Ronaldo Gama e Yghor Miglio, especialistas em cibersegurança da TI Safe, exploraram os desafios das aplicações legadas durante a CLASS 2024; confira!
A adoção de sistemas industriais legados, geralmente em infraestruturas críticas, é um tópico que levanta discussões entre especialistas da área, pois, apesar de ser desenvolvido com configurações exclusivas para atender às demandas operacionais do negócio, com a evolução da tecnologia as aplicações se tornam obsoletas.
Ainda que os sistemas possam ser atualizados conforme as mais recentes definições, a modernização é um processo complexo, que requer estratégias avançadas para que os upgrades não tenham um impacto negativo nas funcionalidades. Dessa forma, considerando a importância e a perícia necessária, manter os sistemas legados atualizados é essencial para a compatibilidade técnica e a segurança das plataformas.
Cibersegurança em sistemas industriais legados
A integração da rede corporativa com as redes operacionais, cada vez mais conectadas ao longo do tempo, com a inserção de módulos como ERPs, MES, etc e protocolos de TO, bem como arquiteturas integradas e a automação industrial com controles relacionados, propiciaram um cenário favorável para ataques de cibercriminosos.
Para elucidar o assunto, os especialistas da TI Safe, Ronaldo Gama, coordenador de arquitetura de segurança cibernética, e Yghor Miglio, analista de segurança, pontuaram, durante a palestra realizada na 5ª edição da CLASS, em 2024, os desafios e as vulnerabilidades dos sistemas industriais legados nos dias atuais.

“Muitas pessoas falam sobre sistemas isolados, segmentações da TO e TI, mas sabemos que isso não é totalmente verdadeiro. A integração das tecnologias vinculadas aos sistemas legados são como um “banquete” para ciberataques. Temos baixa maturidade de controles, patches raramente aplicados, maior conectividade, uso de diversas plataformas de mercado (services), propiciando as condições perfeitas para a ocorrência de ações maliciosas”, explica Yghor.
Sistemas legados x modernização
O maior problema dos sistemas legados é a extrema dificuldade de sua substituição pela empresa, fazendo com que a operação funcione a partir de configurações específicas desenvolvidas há muito tempo. “Se simplesmente trocarmos a máquina, é provável que o sistema, que é antigo, não rode e, se funcionar, talvez a infraestrutura perca a conectividade. Por isso, a melhor abordagem é o investimento nas soluções de cibersegurança, visando proteger o ambiente legado, com uma microssegmentação, por exemplo, ou controle de acesso, entre outras medidas”, ressalta Ronaldo.
“O nosso grande desafio, como analistas e engenheiros de cibersegurança, é adequar o melhor cenário para cada empresa, visando resguardar esses ambientes industriais, fazendo uma proteção de borda e segmentando da melhor forma, sem que a parte corporativa perca qualquer tipo de acesso”, completa Yghor.
Histórico de ataques cibernéticos em sistemas legados
Confira abaixo os principais ciberataques investidos contra as redes de TO nos últimos anos, com destaque para seus respectivos precursores. A relação também foi apresentada pelos palestrantes durante a CLASS 2024:

- o palestrante destacou na class
- aspas do palestrante
- ponto abordado interessante sobre o sistema legado
- aspas do palestrante
- encerramento com soluções de atualizações e correções da vulnerabilidade (tendências e próximos passos)
Os especialistas também apontaram vetores e falhas comuns de segurança que possibilitam a entrada de ataques direcionados aos sistemas, tais como:
- Implementações ineficientes – empresas ou profissionais que não atendem ao trabalho necessário.
- Redes corporativas (TI) com aberturas de acessos a códigos maliciosos.
- TI x TO em sistemas legados industriais – segmentação total é inexistente.
- Insider – profissional com baixo conhecimento que pode executar ações que levam a abertura de portas.
- Treinamentos de onboarding – cibersegurança não é abordada como uma das principais pautas.
- ‘Short cuts’ – Atalhos no compartilhamento e cópia de arquivos por dispositivos vulneráveis, como pen drives e smartphones.
Estratégias de mitigação de vulnerabilidades em sistemas legados
Ronaldo Gama e Yghor Miglio destacaram as principais soluções aplicadas pela TI Safe para proteção das infraestruturas, com base em uma arquitetura que compreende múltiplas camadas:

“Além dessa proteção na arquitetura, é preciso adotar várias outras estratégias, pois não se tratam de soluções simples”, comenta Ronaldo.
Entre os processos indicados pelos especialistas para a mitigação dos riscos de cybersecurity em sistemas legados estão:
- Hardening: conjunto de ações que configuram corretamente a atuação das ferramentas para efetuar a proteção das redes industriais.
- Otimização de regras: revisão das políticas de segurança, objetivando torná-las mais específicas e restritivas.
- Atualizações: manter patches e/ou firmwares ( firewall, IDS, EDR/XDR) atualizados com as mais recentes definições de proteção de ativos e sistemas.
O futuro da cibersegurança em sistemas legados
Segundo o relatório da plataforma CVE Details, apresentado pelos profissionais, o número de vulnerabilidades cresceu exponencialmente ao longo do tempo. De 2014 a 2024 houve um aumento de, aproximadamente, 250%.

“Os ataques estão cada vez mais sofisticados. Não podemos ficar acomodados nas proteções já adotadas. Por isso, a TI Safe busca estar um passo a frente, sempre buscando novas soluções, baseadas em machine learning e inteligência artificial, como o Safer, por exemplo”, destaca Ronaldo.

Para garantir a segurança da planta, é essencial que toda a equipe envolvida nos processos de cibersegurança faça a “lição de casa” e se mantenha atualizada sobre novos riscos, históricos de ataques, vulnerabilidades, entre tantas outras informações da área.
“Quando uma equipe implementa uma solução, o que você, como gestor ou colaborador, pode fazer para se integrar de um assunto que você conhece pouco? É preciso mapear os pontos críticos, conversar com as equipes, verificar relatórios divulgados. Se isso for realizado já será válido como mais um ativo de segurança”, orienta Yghor.