A interconectividade entre redes e dispositivos, característica de novos processos tecnológicos, colabora para o aumento da superfície de ataque, tornando os sistemas digitais ainda mais vulneráveis.
A Indústria 5.0, considerada a quinta revolução industrial, combina tecnologias avançadas, como inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina e Internet das Coisas (IoT), com a colaboração humana. Essa nova era não apenas impulsiona a eficiência e a produtividade, mas também promove a inovação, resultando em produtos e processos que contribuem para o bem-estar social e a sustentabilidade.
A evolução dos processos industriais consolidou o desenvolvimento de dispositivos autônomos como, por exemplo, assistentes de voz, eletrodomésticos, robôs, automóveis, controlador lógico programável (CLP) — dispositivo eletrônico que permite comandar sistemas de manufaturas —, entre outros.
No entanto, um dos principais desafios da indústria 5.0 é a segurança cibernética. Afinal, a utilização de tecnologias digitais e a interconectividade de redes tornam as estruturas ainda mais vulneráveis a ataques de cibercriminosos, que podem explorar as falhas para roubo e sequestro de dados, interrupção de operações sensíveis ou até mesmo sabotagem.
“A conexão de sistemas ciberfísicos promove novas oportunidades e também desafios na cibersegurança, uma vez que amplia a superfície de ataque. Sem as medidas adequadas de proteção, invasores podem comprometer desde a integridade dos dados até o funcionamento de infraestruturas críticas, causando impactos materiais e financeiros severos”, destaca Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
Crescimento de ataques a sistemas ciberfísicos (CPS)
De acordo com um estudo realizado pela Claroty, 62% das organizações brasileiras que operam com sistemas ciberfísicos tiveram prejuízos importantes causados por ciberataques em 2024. Segundo os dados do levantamento, as empresas contabilizaram perdas entre US$ 100 a US$ 500 mil.
Outra pesquisa, desta vez realizada pelos especialistas da Dragos Platform, em 2022, divulgou que um trojan estava sendo enviado em massa para funcionários de sistemas industriais por meio de redes sociais. O malware era embutido em um software para quebra de senhas em CLPs (controladores lógicos programáveis) e arquivos de projeto.
Na época, os pesquisadores da Dragos constataram que os cibercriminosos anunciavam o software para cracker de PLCs e interfaces de diversas empresas, como Siemens, Mitsubishi Electric, LG, Panasonic, entre outras.
Estratégias de cibersegurança na indústria 5.0
Para a proteção das infraestruturas digitais que fazem parte da indústria 5.0 – especialmente CPS, considerando o aumento da conectividade -, é imperativo o fortalecimento de medidas de cibersegurança, tais como:
- Segmentação de redes, visando separar as infraestruturas de OT (redes operativas) e TI (redes corporativas), para controlar o fluxo de dados e evitar que possíveis invasões se espalhem e atinjam toda a operação da companhia.
- Monitoramento contínuo, para detectar rapidamente comportamentos fora dos padrões e indicadores de ameaças.
- Atualizações e patches regulares, otimizando softwares, firmwares e dispositivos com o objetivo de corrigir problemas de sistemas legados e impedir que hackers explorem brechas na segurança.
- Abordagem zero trust, para garantir a autenticação constante de usuários, dispositivos ou quaisquer aplicações que acessem sistemas industriais críticos. O princípio zero trust colabora para o bloqueio de movimentações de invasores nas redes.
Marcelo Branquinho reitera ainda a importância do treinamento periódico na área de cybersecurity, a fim de manter os profissionais atualizados e capacitados a identificar novas ameaças, especialmente as desenvolvidas a partir de inteligência artificial.
“O treinamento contínuo é essencial para que os especialistas possam responder com precisão aos riscos dos ambientes convergentes. Outro ponto fundamental é a gestão de vulnerabilidades, com avaliação e correção regulares das fragilidades dos sistemas”, enfatizou o CEO.
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