Novas tecnologias avançam para assegurar a proteção de dados e informações.
A criptografia é uma técnica que transforma informações e dados em formato codificado, com o objetivo de protegê-los e garantir confidencialidade, integridade, autenticidade e não repúdio.
Atualmente, a criptografia usa algoritmos codificados de baixo nível, ou seja, instruções orientadas para o computador, mas de difícil compreensão para os humanos. A maioria das técnicas de criptografia se enquadra em uma das três categorias a seguir: algoritmos de criptografia simétrica, algoritmos de criptografia assimétrica ou funções hash.
Ainda há os sistemas híbridos, como os Internet Protocols SS. Contudo, independente do método, o objetivo é um só: garantir segurança de dispositivos, transações financeiras, dados e informações.
Técnica da criptografia é milenar
É de 1500 A.C. o primeiro uso conhecido da criptografia para ocultar dados – uma fórmula de esmalte para cerâmica, na Mesopotâmia. Porém, dados históricos evidenciam que as técnicas criptográficas já eram usadas desde 1900 A.C, no Egito.
Júlio César usou o método para compartilhar mensagens secretas com seus generais do exército em 100 A.C, durante as guerras. A ‘cifra de césar’ é um dos usos mais conhecidos da criptografia.
Avançando um pouco no tempo, a criptografia continuava sendo usada durante batalhas entre nações, a exemplo da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, quando desempenhou um importante papel na comunicação entre os militares.
É possível afirmar, portanto, que, em seus primórdios, o uso de criptografia era direcionado essencialmente para fins de guerra. Contudo, o cenário mudou quando as organizações começaram a ver o potencial comercial da criptografia para proteger suas informações.
Desafios da criptografia moderna
O início da era digital marcou o começo da jornada da criptografia moderna. Atualmente, esta técnica é um pilar da cibersegurança, protegendo dados e informações críticas contra cibercriminosos.
A criptografia torna a privacidade digital possível, sendo utilizada para proteção de informações, desde mensagens cotidianas até transações financeiras, autenticação de assinaturas digitais, dados de pagamento para compras on-line, comunicações de governos, entre muitas outras aplicações.
Entretanto, assim como as demais abordagens de segurança digital, a criptografia enfrenta desafios impostos pela evolução tecnológica. De acordo com a Cybersecurity Ventures, as violações globais de segurança cibernética devem crescer 15% neste ano, causando perdas de US$ 10,5 trilhões em todo o mundo.
A intensificação do uso de inteligência artificial e a evolução da computação quântica para quebrar criptografias estão entre os agentes que devem contribuir para esse aumento nas violações.
O NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia), um dos mais importantes órgãos de segurança governamental dos Estados Unidos, alerta ainda para o uso de chaves criptográficas desatualizadas e algoritmos que não atendem aos padrões de segurança exigidos, comprometendo os níveis de proteção das informações.
Ainda, de acordo com o NIST, algoritmos como RSA, DSA e ECC devem perder a segurança necessária em alguns anos. Isso exigirá das organizações a adoção de plataformas flexíveis e preparadas, a longo prazo, para manter a segurança dos seus dados.
Aumentando a proteção
Uma solução voltada para a gestão das informações criptográficas, com controle e monitoramento das aplicações, como uma plataforma integrada ou barramento de criptografia, tornam a gestão de segurança cibernética mais ágil e eficiente e garantem a integridade e confidencialidade dos dados.
Outra técnica promissora é a criptografia homomórfica, que possibilita o processamento de dados enquanto ainda estão criptografados. Isso significa que informações não precisam ser desbloqueadas ou expostas durante a realização de operações.
Além disso, a fim de garantir a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados em vigor, a criptografia é uma importante base de proteção. Estruturas envolvendo anonimização de dados e práticas de governança são essenciais para evitar o uso indevido de informações pessoais e confidenciais e assegurar o atendimento da legislação.
O uso da criptografia híbrida – com algoritmos de criptografia clássicos comprovados somados a algoritmos de criptografia resistentes à computação quântica (ainda em desenvolvimento) – é uma recomendação do NIST que deve ficar no radar das empresas, preparando-as para o mundo quântico e pós-quântico que está por vir.
Aliás, a computação quântica permitirá gerar e compartilhar chaves de segurança de forma altamente segura. Além da interceptação ser quase impossível, o sistema consegue detectar se houver tentativa de roubo ou visualização da chave quântica durante sua transmissão.
Torna-se estratégico e prioritário, portanto, que as organizações invistam em infraestruturas de segurança robustas, atualizando constantemente seus protocolos de segurança, a fim de monitorar e mitigar os riscos inerentes ao universo digital.
Ao mesmo tempo, é fundamental acompanhar tendências e inovações mais recentes, relacionadas ao uso de inteligência artificial, novos métodos de autenticação biométrica, blockchain e computação quântica. Integrar técnicas de criptografia complexas com novas tecnologias torna-se essencial para reforçar a segurança digital no cenário corporativo atual e futuro e entregar a proteção necessária contra o desafiador cenário dos ataques cibernéticos.