O cenário de ataques cibernéticos em sistemas industriais está cada vez mais complexo, especialmente devido aos investimentos em cibersegurança não serem proporcionais à evolução da digitalização das indústrias e à integração com sistemas corporativos.
Relatórios recentes da Kaspersky (ICS CERT – Industrial Control Systems Computer Emergency Response Team) indicaram que cerca de 20% das organizações da América do Sul com sistemas de controle industrial registraram tentativas de ataque em 2025. Esses incidentes envolveram desde a exploração automatizada de vulnerabilidades até campanhas de phishing e scripts maliciosos, como ransomware.
Outro dado do relatório é que o Brasil é um dos países mais visados do mundo em ameaças a infraestruturas de TO. Nosso destino é interessante devido a uma série de fatores: temos grandes corporações, setores estratégicos com alta rentabilidade e, ao mesmo tempo, maturidade de segurança cibernética ainda em desenvolvimento.
Enquanto muitas organizações buscam a maturidade em segurança cibernética industrial, decisões estratégicas ainda são influenciadas por interpretações incorretas sobre como ataques modernos realmente acontecem e o que é necessário para se proteger deles.
Algumas dessas interpretações são de um tempo em que ambientes industriais eram mais isolados e menos integrados digitalmente. Porém, hoje em dia, são mitos recorrentes que, se não forem compreendidos, deixam inúmeras brechas na cibersegurança dos sistemas. Conheça alguns deles a seguir:
1. “Os ambientes industriais são isolados”
Ambientes industriais costumam ser descritos como isolados por causa da separação histórica entre redes de TI e redes operacionais (TO). Porém, as arquiteturas atuais raramente conseguem manter essa divisão.
A digitalização aumentou a eficiência e a produtividade de muitos processos, mas criou diversos pontos de interconexão que integram as infraestruturas industriais a sistemas corporativos, plataformas de gestão, acesso remoto para suporte técnico e comunicação com fornecedores, entre outros.
Projetos de transformação digital na indústria também introduziram sensores conectados, plataformas de análise de dados operacionais e integração entre sistemas de gestão de produção. Cada uma dessas ligações estabelece novos fluxos de comunicação entre os ativos.
Em alguns casos, a existência de um firewall ou de uma segmentação lógica não elimina a possibilidade de exploração de vulnerabilidades presentes em estações de engenharia, aplicações corporativas ou acessos remotos utilizados por terceiros.
2. “Nunca fomos alvos de um ataque”
Dados do FortiGuard Labs indicaram que o Brasil registrou mais de 314 bilhões de eventos maliciosos somente no primeiro semestre de 2025. Esse volume inclui diferentes tipos de ameaças direcionadas a redes expostas.
Varreduras automatizadas, exploração de vulnerabilidades conhecidas e tentativas de acesso por credenciais comprometidas acontecem continuamente e atingem organizações de todos os setores. A ausência de incidentes registrados não pode, portanto, ser um parâmetro para baixo risco ou baixa exposição a ameaças.
Protocolos industriais utilizam formatos específicos de comunicação que não são analisados por ferramentas tradicionais de segurança de TI. A capacidade de identificar tentativas de exploração depende, portanto, de visibilidade técnica sobre ativos e tráfego de rede.
3. “Antivírus resolve os principais riscos”
Soluções antivírus continuam sendo componentes importantes de proteção em endpoints corporativos. Porém, a realidade de ambientes industriais envolve uma superfície de ataque mais ampla.
Ameaças a sistemas operacionais industriais e redes de TO utilizam diversos vetores que não dependem da execução de malware detectável por assinatura, como por exemplo:
- Exploração de vulnerabilidades em softwares de engenharia;
- Acesso indevido por credenciais comprometidas;
- Movimentação lateral entre sistemas da rede operacional;
- Manipulação de protocolos industriais;
- Falhas de configuração em serviços de acesso remoto.
Nesse contexto, as estratégias de cibersegurança devem incluir monitoramento de rede de TO, inventário de ativos industriais, gestão contínua de vulnerabilidades e controle rigoroso de acessos.
4. “Ataques sempre partem de fora da organização”
Incidentes em ambientes industriais frequentemente envolvem múltiplos pontos de origem, como credenciais comprometidas, fornecedores com acesso remoto, atualizações de software e dispositivos conectados sem controle adequado.
Ataques à cadeia de suprimentos também são uma realidade. Softwares utilizados em ambientes industriais podem ser comprometidos antes da instalação, criando um vetor de ataque que se origina fora da infraestrutura, mas entra na rede por canais legítimos.
Ameaças cibernéticas modernas a sistemas de controle industrial frequentemente combinam acesso legítimo, exploração de vulnerabilidades internas e movimentação lateral dentro da rede operacional.
Por essas razões, a gestão de risco precisa considerar controles de identidade, políticas de acesso de fornecedores, validação de atualizações de software e monitoramento contínuo de dispositivos conectados à rede de TO.
5. “Compliance e governança representam segurança operacional”
Normas, certificações e auditorias regulatórias estabelecem requisitos mínimos de responsabilidade, governança e ajudam a padronizar controles dentro das organizações. Contudo, esses mecanismos não substituem a avaliação contínua dos riscos operacionais.
Novas ferramentas de exploração de vulnerabilidades e técnicas de ataque cibernético evoluem em ritmo acelerado, especialmente com o uso massivo de inteligência artificial. Esse tipo de situação exige análises técnicas contextualizadas ao ambiente da organização para que o projeto de cibersegurança seja bem-sucedido.
A gestão de risco em infraestruturas industriais e críticas depende de monitoramento contínuo, inteligência de ameaças e avaliação periódica da arquitetura operacional.
Não há segurança sem visibilidade real sobre o ambiente
A proteção de ambientes industriais interconectados depende de estratégias baseadas em evidências técnicas sobre a arquitetura operacional. Organizações que operam infraestruturas industriais e críticas precisam nortear suas iniciativas de segurança cibernética avaliando:
– Visibilidade contínua sobre ativos e comunicações nas redes de TO;
– Gestão estruturada de vulnerabilidades em sistemas industriais;
– Integração entre equipes de segurança, engenharia e operação para aumentar a capacidade de detecção de comportamentos anômalos.
A TI Safe é uma empresa brasileira dedicada exclusivamente à cibersegurança para sistemas industriais e infraestruturas críticas, com atuação em projetos que envolvem governança, monitoramento e resposta a incidentes, garantindo conformidade com normas como IEC 62443, NIST e IoT Frameworks, alinhadas às necessidades operacionais de cada organização.
Também contribui para a evolução da maturidade de segurança no setor por meio de pesquisas, desenvolvimento de metodologias próprias e participação ativa na comunidade nacional e internacional de segurança industrial.
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