As perdas com incidentes dessa natureza atingiram US$ 12 bilhões nas últimas duas décadas.
O mundo está em alerta com a crescente nos riscos de perdas decorrentes de ataques cibernéticos, especialmente durante e após a pandemia. Todos os setores são alvos potenciais, mas o sistema financeiro desperta bastante a atenção dos hackers.
A crescente digitalização das operações e as tensões geopolíticas ao redor do mundo são algumas das razões para o aumento dos riscos de incidentes cibernéticos.
Um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional), que é parte do relatório de estabilidade financeira global – divulgado em abril deste ano -, mostrou que um quinto dos ataques cibernéticos são direcionados a empresas do segmento de finanças e que os bancos seriam os mais expostos.
O documento trouxe, ainda, dados sobre os prejuízos que as ameaças virtuais causam. Bancos, seguradoras e gestoras de ativos sofreram mais de 20 mil ataques cibernéticos nas últimas duas décadas, o que gerou perdas diretas estimadas em cerca de US$ 12 bilhões ao setor financeiro global.
Riscos dos ataques cibernéticos
Além das perdas financeiras diretas, que envolvem o valor monetário comprometido em função dos ciberataques, há ainda as indiretas – mais difíceis de estimar -, ligadas à reputação e à imagem.
Outros prejuízos que um incidente cibernético pode causar estão relacionados ao fluxo de caixa ou até mesmo à solvência – capacidade que um negócio tem de honrar os compromissos financeiros assumidos.
Ainda, o setor financeiro como um todo pode ser impactado. A recorrência de ataques bem-sucedidos ameaça a estabilidade do sistema de modo geral devido à falta de confiança e credibilidade.
Vale considerar que a quantidade de informações confidenciais e transações realizadas por instituições financeiras é um dos fatores que aumenta a exposição e o interesse de hackers pelo setor.
Sistemas financeiros do governo federal também são alvo
Em abril deste ano, o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), responsável pelos pagamentos do governo federal, foi vítima de um incidente cibernético. Recursos da União foram desviados, porém, os valores não foram informados.
A suspeita é que houve fraude ou clonagem das chaves de acesso do Siafi, pois a invasão ocorreu usando credenciais dos próprios servidores. Em 2021, o Sistema já tinha sido vítima de outro ataque cibernético, desta vez, do tipo ransomware (quando hackers roubam e criptografam dados, exigindo um resgate em moedas digitais para devolver as informações).
Dados do Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do governo federal mostram que o ano de 2023 teve um número recorde de incidentes e vulnerabilidades no ambiente virtual da União: foram 15.132 notificações. Os eventos envolvem principalmente vazamentos de dados e páginas fraudulentas.
É preciso estar preparado para os ciberataques
É muito difícil mitigar a ocorrência de ataques cibernéticos. Porém, é possível estar preparado para detectar, tratar e responder de maneira efetiva aos incidentes.
Para evitar a interrupção das operações e ter capacidade de seguir fornecendo serviços essenciais, mesmo quando um ataque acontece, é preciso contar com procedimentos eficientes de resposta e recuperação.
Nesse sentido, a maturidade cibernética se torna um indicador estratégico, bem como a análise contínua e sistêmica do cenário de cibersegurança e seus potenciais riscos, executando ações necessárias para melhoria dos processos de segurança cibernética.