O uso de inteligência artificial por agentes maliciosos vem integrando cada vez mais ataques observados em organizações de todos os portes pelo mundo. Dados do relatório AI Cyber Attack Statistics 2025, da Deepstrike mostraram que o número de relatos de ciberataques realizados com auxílio de IA aumentou 47% globalmente em 2025.
Relatórios recentes de outras consultorias globais e centros de pesquisa em segurança, como Verizon, IBM, Mandiant e CrowdStrike, apontam o avanço consistente de ataques automatizados voltados à exploração de credenciais, movimentação lateral rápida e campanhas de phishing altamente personalizadas – um tipo de ataque que aumentou 1.265% desde o surgimento das ferramentas de IA generativa, em 2022. E pasmem: a taxa de cliques de um e-mail de phishing automatizado por IA chega a 54%, contra apenas 12% em campanhas tradicionais.
Vantagens versus perigos da inteligência artificial
Não há dúvidas que ferramentas de IA generativa estão fornecendo um pacote gigante de benefícios para muitos profissionais e empresas, incluindo mais produtividade, agilidade e precisão em análises e interpretação de informações, suporte à tomada de decisões e melhora na qualidade e criatividade das entregas.
Contudo, ao mesmo tempo, essa mesma inteligência artificial tem sido usada para a automação de scripts e serviços de malware sob demanda – enquanto vem reduzindo o custo operacional dos ataques e aumentando a sua escala, velocidade e precisão. Como consequência direta, os métodos tradicionais de defesa, baseados apenas em controles pontuais e tradicionais, deixaram de responder adequadamente a esses novos padrões de ameaça.
Esse cenário exige que as organizações ajam de forma estratégica e rápida para elevar a sua maturidade cibernética, preparando seus processos e investindo em tecnologias e capacitação de pessoas para operarem de forma eficaz em um ambiente no qual cibercriminosos aplicam automação e inteligência artificial de forma contínua.
Por onde começar
Todo bom trabalho começa com pessoas. Contar com uma equipe especializada em planejamento, defesa e resposta a incidentes – ou com o suporte de uma empresa ou consultoria em segurança cibernética.
A partir disso, é possível traçar uma jornada eficiente de proteção das infraestruturas, elevando a maturidade cibernética da organização e ampliando a capacidade operacional de defesa e resposta a ciberataques.
Além disso, é preciso modernizar processos e soluções de cibersegurança, uma vez que a automação aplicada ao ataque reduz drasticamente o intervalo entre a exploração inicial e o impacto operacional. Ferramentas baseadas em IA conseguem testar grandes volumes de credenciais vazadas, identificar padrões de configuração vulneráveis e adaptar payloads em tempo real.
Isso significa que o tempo disponível para detecção e contenção está cada vez menor. Organizações que dependem exclusivamente de análises e sistemas de proteção tradicionais tendem a responder fora da janela necessária para conter violações desse tipo.
Maturidade técnica, integração de processos e decisões orientadas por inteligência
Os processos e procedimentos de segurança cibernética atuais devem ser desenhados para atender as operações de forma permanente. Um processo eficaz inclui classificação clara de incidentes, critérios de escalonamento e integração entre todas as áreas do negócio.
“Processos bem definidos e adoção de tecnologias modernas e robustas reduzem decisões improvisadas durante incidentes. Em ataques automatizados, essa previsibilidade operacional permite agir dentro do tempo necessário para reduzir os impactos ao negócio, que podem atingir desde o escopo financeiro, regulatório até o reputacional”, reforça Thiago Branquinho, CTO da TI Safe.
Também exigem a implementação de tecnologias e de rotinas de exercícios de simulação, com cenários que envolvam comprometimento de identidade, abuso de APIs, exploração de serviços em nuvem e ataques automatizados a endpoints.
Ferramentas isoladas perdem eficiência diante de ataques que combinam múltiplos vetores de forma coordenada. Nesse sentido, empresas precisam investir em tecnologias, processos e procedimentos que:
– Permitam analisar continuamente o comportamento de usuários, dispositivos e aplicações.
– Fortaleçam a superfície de identidade e de acesso com medidas como arquiteturas Zero Trust, autenticação multifator adaptativa, análise contínua de risco de identidade e princípio de privilégio mínimo aplicado de forma dinâmica
– Sejam capazes de identificar desvios sutis de normalidade, como modelos de machine learning.
– Façam a correlação avançada de eventos em múltiplas camadas (rede, endpoint, identidade e cloud).
– Automatizem respostas no mesmo nível de velocidade dos ataques, complaybooks de resposta automatizada, isolamento automático de ativos comprometidos, revogação dinâmica de credenciais e contenção baseada em risco e contexto.
“É essencial que organizações incorporem inteligência em suas rotinas.Empresas que sabem transformar dados de ameaças e violações em decisões operacionais ganham vantagem real frente a cibercriminosos que lançam ataques baseados em inteligência artificial”, enfatiza Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
Preparação das pessoas precisa ir além
Mesmo com tecnologia avançada, ataques automatizados continuam explorando falhas humanas, uma vez que a engenharia social também é escalável e personalizada por IA.
Campanhas de phishing e outros métodos dentro do portfólio da engenharia social se beneficiam diretamente de modelos de linguagem capazes de gerar mensagens contextuais, com vocabulário alinhado ao setor, à função do colaborador e até a eventos recentes da empresa, aumentando a taxa de sucesso do ataque inicial.
Por isso, a preparação das equipes precisa ir além de treinamentos genéricos de conscientização. Programas eficazes incluem simulações frequentes de phishing e ataques direcionados, análise de resultados por perfil de risco e ajustes contínuos no conteúdo e na frequência de aplicação. A decisão sobre investimento em capacitação deve considerar evidências observáveis, como redução de cliques em campanhas simuladas e/ou o aumento de reportes espontâneos de tentativas suspeitas.
Enquanto isso, equipes técnicas precisam de capacitação avançada, sendo treinadas para interpretar alertas gerados por sistemas baseados em IA, entendendo limitações, falsos positivos e critérios de priorização.
Integração de pessoas, processos e tecnologias é a melhor estratégia
A combinação entre tecnologia inteligente, processos e pessoas preparadas, somada a decisões estruturadas, integram governança, priorização de riscos e alinhamento entre segurança e negócio, aumentando a maturidade cibernética e criando uma camada defensiva difícil de ser explorada por cibercriminosos.
A experiência da TI Safe em projetos de cibersegurança mostra que organizações mais resilientes são aquelas que tratam segurança como capacidade operacional mensurável. Esse modelo permite avaliar continuamente se processos, tecnologias e pessoas estão preparados para enfrentar ameaças que evoluem por meio de automação e inteligência artificial.
Diante de um cenário em que o crime do ambiente digital acontece em escala, velocidade e adaptação constante, a preparação deixa de ser um exercício teórico e passa a ser um requisito crucial para a continuidade do negócio.