Cibercriminosos exploram falhas críticas e vulnerabilidades em dispositivos de IoT
Segundo relatório divulgado pela empresa Netscout, o Brasil sofreu, no primeiro semestre de 2025, cerca de 550 ataques de DDoS – um aumento de 54% em relação ao período anterior. Para viabilizar o crescimento desse tipo de ação, os cibercriminosos utilizam botnets, um conjunto de dispositivos infectados controlados por hackers maliciosos, permitindo, assim, a realização de ataques simultâneos.
Entenda como funcionam os ataques de botnets
Uma botnet é formada quando um atacante compromete milhares de dispositivos, como câmeras, computadores, celulares, roteadores domésticos e até servidores, instalando neles um malware que permite controle remoto. A partir desse comando centralizado, o operador da botnet coordena todos os dispositivos infectados para que enviem, ao mesmo tempo, um grande volume de requisições ao alvo. Essa sobrecarga artificial de “demandas” consome a largura de banda e os recursos do sistema afetado, resultando em lentidão extrema ou até na completa indisponibilidade do serviço – ataque de DDoS.
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Principais botnets que atuam em dispositivos de IoT
Entre as principais redes maliciosas de IoT utilizadas (botnets) estão famílias como Mirai, Gafgyt e Mozi, que se espalham explorando vulnerabilidades conhecidas e falhas de configuração em nuvem para ampliar seu alcance.
Um estudo da Qualys Threat Research Unit (TRU) observou que campanhas de botnets utilizam ataques automatizados de vulnerabilidades e exposições comuns (CVEs) e scanners em larga escala para identificar sistemas com fragilidades. Ao encontrarem um servidor exposto ou um dispositivo IoT desprotegido, os cibercriminosos executam códigos remotos, assumindo o controle total do equipamento, adicionando-o à infraestrutura da botnet.
A evolução das botnets
Se, há alguns anos, as botnets eram compostas principalmente por computadores pessoais, atualmente, a estratégia explora o aumento de dispositivo des IoT, como smartphones, tablets, eletrodomésticos e diversos gadgets que tornam as botnets móveis e de IoT ameaças emergentes contra alvos específicos – empresas e governos – causando interrupções e danos significativos.
Em modelos mais antigos, as botnets funcionavam de forma centralizada: todas as máquinas infectadas recebiam ordens de um único servidor. Isso facilitava o trabalho dos profissionais de segurança, porque, ao localizar e derrubar esse servidor central, toda a botnet deixava de funcionar.
As botnets mais novas usam um modelo P2P (peer-to-peer), no qual os próprios dispositivos infectados se comunicam entre si para compartilhar os comandos. Como não existe um ponto central para derrubar, essas botnets se tornam muito mais difíceis de identificar, bloquear e desmantelar.
Tendências de crescimento de ataques de botnets
O Brasil ocupa a quarta posição no ranking global de dispositivos infectados utilizados em ataques DDoS, de acordo com o Botnet Trend Report, respondendo por cerca de 8% das ameaças identificadas. Com a expansão acelerada de dispositivos de IoT no país, a expectativa é de que o uso de botnets continue aumentando nos próximos anos.
Além de impulsionar ataques DDoS, essas redes maliciosas também permitem outras ofensivas, como violações de Domain Name System (DNS), que podem resultar no vazamento de informações sensíveis de dispositivos e redes domésticas ou corporativas.
Principais vulnerabilidades e medidas de proteção em dispositivos de IoT
O comprometimento de servidores e dispositivos de IoT por redes maliciosas acontece por diversas falhas e vulnerabilidades nos sistemas, que podem escalar ecossistemas completos e afetar infraestruturas críticas. Entre as principais fragilidades estão:
- Senhas fracas ou reutilizadas, que são fáceis de “quebrar” e podem comprometer dispositivos, abrindo a porta para ataques em larga escala.
- Conexões em redes inseguras, que facilitam a exploração de fraquezas nos protocolos e serviços que são executados em dispositivos de IoT. As redes vulneráveis são particularmente suscetíveis a ataques ‘man-in-the-middle’ (MITM), que visam roubar credenciais e autenticar dispositivos como parte de ataques cibernéticos mais amplos.
- APIs e aplicativos com interfaces inseguras são alvos frequentes de botnets, pois permitem que os invasores comprometam dispositivos.
- Componentes desatualizados, como código aberto ou software de terceiros, podem apresentar vulnerabilidades que ampliam a superfície de ataque de uma organização.
- Links e anexos suspeitos também podem ser porta de entrada para a ação de cibercriminosos. A partir de um clique em um link fraudulento por um colaborador, por exemplo, o atacante pode instalar o malware, ganhar acesso inicial ao sistema e movimentar-se lateralmente pela rede, comprometendo outros dispositivos e expandindo o alcance.
Como as organizações devem se proteger contra vulnerabilidades de dispositivos de IoT
Para se proteger dos crescentes ataques executados por cibercriminosos, as companhias devem adotar uma abordagem de segurança abrangente e preditiva, contemplando segmentação de rede – isolando os dispositivos de IoT -, autenticação rigorosa, criptografia de dados, gerenciamento de atualizações e monitoramento contínuo.
Ainda, é essencial a configuração de firewall para monitorar e controlar o tráfego de entrada e saída dos dispositivos de IoT e a aplicação de soluções de monitoramento e análise de tráfego para detectar comportamentos anômalos que possam indicar um ataque ou comprometimento.
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