De acordo com estimativa da agência de classificação de risco Moody’s Ratings, os investimentos globais relacionados a data centers ultrapassará US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos. Ainda, de acordo com o relatório divulgado, a agência projeta que o consumo total de energia dos data centers chegará a 600 TWh em 2026, com aumento de 14% sobre o volume estimado em 2025 (525 TWh).
A maior parte dessa expansão é puxada por hiperescaladores da tecnologia, como Microsoft, AWS, Google e Oracle, que já pré-locaram a nova capacidade.
Expansão de data centers no Brasil
Nos últimos anos, o setor de tecnologia brasileiro passou a representar cerca de 41% do mercado de data centers na América Latina. Esse avanço é impulsionado por fatores como a ampla disponibilidade de fontes de energia, a posição geográfica estratégica, a crescente demanda por serviços digitais e os investimentos em infraestrutura e conectividade no país. Diante desse cenário, o Brasil se consolidou como uma das localidades mais propícias para a construção de data centers.
De acordo com um levantamento realizado pelo jornal Valor Econômico, em 2025, os aportes destinados ao desenvolvimento das estruturas em território nacional devem ultrapassar os R$ 60 bilhões até 2030.
No entanto, a escala tecnológica exige atenção, especialmente em relação ao alto consumo de energia, à pressão sobre os recursos naturais e aos desafios relacionados à cibersegurança, uma vez que a ampliação desses parques também aumenta a superfície de exposição a riscos digitais.
Principais desafios para a cibersegurança
Os data centers são fundamentais para o armazenamento e o processamento de informações estratégicas das empresas, como transações financeiras e dados sensíveis, que precisam estar disponíveis a todo o tempo. A expansão e a complexidade dos ambientes digitais elevam os riscos de ataques cibernéticos, falhas operacionais e interrupções de serviços, com impactos financeiros expressivos.
Os desafios de segurança dos data centers vão além das ciberameaças. As infraestruturas também estão expostas a intercorrências físicas, como variações no controle de temperatura e até brechas nas políticas de acesso restrito. Ou seja, um único erro humano ou uma falha de manutenção pode comprometer a continuidade de toda a operação.
Dessa forma, a cibersegurança dos data centers deve envolver múltiplas camadas de proteção contínuas, tais como:
- Gestão rigorosa de acessos e identidades
Revisar acessos periodicamente e adotar dupla validação em mudanças críticas são medidas que evitam brechas causadas por configurações incorretas, permissões excessivas e negligência em atualizações. - Monitoramento contínuo e resposta a incidentes
A adoção de sistemas de monitoramento em tempo real permite identificar comportamentos anômalos, tentativas de invasão e falhas operacionais, possibilitando respostas rápidas para minimizar impactos. - Proteção física e controle de ambientes críticos
Medidas como controle de acesso por múltiplos fatores, vigilância 24 horas e monitoramento de temperatura, umidade e energia ajudam a prevenir danos físicos e interrupções que podem afetar a segurança dos sistemas digitais. - Políticas de backup e recuperação de desastres
Manter rotinas de backup frequentes, testes periódicos de restauração e planos de recuperação bem definidos garante a continuidade das operações mesmo diante de falhas, ataques ransomware ou eventos inesperados. - Adotar uma arquitetura de confiança zero (Zero Trust)
Aplicar o modelo Zero Trust, no qual nenhum acesso é automaticamente confiável, exige validações contínuas e segmentação de permissões, mitigando assim a superfície de ataque e prevenindo acessos não autorizados.
- Capacitação contínua das equipes
Investir em treinamentos recorrentes para colaboradores reduz riscos relacionados a erros humanos, engenharia social (phishing) e uso inadequado de sistemas, fortalecendo a cultura de segurança em toda a operação.
Políticas regulatórias
Além da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que regulamenta o tratamento de informações pessoais, estabelecendo multas de até 2% do faturamento da empresa em caso de vazamentos de dados, a operação de datas centers no Brasil também deve estar em conformidade com as seguintes resoluções:
- Anatel nº 780/2025, que contempla exigências de cibersegurança, eficiência energética e sustentabilidade para data centers conectados a redes de telecomunicações.
- Anatel nº 767/2024 (R-Cyber), incluindo requisitos de notificação de incidentes e controles para proteger infraestruturas críticas.
- Projeto de Lei 3018/2024, em tramitação no Congresso. A proposta tem foco em regulamentar data centers no Brasil, incluindo aspectos de segurança digital, privacidade, transparência e sustentabilidade ambiental.
Ademais, outras medidas regulatórias estão em discussão e/ou em fase de consultas públicas.
Organizações de diversos segmentos do mercado, especialmente aquelas que operam infraestruturas críticas, devem atender a esse conjunto de normas, uma vez que incidentes de segurança podem comprometer a continuidade dos negócios e gerar impactos significativos para a sociedade.
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