Autores: Marcelo Branquinho e Plataforma Safer
07/10/2025
Resumo: À medida que o Brasil se aproxima das eleições presidenciais de 2026, a presença da Inteligência Artificial (IA) no processo eleitoral se torna uma realidade incontornável, trazendo profundas implicações para a integridade democrática.
Este artigo analisa de forma técnica e aprofundada como a IA pode interferir no processo eleitoral por meio da geração automatizada de conteúdo, deepfakes, manipulação algorítmica e uso estratégico de bots e microtargeting, ampliando exponencialmente as capacidades de influência de campanhas políticas, mas também aumentando os riscos de manipulação e desinformação em escala industrial.
Destaca-se que a ausência de regulação específica para o uso de IA em campanhas eleitorais, aliada à opacidade dos algoritmos utilizados por grandes plataformas digitais sediadas no exterior, compromete a soberania do processo democrático brasileiro.
O artigo propõe a aplicação de normas como NIST SP 800-53 e IEC 62443 para proteção da infraestrutura crítica da Justiça Eleitoral, e defende a adoção da arquitetura de segurança Zero Trust como modelo ideal para prevenir ataques cibernéticos e proteger a integridade dos sistemas de totalização e divulgação dos votos. A análise compara ainda o estágio da regulação brasileira com experiências internacionais como o AI Act da União Europeia e as diretrizes americanas e chinesas, evidenciando a urgência de avanço normativo nacional.
Além disso, ressalta o papel central da sociedade, da academia e das instituições públicas na construção de uma governança democrática para a IA, enfatizando a importância da educação midiática e da transparência algorítmica.
Em síntese, o texto alerta que o uso não regulamentado da IA poderá desequilibrar o processo eleitoral e comprometer a confiança pública, mas que, se corretamente regulada e auditada, a IA também pode ser uma aliada na promoção da integridade e da eficiência no debate democrático. A eleição de 2026 será, portanto, um marco decisivo não apenas para a política nacional, mas para o futuro da democracia digital no Brasil.
Palavras-chave: Inteligência Artificial, eleições 2026, deepfakes, cibersegurança, fake news, microtargeting, regulação de IA, TSE, desinformação, NIST, IEC 62443, LGPD, Zero Trust.