Mais de 80% das empresas já sofreram ataques aos sistemas digitais
Os riscos cibernéticos no setor de energia continuam a evoluir. A área enfrenta desafios significativos de segurança cibernética devido ao aumento da digitalização e de dispositivos interconectados, sendo uma das mais visadas por cibercriminosos.
Segundo um relatório publicado pela IBM, cerca de 80% das empresas de energia em todo o mundo declararam que já sofreram ataques cibernéticos no último ano. No primeiro semestre de 2025, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou mais de 539 milhões de tentativas de ataques aos seus sistemas — investidas bloqueadas pela área de defesa da entidade.
Principais ameaças cibernéticas no setor de energia
De acordo com o estudo The State of Ransomware in Critical Infrastructure, realizado pela Sophos, em 2024, o ransomware é o tipo de malware mais utilizado em ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas, incluindo sistemas digitais dos segmentos de água, energia e serviços públicos. Segundo o levantamento, 67% das empresas desses setores foram afetadas por ransomwares em 2023.
Ataques de phishing, como e-mails ou mensagens com conteúdos fraudulentos direcionados a funcionários das companhias, também estão entre os mais utilizados por cibercriminosos como porta de entrada para ambientes corporativos, que, depois, levam ao acesso de ambientes operacionais (OT).
Outra abordagem adotada por hackers mal-intencionados para chegar às empresas de energia são ataques de Supply Chain, que visam os fornecedores de softwares, hardwares ou serviços terceirizados dessas companhias. A estratégia tem como base a forte dependência que o setor de energia tem de integradores, sistemas legados e empresas terceiras, potencializando assim brechas na segurança.
Impactos dos ataques cibernéticos no segmento de energia
O setor de energia é classificado como infraestrutura crítica e representa a base para o funcionamento de diversos outros ecossistemas essenciais à sociedade. Por isso, os danos causados por ataques cibernéticos às companhias da área podem ser amplificados em escala nacional, afetando não apenas a continuidade da distribuição de energia, mas também setores dependentes, como saúde, transporte, telecomunicações, abastecimento de água e indústria.
Esses incidentes têm potencial para gerar apagões em larga escala, interrupções operacionais, prejuízos financeiros bilionários e riscos diretos à segurança física de pessoas e equipamentos. Além disso, o impacto na reputação e a perda de confiança da população e de órgãos reguladores podem comprometer, a longo prazo, a estabilidade de empresas e, consequentemente, da economia nacional.
Políticas de segurança cibernética
Dada a importância de se garantir a integridade dos sistemas, as companhias do setor de energia devem atender a normativas e resoluções estabelecidas por órgãos reguladores, que norteiam as operações na área, tais como:
ANEEL – Resolução Normativa nº 964/2021: estabelece as diretrizes para a política de segurança cibernética que deve ser adotada por todos os agentes do setor. A norma define o conteúdo mínimo para essas políticas, com base em boas práticas nacionais e internacionais.
A resolução determina ainda que os agentes devem emitir notificações de incidentes cibernéticos que afetem a segurança das instalações, da operação, de dados ou dos serviços aos usuários. Clique aqui e saiba mais.
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS): De acordo com as normativas definidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), vigentes desde 2022, as empresas do setor de energia devem seguir os processos e requisitos de segurança para operação na área, dentre eles ARCiber (Ambiente Regulado Cibernético), VPN, OTP, atualizações frequentes nos softwares que corrigem falhas, entre outros.
PNiber e CNCiber
A Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber) foi instituída em 2023 com a finalidade de orientar e fortalecer as ações de segurança cibernética no Brasil. No âmbito da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Conselho de Governo, foi criado o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber), responsável por acompanhar a implementação e a evolução da política.
As normas estabelecidas definem parâmetros para uma atuação proativa na identificação e mitigação de ciber-riscos, além de garantir proteção e resiliência cibernéticas aos ativos digitais que dão suporte ao funcionamento da sociedade brasileira.
No Brasil, as regulamentações de cibersegurança se alinham a padrões internacionais para o gerenciamento de riscos em infraestruturas críticas, seguindo normas como: IEC 62443 – que foca na segurança cibernética de sistemas de automação e controle industrial (IACS) – e a Diretiva NIS e NIS2, regulamentos da União Europeia para a segurança de redes e sistemas de informação.
Prevenção a ataques cibernéticos no setor de energia
Para mitigar os riscos e fortalecer a proteção contra violações aos sistemas, as companhias de energia tendem a investir em estruturas cada vez mais robustas de segurança. A exemplo disso, a CCEE divulgou investimentos de R$ 60 milhões para a modernização de seu centro de dados, triplicando a capacidade de armazenamento e de processamento para acompanhar a crescente digitalização das operações.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, destaca que a adoção de novas tecnologias, por si só, não é suficiente para impedir o avanço dos ciberataques no setor. Segundo ele, a preparação da equipe de segurança e a existência de planos abrangentes e bem estruturados são fatores decisivos para reduzir os impactos.
“Treinamentos de conscientização e planos de continuidade de negócios são fundamentais para que a organização saiba como reagir diante de um incidente. Uma das principais chaves para a resiliência cibernética está na combinação entre tecnologias que abarquem Inteligência Artificial (IA) e os ICS-SOCs (Centros de Operações de Segurança de Sistemas de Controle Industrial), que atuam proativamente, identificando os riscos e otimizando a tomada de decisões”, explica.
A TI Safe conta com três unidades de CPS-SOC, sendo duas no Rio de Janeiro (Botafogo e Jacarepaguá) e uma em Curitiba, PR. Quer saber mais sobre como funciona a operação desses equipamentos e como implantar medidas de proteção personalizadas para a segurança da sua planta industrial?
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