Um único clique pode abrir caminho para perdas e danos irreversíveis à reputação de empresas de todos os portes.
Segundo o relatório Cost of a Data Breach (CODB), da IBM, a falha humana segue como principal risco de cibersegurança para empresas brasileiras, mesmo com o avanço da inteligência artificial e de ferramentas de proteção digital. Outras estatísticas sobre o assunto mostram que descuidos de usuários no ambiente corporativo podem ser catastróficos:
– 68% das ocorrências de ataques cibernéticos registradas têm origem em ações simples, que abrem caminho para invasões (Verizon).
– O custo médio de uma violação no Brasil chega a R$ 7,19 milhões (IBM).
No contexto de uma organização, pequenos descuidos de colaboradores podem ampliar a superfície de ataque para toda a rede, comprometendo dados, sistemas e infraestruturas estratégicas e gerando impactos financeiros, operacionais, regulatórios, entre outros.
Para ajudar a sua empresa a fortalecer as medidas de cibersegurança e avançar nos processos de maturidade da área, listamos algumas práticas comuns que costumam ser subestimadas, mas que representam riscos reais para as companhias.
Principais riscos e impactos da falta de segurança cibernética
Em ambientes corporativos, desatenção e descuido podem ser cruciais para os negócios e aumentam (muito) a probabilidade de comprometimento de operações e dados sensíveis.
1. Reutilizar senhas em serviços pessoais e corporativos
Muitos usuários reutilizam credenciais por conveniência, mesmo em ambientes profissionais. Esse comportamento cria um elo direto entre vazamentos externos e o ambiente interno da empresa.
Quando um serviço de uso pessoal sofre comprometimento e as credenciais são expostas, essas informações passam a circular em fóruns clandestinos e bases de dados utilizados em ataques automatizados. Ferramentas de credential stuffing testam essas combinações em aplicações corporativas, explorando exatamente a reutilização de senhas.
Como reduzir o risco: Com políticas claras de uso de senhas exclusivas, adoção de gerenciadores de senhas corporativos e autenticação multifator aplicada de forma consistente, inclusive em acessos remotos e aplicações internas.
2. Clicar em links sem validação da origem
Mensagens com links continuam sendo um dos vetores mais eficientes para ataques de phishing, que lideraram o índice de ocorrências no Brasil em 2025, com 18% dos casos, de acordo com a IBM.
O pishing se tornou ainda mais perigoso devido a aplicações de inteligência artificial, que tornam as mensagens muito mais convincentes e com aparência confiável. Porém, ao acessar os endereços, o usuário é direcionado a páginas falsas para coleta de credenciais ou para download de códigos maliciosos.
Como implicação prática, ocorre a exposição direta de credenciais corporativas ou a execução de malware dentro da rede.
Como reduzir o risco: Treinamentos focados em análise de contexto, aliados a filtros de e-mail, sandboxing, políticas de navegação e simulações com os colaboradores ajudam na mitigação dos perigos. Contudo, nada elimina a necessidade de atenção individual na validação da origem das mensagens.
3. Utilizar dispositivos pessoais sem os controles adequados
A adoção de modelos de trabalho híbridos e remotos ampliou o uso de dispositivos pessoais para acesso a sistemas corporativos. O risco surge quando esses dispositivos não seguem padrões mínimos de segurança, como atualização de sistema operacional, uso de antivírus confiável e criptografia de disco. Um notebook ou smartphone comprometido fora do ambiente corporativo pode servir como ponto de acesso legítimo à infraestrutura interna.
Como reduzir o risco: É preciso estabelecer critérios objetivos para acesso remoto, incluindo políticas de BYOD, soluções de MDM e verificação de postura de segurança antes da concessão de acesso a sistemas críticos.
4. Compartilhar informações sensíveis
O envio de arquivos por canais não homologados ou sem o devido controle corporativo é uma prática comum em rotinas com pressão por agilidade. É o chamado shadow IT, um dos principais desafios para a proteção de dados.
Esse comportamento dificulta a aplicação de políticas de classificação da informação e controle de acesso. Uma vez fora dos ambientes monitorados, dados corporativos podem ser copiados, compartilhados ou armazenados sem rastreabilidade.
A consequência prática é a perda de controle sobre informações estratégicas e dados pessoais, com impacto direto em requisitos de conformidade, como a LGPD.
Como reduzir o risco: Para evitar o shadow IT, as empresas precisam garantir aos colaboradores ferramentas corporativas que atendam às necessidades de produtividade, aliada a regras claras sobre os canais autorizados para compartilhamento de informações.
5. Adiar atualizações e correções de segurança
Vulnerabilidades conhecidas e sem correção continuam sendo amplamente exploradas por grupos criminosos. Adiar uma atualização ou correção torna sua empresa um alvo previsível, no qual uma única estação de trabalho pode ser o ponto inicial para uma movimentação lateral.
Como reduzir o risco: Programas estruturados de gestão de vulnerabilidades e patch management ajudam a equilibrar estabilidade operacional e segurança.
6. Privilégios a sistemas e informações
Contas com privilégios e permissões acima do necessário ainda são comuns em organizações de diferentes portes, dificultando a contenção e aumentando os esforços de resposta.
Como reduzir o risco: Revisar periodicamente os acessos, adotar o princípio do menor privilégio e integrar processos de segurança e gestão de identidades.
Cultura de cibersegurança
Minimizar riscos associados a descuidos digitais exige uma abordagem integrada. Na prática, reitera a importância de alinhar controles técnicos, processos bem definidos e capacitação constante, implementando uma cultura sólida de cibersegurança.
“Muitos incidentes classificados como falhas humanas são, na verdade, hábitos recorrentes dos usuários. Ao mesmo tempo, refletem lacunas de processos e de governança. Contudo, a tecnologia sozinha não corrige comportamentos de risco. É preciso adotar critérios claros, orientação contínua e monitoramento adequado”, destaca Thiago Branquinho, CTO da TI Safe, reforçando a importância de atuar constantemente identificando comportamentos críticos, avaliando impactos potenciais e implementando medidas proporcionais ao risco.
Ao tratar essas ações como parte da estratégia de segurança digital, as organizações reduzem a probabilidade de incidentes e fortalecem sua resiliência cibernética.