anos.
Os desafios que começam na universidade se estendem para a vida profissional. As mulheres enfrentam diferenças salariais e barreiras de progressão na carreira: o estudo mostrou que, em média, profissionais do sexo feminino recebem salários 19,3% menores que os homens. Essa diferença se acentua em funções técnicas e estratégicas.
Informações do Relatório Global da Diferença de Gênero 2025 (do Fórum Econômico Mundial) estimam que serão necessários mais de 120 anos para que o mundo alcance a paridade total entre homens e mulheres no mercado de trabalho. No setor de TI, se mantido o ritmo atual de contratações, a paridade de gênero só seria alcançada por volta de 2110 – muito além do recomendado pela ONU, de acordo com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e do ODS 5, que traça metas para o alcance da igualdade de gênero no mundo.
No mercado de TI brasileiro, para que o objetivo da ONU fosse atingido, seria necessário incorporar 53,5 mil novas mulheres por ano ao setor.
Fazendo uma comparação ao cenário global, dados apontam que cerca de 28%, em média, dos profissionais de tecnologia no mundo são mulheres.
Por que a presença feminina no setor de TI é importante?
Não somente no setor de Tecnologia da Informação, mas em todas as profissões, a diversidade de gênero é uma vantagem estratégica essencial no contexto de uma economia digital e cada vez mais competitiva. Times diversos tendem a:
– Ser mais criativos e inovadores.
– Resolver problemas com mais eficácia e agilidade.
– Desenvolver produtos que atendem melhor e de forma mais ampla aos usuários.
Além disso, ampliar a participação feminina está alinhado com metas internacionais de igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável, como o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da ONU, que busca igualdade entre os gêneros, bem como o ODS 8, que trata de trabalho decente e crescimento econômico.
Portanto, empresas que possuem programas de contratação orientados com as diretrizes de paridade de gênero agregam mais diversidade para seu time de talentos e contribuem para um cenário mundial mais sustentável e resiliente.
Programas e oportunidades para mulheres na TI
Apesar dos números ainda desafiadores, existem sinais positivos que mostram o crescimento do interesse feminino na área da tecnologia no Brasil. A proporção de mulheres que concluem cursos na área de inteligência artificial (quase 30%) é superior à média global (22%), apontando que, com os devidos incentivos, a atratividade pode aumentar.
Entre os incentivos, podemos citar as diversas iniciativas, tanto no setor privado quanto no terceiro setor, que promovem formação, mentoria e capacitação em tecnologia voltadas para mulheres. Essas ações são fundamentais para fortalecer a presença feminina nas etapas iniciais da carreira e facilitar a ascensão hierárquica na área. Vamos conhecer algumas?
1. WoMakersCode
Fundada em 2015, a ONG nasceu de um sonho de tornar a tecnologia uma área acessível a todas as mulheres. A missão da WoMakersCode é fortalecer o protagonismo feminino na TI, impulsionando o desenvolvimento profissional e econômico para construir um futuro mais inclusivo e equitativo.
A ONG oferece bootcamps, cursos, programas de mentoria e capacitação em áreas como programação, dados, IA, cloud e segurança, além de iniciativas de networking e empregabilidade para mulheres em todas as fases da carreira tech. Saiba mais no site.
2. Mulheres in Tech
Este programa da Fly Educação com apoio do Serpro Brasil capacita mulheres na área da tecnologia, combinando formação técnica com desenvolvimento socioemocional. O objetivo éromper as barreiras de gênero na tecnologia e ampliar o acesso de mulheres de grupos sub-representados ao mercado digital.
As alunas também mergulham no mundo da tecnologia, aprendendo diversas linguagens tech, como desenvolvimento web e de jogos, big data, BI e inteligência artificial, com a meta de ocuparem posições em cargos de desenvolvedoras front-end e/ou back-end, arquitetas de softwares, analistas de BI, entre outras funções da área. Para saber mais, acesse aqui.
3. Santander Code Girls
Esta iniciativa da Santander, em parceria com AWS e DIO, oferece bolsas de estudo gratuitas para mulheres interessadas em ingressar e se desenvolver no setor de tecnologia, focando em computação em nuvem (Cloud), programação, DevOps e automação. O objetivo é promover empregabilidade e aumentar a presença feminina na área. Neste ano, o Code Girls chegou a sua terceira edição e ofereceu 5 mil bolsas de estudo gratuitas, exclusivamente para mulheres. Para entender melhor como funciona o programa, acesse aqui.
4. SheCodes
Este projeto da Delac Foundation oferece workshops gratuitos de programação e tem como objetivo capacitar até 1000 mulheres para o mercado de tecnologia. Para se inscrever, basta acessar o site.
5. PrograMaria
O programa oferece conteúdos e cursos online para empoderar meninas e mulheres em programação e desenvolvimento web. Saiba mais.
A equidade de gênero em tecnologia da informação é um desafio no Brasil e no mundo. Investir em iniciativas que incentivem mais mulheres a ingressar na área é fundamental não apenas para o avanço do cenário social, mas também para impulsionar ganhos em inovação, competitividade e capacidade de resposta às demandas do mercado digital.
Fomentar a diversidade de gênero não deve ser somente uma meta de inclusão, mas uma estratégia de fortalecimento organizacional e setorial. Investir em mais mulheres na TI é investir no futuro da tecnologia.