Debates e propostas sobre o Marco Regulatório da Inteligência Artificial fortalecem as diretrizes para a proteção do ecossistema digital no país.
A inteligência artificial tem gerado impactos significativos para a operação dos negócios em diferentes segmentos do mercado. Diante da ascensão do uso dessas tecnologias e do avanço das discussões sobre sua regulamentação no Brasil, é essencial que a IA seja incorporada às estratégias de cibersegurança, objetivando fortalecer a governança e mitigar riscos de violações a infraestruturas digitais.
De acordo com relatório produzido pela plataforma All About AI, os ataques cibernéticos impulsionados por inteligência artificial registraram crescimento de 72% em 2025. A pesquisa revelou ainda que 87% das organizações globais já enfrentaram incidentes movidos por inteligência artificial, sendo que 85% das empresas relataram especificamente ataques de deepfake.
Ataques com motivações geopolíticas
Além das investidas direcionadas às organizações privadas, geralmente associadas ao roubo de dados, fraudes digitais, espionagem corporativa e interrupção de operações, a IA também se tornou um elemento crucial em ataques contra sistemas, infraestruturas críticas e órgãos públicos. Nesses casos, ameaças com motivações geopolíticas ganham força, explorando recursos automatizados para ampliar a escala, a precisão e a sofisticação das ações maliciosas, como campanhas de desinformação e engenharia social avançada.
Assim, mais do que proteger ativos tecnológicos, a cibersegurança passa a desempenhar um papel estratégico na preservação da soberania digital e da capacidade de resposta nacional. Considerando que ataques cibernéticos podem comprometer serviços públicos, cadeias de suprimentos e a economia, o planejamento de segurança da informação deve ser tratado como um pilar da resiliência digital.
A adoção de políticas robustas de governança, aliada ao uso responsável da inteligência artificial, será decisiva para ampliar a capacidade de prevenção e resposta frente às ameaças cada vez mais complexas.
Brasil avança na regulamentação da IA e na cibersegurança
Para acompanhar a evolução tecnológica e proporcionar maior segurança jurídica ao desenvolvimento e à utilização da inteligência artificial, o Marco Regulatório da IA segue avançando no Congresso Nacional. Embora o texto do projeto PL 2338/2023 ainda não tenha sido aprovado em definitivo, o andamento dos debates sinaliza um amadurecimento institucional indispensável.
As discussões atuais na Câmara concentram-se no alinhamento de pontos sensíveis, como a governança dos modelos generativos e a definição de incentivos econômicos, garantindo que a futura legislação brasileira não sufoque o ecossistema de inovação local, mas ofereça a segurança jurídica necessária para o mercado.
Paralelamente, a Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber) incorpora as diretrizes para a proteção das infraestruturas digitais brasileiras. A iniciativa, vigente no país desde dezembro de 2023, estabelece bases para a gestão de riscos cibernéticos, a coordenação entre os setores público e privado e o fortalecimento da capacidade de prevenção, resposta e recuperação diante de incidentes, criando um ambiente favorável para a adoção segura da inteligência artificial.
Em abril, o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber) concluiu a redação do anteprojeto da Lei Geral da Cibersegurança. O texto é peça-chave para dar poder de fiscalização à Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber), prevendo a instituição de uma autoridade reguladora exclusiva e pavimentando o caminho para a consolidação de um Marco Legal definitivo.
A adequação às normas e regulamentações vigentes é um fator essencial para equipar a governança e reduzir riscos cibernéticos. Dessa forma, contar com parceiros especializados é fundamental para transformar as exigências em práticas efetivas de proteção.
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