As apresentações abordaram inovações e tendências para a área de segurança cibernética em TO
Após uma abertura repleta de informações valiosas para a área de segurança cibernética em infraestruturas críticas, o segundo dia da CLASS 2024 explorou discussões essenciais para a maturidade da área de OT Security na América Latina.
Segurança ciber-física para um futuro próximo
Serafim Ivo Faria, gerente comercial da Fortinet, iniciou a manhã de quarta-feira (15) com a apresentação da palestra sobre ‘como proteger o ambiente operacional das ameaças ciber-físicas’. O especialista destacou que a área de OT não está presente apenas em negócios com infraestruturas críticas, mas em todos os setores da economia. “Nunca se fez tão necessário olhar para essa área de uma forma cuidadosa e estratégica para evitar os ataques”, ressaltou.
Ivo defendeu também a convergência e a conectividade da segurança entre as áreas de TI (rede corporativa) com a área de TO (rede operativa) e acredita que a conexão entre elas é mandatória para garantir o maior nível de blindagem digital por meio de firewalls de última geração.

Estande TI Safe LAB
Destaque na CLASS 2024, o estande da TI Safe LAB promoveu a interação dos participantes com o novo simulador cibernético de usina nuclear, o Xphir4, desenvolvido pela companhia. “O simulador replica os principais processos de uma usina nuclear, os circuitos primários, secundários e terciários. Aqui no estande é possível ter uma visualização prática da parte eletrônica, virtual e técnica – assim como os operadores enxergam na planta”, explicou Victor Alvarez, analista de segurança da informação da TI Safe.

Palestra Mark Porter: Simplificando a Cibersegurança de OT
De forma didática e incisiva, Mark Porter, arquiteto de soluções de sistemas da segurança na TXOne Networks, destacou em sua palestra o princípio “confiança zero” como a principal recomendação para mitigar os riscos aos sistemas operacionais.
Essa proteção se estende para o ambiente físico e envolve, além dos sistemas, terceiros que chegam para prestar serviços, por exemplo, e que eventualmente precisem se conectar à rede da empresa ou trazer seus próprios dispositivos. “Zero confiança significa que você deve considerar tudo e todos culpados até que se prove o contrário”, disse.
Isso envolve, inclusive, a prática de escaneamento ou checagem de quaisquer equipamentos que entrem na companhia, seja lá qual for a forma. “Até mesmo equipamentos novos, que vieram direto da fábrica, podem carregar vírus invasores. Isso já aconteceu antes e pode acontecer de novo”, comentou o profissional.

Integrando Segurança Cibernética ao Sucesso Operacional
Mike Plante, da Nozomi Netwoks, abriu sua apresentação no palco da CLASS 2024 trazendo um pouco do institucional da companhia e contou dos desafios que os fundadores enfrentavam há 10 anos, quando foi lançada. ‘Era um mercado louco, os clientes precisavam de ajuda para entender o que existia nos próprios sistemas operacionais deles”. De acordo com o executivo, naquela época a missão da Nozomi já era implementar segurança cibernética em sistemas de TO. “Trilhamos um longo caminho desde então”.
O executivo pontuou também alguns grandes desafios do mercado, entre eles a necessidade de maior engajamento dos boards de diretores das companhias com o tema, a falta de profissionais com habilidades e experiência ligadas à segurança cibernética e a necessidade de direcionar a mentalidade das empresas para o pré-incidente, ou seja, para que não pensem em se prevenir de ataques somente após uma ocorrência. “Promover a cybersecurity de TO, IoT e ICS é, hoje, uma cyber missão!”, finalizou.

Alessandro Moretti aborda a gestão de acesso além da TO e da TI
A palestra de Alessandro Moretti, gerente do Thales Group, enfatizou os vários setores que podem ser classificados como estruturas críticas para a segurança, destacando healthcare e a importância do desenvolvimento de soluções personalizadas. Durante a apresentação, ele salientou que 70% das organizações relataram, durante uma pesquisa, que os ataques de ransomware em healthcare resultaram em estadias mais longas em hospitais e atrasos em procedimentos e testes, gerando resultados negativos e aumento da mortalidade. “Healthcare já é considerado estrutura crítica nos Estados Unidos, pois coloca vidas em risco. Os ataques interrompem a operação de hospitais e o atendimento de emergência, por exemplo“, enfatizou.

As sinergias entre segurança cibernética industrial e IA
Thiago Branquinho, Co-founder & CTO da Ti Safe, encerrou o ciclo de palestras do segundo dia da CLASS 2024 com um dos temas mais promissores para a área: a interação da IA com os sistemas de segurança industriais. A apresentação explorou o cenário evolutivo da inteligência artificial aplicado ao setor de OT security, possibilitando tanto benefícios – como a detecção mais rápida e inteligente de ameaças e respostas inteligentes a incidentes – como o aumento dos riscos devido a utilizações maliciosas da tecnologia. “Em um panorama global de classificação de riscos para a sociedade desenhado para os próximos dez anos, os efeitos adversos do uso da inteligência artificial ocupam a 6ª colocação, sendo as quatro primeiras posições relacionadas a riscos ambientais”, disse.

Novos ataques, novas defesas
Tendo em vista as novas configurações de ataques cibernéticos baseados em inteligência artificial, capazes de alcançar larga escala, é essencial o avanço tecnológico na estrutura de sistemas de segurança em estruturas críticas. Com esse propósito, a TI Safe desenvolveu a plataforma TI Safe Smart Plataform (TSSP), que integra o melhor do conhecimento humano da operação com a eficiência da IA, garantindo mais proteção para a infraestrutura. “A plataforma promove o empoderamento de profissionais, para que possam executar tarefas com mais eficácia, além de permitir a detecção de forma proativa das ameaças e o monitoramento autônomo da predição de incidentes com IA”, explica Thiago.
Safer – a Inteligência Artificial da TI Safe
Thiago Branquinho também apresentou as funcionalidades do Safer – a inteligência artificial desenvolvida pela TI Safe especificamente para enfrentar os desafios únicos do setor de segurança cibernética.
O Safer foi meticulosamente treinado utilizando uma combinação de literatura especializada, tanto online quanto offline, abrangendo os mais recentes avanços e desafios em segurança cibernética industrial. Além disso, sua base de conhecimento inclui dados detalhados de incidentes reais coletados no Incident Hub – portal de monitoramento e centralização de incidentes cibernéticos em infraestrutura crítica -, tickets do ICS-SOC da TI safe e manuais técnicos de equipamentos e soluções específicas implementadas pela companhia.
