Saiba mais sobre os avanços da tecnologia e as ameaças à proteção de dados.
A criptografia está entre as principais medidas de segurança recomendadas às empresas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) — em vigor desde 2020. A tecnologia codifica dados e informações digitais, eliminando os riscos de acessos não autorizados.
Não é à toa que aplicativos bancários e de comunicação, como WhatsApp e Telegram, mantêm as operações e conversas de seus usuários protegidas sob uma forte camada criptografada. O uso da técnica também é essencial em cifras de drenagem de CPU, usadas para minerar criptomoedas.
Tipos de criptografia
Existem diferentes formatos de criptografia, incluindo opções híbridas que reforçam a proteção das comunicações. Contudo, a maioria das técnicas se enquadra em uma das três categorias principais: criptografia simétrica, criptografia assimétrica ou funções hash.
O que é criptografia simétrica?
A criptografia de chave simétrica utiliza somente uma chave no processo de criptografia e descriptografia, por isso, também é conhecida como criptografia de chave única ou de chave secreta. Esse modelo requer que um remetente e um receptor tenham chaves digitais idênticas para criptografar e descriptografar dados.
O que é criptografia assimétrica?
Diferente da criptografia de chave única, o modelo de criptografia assimétrica utiliza um par de chaves: uma chave secreta e uma chave pública — considerada mais segura do que as técnicas de criptografia simétrica, pois, embora uma chave esteja disponível publicamente, a mensagem criptografada só pode ser descriptografada com a chave privada do destinatário.
Algoritmo de hash criptográfico
A técnica tem como base uma função matemática que transforma dados de tamanho variável em uma sequência de caracteres de tamanho fixo, conhecida como hash. O processo é unidirecional, ou seja, não é possível reverter para obter os dados originais. Outra característica desse modelo é a resistência à colisão, considerando que se qualquer parte dos dados for modificada, um hash diferente será gerado, garantindo, assim, a integridade dos dados.
Desafios da criptografia
Embora seja uma das medidas de proteção digital mais recomendadas e amplamente adotada, a criptografia não assegura a total inviolabilidade dos sistemas — assim como nenhum outro recurso de segurança. Com o avanço tecnológico e o uso da inteligência artificial no aperfeiçoamento de ciberataques, as chaves criptográficas tornam-se cada vez mais vulneráveis a violações. Um dos maiores indícios dessa ameaça à criptografia é a computação quântica.
Diferente da lógica operacional de máquinas convencionais, que está fundamentada na unidade de informação de bits, ou dígitos binários – um bit pode ter um valor de 0 ou 1 – os computadores quânticos usam qubits, que podem representar vários estados possíveis de 1 e 0 ao mesmo tempo – um fenômeno conhecido como superposição.
Por que computadores quânticos ameaçam a criptografia?
Com a superposição, assim como com o emaranhamento ou entrelaçamento binário, eventos nativos da computação quântica, bastaria a adição de alguns qubits para um poder de processamento sem precedentes. Uma máquina quântica com 300 qubits superaria – e muito – as limitações de desempenho existentes, permitindo o teste de todas as permutações possíveis de uma chave criptográfica em um tempo relativamente curto.
De acordo com um estudo da National Academies, as máquinas quânticas precisarão de muito mais poder de processamento para representar uma ameaça real aos modelos de criptografia. Outros especialistas da área acreditam que o “Y2Q (Years to Quantum)” — ano em que computadores quânticos conseguirão quebrar os sistemas criptográficos clássicos — pode chegar mais rápido do que se imagina.
Segundo os trabalhos dos pesquisadores Craig Gidney (Google) e Martin Ekera (KTH Royal Institute), um computador com 20 milhões de qubits poderia decifrar um RSA — modelo de criptografia assimétrica — em apenas oito horas.
Criptografia quântica: O futuro da proteção de dados
Para fazer frente aos desafios da computação quântica para a cibersegurança, a criptografia quântica surge como uma alternativa promissora, oferecendo um novo padrão de proteção baseado nos princípios da mecânica quântica.
Diferentemente do modelo tradicional, que utiliza algoritmos matemáticos complexos para codificar dados, essa abordagem inovadora emprega as leis da física para garantir que qualquer tentativa de interceptação seja detectada em tempo real.
Os fenômenos de superposição e entrelaçamento quântico tornam a criptografia quântica extremamente segura na transmissão de chaves. Isso porque qualquer tentativa de violação altera o estado das partículas, alertando instantaneamente emissor e receptor sobre a presença de um potencial invasor.
Embora a criptografia quântica seja apontada como o método mais seguro para a transmissão de chaves, é importante destacar que ainda há muitos obstáculos para a adesão em larga escala do modelo, como o alto custo e a complexidade de implementação.
Criptografia pós-quântica
Se a criptografia quântica é eficiente para a transmissão segura de chaves entre dois pontos, a criptografia pós-quântica vai além. A tecnologia é voltada para resistir à capacidade dos computadores quânticos de realizar cálculos muito mais rápidos do que os computadores tradicionais. Seu objetivo é reduzir drasticamente as chances de que os métodos criptográficos atuais sejam quebrados por essas novas máquinas.
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