O crescimento de aplicações de IA e os impactos da tecnologia no setor de cibersegurança foram os principais temas abordados.
O Mind the Sec, considerado um dos mais relevantes e qualificados eventos de cibersegurança da América Latina, aconteceu pelo terceiro ano consecutivo no Transamérica Expo Center, entre os dias 16 e 18 de setembro.
A conferência abordou, por meio de palestras, workshops, painéis com especialistas e exposições de parceiros e patrocinadores, as principais tendências do mercado de cibersegurança e as inovações que estão moldando o futuro da área.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, apresentou no primeiro dia do evento a palestra ‘Aplicação de inteligência artificial para detecção de intrusões e anomalias em tempo real em redes operacionais críticas’ — um dos temas em destaque da conferência, com foco nos avanços e na incorporação de novas tecnologias aplicadas à cibersegurança.
O especialista destacou o aumento das vulnerabilidades em sistemas ciberfísicos (CPS), impulsionado pela crescente conectividade entre múltiplos dispositivos, com diferentes protocolos e aplicações avançadas. Um cenário que exige mecanismos de defesa cada vez mais robustos e autônomos, para os quais a inteligência artificial tem se mostrado um recurso essencial.
Branquinho ressaltou ainda que a inteligência artificial não está apenas a serviço da defesa, mas também tem sido utilizada de forma ofensiva, conduzindo todas as etapas de ataques a infraestruturas digitais, desde a identificação de falhas até a execução de malwares.
Diante de um ataque do tipo ‘zero day’, se torna inviável que redes operacionais críticas interrompam suas atividades imediatamente, daí a necessidade de respostas rápidas e automatizadas proporcionadas pela chamada IA defensiva. “Se os ataques já são conduzidos por IA, a única forma eficaz de defesa é também com IA. No entanto, não basta apenas cumprir normas de compliance: é preciso atualizar continuamente as regras e os processos da operação à luz dessa tecnologia”, destacou o CEO.

Marcelo Branquinho alertou também sobre a escassez de profissionais especializados: “Hoje, há um déficit de cerca de 60 mil pessoas no mercado de cibersegurança industrial, o que reforça o papel da inteligência artificial para suprir essa lacuna”, explica.
Exposição da plataforma Safer
O Safer, uma ferramenta completa baseada em IA, desenvolvida pela TI Safe, também chamou a atenção dos especialistas no Mind the Sec. Durante o evento, a plataforma estava disponível para a exploração dos participantes, que aproveitaram a oportunidade para trocar informações com o time de desenvolvedores e ainda experimentar as funcionalidades da ferramenta na prática.

A tecnologia é capaz de entender e processar dados sobre incidentes de segurança, fornecer diagnósticos e sugerir medidas corretivas imediatas.
Durante a palestra, Branquinho destacou o amadurecimento da plataforma, lançada em 2024, que hoje reúne mais de 500 artigos de cibersegurança, 5 mil páginas de normas e manuais, além do acervo da universidade TI Safe e mais de 450 horas de conteúdo de onboarding. Com uma interface dinâmica e intuitiva, o Safer é capaz de atuar como:
- Consultor, avaliando contextos e sugerindo soluções com rapidez.
- Auditor, com análise de normas e conformidades de acordo com contextos e padrões do mercado.
- Analista N1, com a execução de processos de triagem e elaboração de tickets.
- Analista N2, gerando respostas rápidas a incidentes detectados.
A versão demo do Safer já está disponível para clientes cadastrados durante os eventos realizados pela TI Safe. O lançamento oficial da ferramenta para aquisição da área de cibersegurança está previsto para o primeiro semestre de 2026.
O Mind the Sec 2025 contou com mais de 16 mil participantes em mais de 200 horas de conteúdo. O evento propiciou valiosas trocas de conhecimento, além de criar oportunidades de networking e debates que inspiraram profissionais e empresas a repensarem estratégias frente aos novos desafios da segurança da informação.