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A transformação digital no setor de energia elétrica traz muitos benefícios e inúmeros riscos

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Sexta, 19 Julho 2019 11:57

A digitalização chegou para ficar e hoje integra grande parte das operações no setor energético brasileiro.

 Julio Oliveira ABB

 

A indústria 4.0 e a transformação digital por ela impulsionada afeta os mais variados segmentos de negócio, entre elas as aplicações para infraestrutura de missão crítica como é o caso de óleo e gás, água e energia elétrica. “No contexto de energia elétrica existe um movimento no mercado pelo aumento da eficiência, redução de custos operacionais, automação de processos e também em busca de mais segurança na interação entre os equipamentos. A digitalização corrobora para oferecer respostas a cada um destes itens através da introdução das técnicas para a construção de subestações digitais, sistemas inteligentes para gestão de ativos, monitoramento e supervisão”, avalia Júlio Oliveira, Technology Manager - PGGA Grid Automation da ABB

Para Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, são inegáveis todos os benefícios e avanços na prestação de serviços para os consumidores que a digitalização do setor elétrico traz. Contudo, na opinião do executivo, há um importante efeito colateral que precisa ser combatido: a grande exposição aos riscos de ataques cibernéticos e prejuízos gerados por possíveis invasões.  Os ataques hackers não costumam ser divulgados pelas companhias elétricas, mas é possível mensurar o tamanho do prejuízo das paradas sistêmicas.  O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), realizou em 2018, um estudo no qual estimava que a cada minuto de interrupção no fornecimento de energia elétrica no Brasil o impacto econômico seria de R$ 5 milhões, a cada hora R$ 303,8 milhões e um dia inteiro parado chegaria a R$ 7,29 bilhões.

Digitalizar os sistemas é, contudo, uma rota importante e sem volta para o setor. Júlio Oliveira, da ABB, destaca que os benefícios são relevantes. “A manutenção preditiva, por exemplo, otimiza as ações e a organização dos grupos de operação das concessionárias de energia e, ainda, preserva de forma efetiva os equipamentos primários de uma subestação como os transformadores e os disjuntores. Outros exemplos são: aumento do nível de telemetria que geram mais dados para serem usados por aplicações de Business Intelligence (BI), digitalização de pátios das subestações de energia, por meio da substituição dos cabos de cobre que trazem as informações de corrente e tensão até a sala de controle por uma rede Ethernet –  solução esta que além de simplificar a operação permite a ampliação da subestação; investigação de anomalias e prevenção de falhas do grid elétrico interligado, por meio de medições fasoriais sincronizadas; a  incorporação de  inteligência para os sistemas SCADA de nível 3 com as técnicas de DMS, EMS, OMS, GIS e ADMS; o uso de machine learning e inteligência artificial para análise de grandes volumes de dados; aplicações de cloud computing  para armazenamento e execução de sistemas por virtualização, entre muitos outros avanços, revolucionaram o setor energético e o colocaram na vanguarda tecnológica”, detalha o executivo.

Mas Júlio Oliveira, faz coro com Marcelo Branquinho, em dizer que toda transformação digital traz também riscos. Para ele, quanto maior o avanço da digitalização e a integração dos sistemas, aumenta também o volume dos dados em tráfego. “Quando falamos de sistemas de missão crítica, estamos lidando com dados sensíveis. Por isso, é importante implementar ferramentas de precaução contra vazamentos, corrupção de informações ou perda de dados, que prejudiquem a execução das aplicações. Este é um risco que demanda atenção e, por este motivo, a segurança cibernética deve estar presente”, informa. O Technology Manager da ABB, diz ainda, não acreditar que haja uma receita para estabelecer proteção contra todo e qualquer risco. Mas, segundo ele, alguns procedimentos podem mitigar.

Júlio Oliveira avalia que os projetos de indústria 4.0 são colaborativos, ou seja, clientes, fabricantes e universidades devem estabelecer parcerias para definir os requisitos, desenvolvimentos e testes. “O conhecimento deve ser compartilhado e difundido. É importante capacitar os profissionais de forma adequada nos âmbitos de TI, eletrônica e elétrica, além de planejar as aplicações e estabelecer claramente os objetivos. E, só então, selecionar as técnicas mais adequadas para cumprir as metas e determinar os produtos/software que corroborarão para o sucesso. Por último, mas não menos importante, não se deve ignorar a necessidade de manter a informação sensível e relevante sobre sigilo. Neste cenário, os investimentos em segurança cibernética não devem ser vistos apenas como gastos porque eles serão, cada vez mais, fundamentais nesse nosso novo mundo digital”, conclui Júlio Oliveira.

Lido 359 vezes Última modificação em Quinta, 25 Julho 2019 18:00

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