Conheça o mercado de trabalho e os desafios para quem deseja seguir essa carreira.
A crescente digitalização em todos os setores e as inovações tecnológicas constantes são alguns dos fatores que têm contribuído para o aumento dos ataques cibernéticos.
Esse crescimento, somado às possíveis consequências, cada vez mais devastadoras, das ameaças, tem impulsionado as organizações a fortalecer suas estratégias de defesa e a buscar profissionais na área de segurança cibernética.
Essas informações são do relatório global da Fortinet, “2024 Cybersecurity Skills Gap”, que também apresenta um panorama sobre os desafios da falta de talentos na área de segurança cibernética.
Mercado de trabalho em segurança cibernética
O Brasil é um dos países do mundo que mais tem registrado aumento no número de profissionais em cargos de cibersegurança. Foi o que revelou o estudo LinkedIn Economic Graph, levantamento realizado entre maio de 2023 e maio de 2024.
De acordo com o estudo, o país registrou uma alta de 4,5% nas contratações em cargos da área, ficando atrás apenas de Alemanha, com 4,7%, e Espanha, com 5,5%.
Porém, mesmo com o aumento no número de profissionais atuando na segurança cibernética, ainda há alta demanda por especialistas no segmento. O mesmo estudo do Linkedin, que mostra o crescimento nos cargos assumidos, também pontua que, se todos os brasileiros com certificações na área estivessem atuando, o setor poderia suprir parte da lacuna por especialistas e ter 41,7% a mais de profissionais no mercado.
De acordo com o estudo “2024 Cybersecurity Skills Gap”, faltam aproximadamente 750 mil especialistas em segurança cibernética no Brasil. No mundo, o número chega a 4 milhões. “Estimamos que, somente no mercado de segurança cibernética industrial, a lacuna seja de cerca de 60 mil profissionais”, destacou Thiago Branquinho, CTO da TI Safe, que atua há mais de 20 anos no mercado de cybersecurity.
Ele completou ressaltando que a área de segurança de redes é uma das mais precárias do segmento. “A infraestrutura que é necessária para uma rede operar é muito grande e complexa. As pessoas muitas vezes investem em como proteger, mas não conhecem, de fato, o que é a rede e não entendem questões básicas que fazem tudo aqui funcionar”.
Desafios de segurança cibernética
Uma das principais conclusões do estudo global da Fortinet é que o mercado está sentindo as consequências da falta de mão de obra e de qualificação na área.
Para Thiago Branquinho, esse é um dos principais desafios da profissão, uma vez que para atuar na área de cybersecurity, é necessária uma formação mais longa e específica. “Para você fazer segurança cibernética, você precisa entender, primeiro, o que você está protegendo, ou seja, conhecer sobre aquilo que você vai proteger”. A capacitação da mão de obra envolve, ainda, estar um passo à frente das ameaças cibernéticas, que estão cada vez mais sofisticadas.
Gerenciar o estresse relacionado ao dia a dia de trabalho e à ocorrência de incidentes de segurança também é um desafio para os profissionais. “Muitas vezes a cibersegurança entra como uma trava nas empresas e os colaboradores querem trabalhar de forma livre. Nesse cenário, o profissional de segurança é, geralmente, uma persona non grata”, salientou o CTO da TI Safe.
Falta de qualificação e seus efeitos
A falta de habilidades dos profissionais tem impactado na quantidade de violações sofridas pelas organizações. Cerca de 87% das empresas que sofreram ataques cibernéticos em 2023 relataram que atribuem, parcialmente, a lacuna na capacitação das equipes como uma das razões para que as violações tenham ocorrido. As informações são da pesquisa da Fortinet.
Perdas financeiras e problemas com imagem e reputação das empresas estão entre as principais consequências das falhas de segurança.
O melhor caminho para prevenir esses prejuízos passa pelas próprias empresas, que devem investir em capacitação adicional para suas equipes. “Na TI Safe, nós formamos as pessoas, pois é muito difícil encontrar profissionais prontos no mercado. Nós elegemos 30 competências-chave para trabalhar ao longo da carreira dos nossos colaboradores, além de treinamentos das próprias ferramentas que serão utilizadas para proteção”, enfatizou Thiago.
John Maddison, CMO da Fortinet, afirmou, no decorrer do estudo “2024 Cybersecurity Skills Gap”, que uma das formas de mitigar eficazmente os riscos e combater as ameaças complexas de hoje é melhorar as competências dos profissionais de segurança. “É importante buscar treinamentos, certificações e promover uma força de trabalho consciente do ciberespaço”. A Fortinet tem como meta treinar 1 milhão de pessoas em cibersegurança até 2026.
Empresas valorizam soft skills
Cada vez mais as organizações estão buscando profissionais que apresentem soft skills, habilidades sociocomportamentais que vão definir como você lida com as diferentes situações do trabalho e das relações interpessoais.
É o que aponta o Global Trend Report, do LinkedIn. Segundo o relatório, 80% dos gestores de recrutamento acreditam que as habilidades sociaissão importantes para o sucesso das empresas. Ainda, cerca de 90% afirmaram que as soft skills são tão ou mais importantes que as hard skills (habilidades técnicas).
Na TI Safe, as soft skills são altamente valorizadas. “Em nossas seleções, e também em outras empresas do mercado, faz muito mais sentido contratar um colaborador pelas soft skills do que pelas hard skills. Assim, você contará com um profissional que já tem habilidades não mensuráveis, como trabalhar em equipe, colaboração, resolver problemas, autogerenciamento, comunicação, e poderá colocar sua energia treinando-os para os conhecimentos específicos da área de atuação”, finalizou Thiago.