Marty Edwards, vice-presidente da Tenable, abordou o tema durante a palestra da CLASS 2024
Instituições bancárias, carros-fortes, joalherias, casas da moeda… Há alguns anos, estes eram considerados os principais alvos de criminosos que almejavam roubar grandes quantias. No entanto, com a digitalização das operações e o aumento de ataques de hackers a indústrias, este cenário mudou e, agora, os sistemas operacionais de infraestruturas críticas também entraram na mira de quadrilhas especializadas em crimes cibernéticos.
Segundo o relatório divulgado pela plataforma de dados Chainalysis, em 2023 os pagamentos de resgate por invasões de ransomware em criptomoedas ultrapassaram US$ 1,1 bilhão – aproximadamente 10% a mais que a marca histórica registrada em 2020, que foi de US$ 905 milhões.
A plataforma de análise de blockchain atribui o recorde de 2023 à escalada de ataques contra grandes organizações e infraestruturas críticas. A conclusão é reforçada por Marty Edwards, vice-presidente da Tenable – OT Security: “Nos últimos anos, vimos um aumento significativo de ataques cibernéticos direcionados a sistemas de controle industrial. Não precisamos mais imaginar cenários de ataques — eles já são uma realidade”, pontuou.
Desafios da segurança em OT
Durante sua palestra na 5ª edição da CLASS (Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA), Edwards destacou que muitas empresas ainda não tomam as medidas necessárias para proteger seus sistemas de controle, SCADA ou ativos de OT. Com o aumento dos ataques de ransomware, é essencial priorizar ações básicas, como garantir que os backups estejam atualizados, para rápida recuperação em caso de incidentes. “Mais do que recorrermos a tecnologias avançadas, como Inteligência Artificial (IA), é importante haver uma compreensão clara dos ativos da empresa. Sem essa visibilidade, as ferramentas de monitoramento e detecção não são eficazes”.
Integração e recuperação de dados
A integração de dados também está entre os principais desafios da área de segurança da informação. Segundo o especialista, é comum que os dados de TI e OT fiquem armazenados em bases diferentes, tornando complexa a produção de relatórios consolidados e, consequentemente, levando muitos profissionais a usarem ferramentas como o Excel para unificar as informações.
“A separação e integração de dados são processos que precisam ser simplificados e esse é o momento ideal para as organizações investirem em otimizações da área. Os sistemas de OT continuam na fase de ganhos produtivos, onde cada aporte tem o potencial de gerar resultados significativos”, pontua Edwards.
Medidas para mitigar ameaças de ransomware em OT
Considerando que os ciberataques a ambientes industriais estão diretamente relacionados às vulnerabilidades identificadas por meio de vazamentos ou interceptações de dados, Marty Edwards destacou medidas essenciais para mitigar ameaças de ransomware a partir da integração e tratamento das informações, tais como:
- Visibilidade de dados: Com a conectividade entre as redes de OT e TI, um dos maiores desafios da área é a visibilidade dos dados trafegados, uma vez que muitos ativos de OT são, na verdade, dispositivos de TI, como estações de trabalho e servidores, que executam funções industriais. Para um sistema de segurança sólido é importante entender quais ativos estão conectados às redes e como estão configurados.
- Modelo Purdue: Muitas empresas adotam o Modelo de Referência Purdue para segmentação de rede de ICS (Sistema de Controle Industrial)/OT, que define mais seis camadas, componentes e controles de segurança relevantes para cada camada. Uma estrutura essencial para dividir os sistemas de controle em diferentes níveis e mitigar os riscos.
- Preparação para recuperação: O planejamento para a restauração dos sistemas operacionais em caso de incidentes cibernéticos é fundamental, principalmente a configuração de backups eficientes. “No ambiente de OT, muitas vezes, os backups são feitos em mídias antigas, como disquetes ou unidades ZIP, e a recuperação pode ser um desafio devido à obsolescência dos sistemas”, explica o especialista.
Edwards reforça ainda a importância da comunicação e da integração de dados das soluções de OT com outros sistemas de segurança. “Não adianta manter as informações isoladas. Precisamos integrá-las com ferramentas de outros fornecedores. Para isso, podemos adotar plataformas como a ServiceNow, Qradar ou até ambientes SAP, utilizados para monitorar o fluxo de trabalho ou integrações SIEM/SOC”, conclui.