A computação quântica é o campo da ciência que permite resolver problemas complexos de forma muito mais rápida do que utilizando computadores tradicionais.
Operações que levariam anos para serem processadas pelas tecnologias da computação atual são solucionadas em segundos ou até microssegundos, incluindo algoritmos que podem quebrar facilmente os padrões da criptografia clássica, comprometendo a segurança digital.
O avanço quântico é uma das principais oportunidades de transformação positiva para áreas como indústria, medicina e finanças, mas também apresenta riscos e preocupações para outras, como a segurança cibernética. E, de acordo com o Relatório de Cronograma de Ameaças Quânticas (Global Risk Institute), a realidade quântica pode surgir mais rápido do que muitos preveem.
Investimentos em computação quântica
Segundo o relatório “Quantum Technology Monitor 2025”, da McKinsey, os anos de 2024 e 2025 marcaram o início da migração da computação quântica para aplicações comerciais, industriais e científicas. A consultoria destaca ainda que, até 2028, os investimentos realizados por governos e empresas na área da computação quântica deverão atingir US$ 4 trilhões.
Esse crescimento deverá ser o resultado da atual corrida global para desenvolver computadores quânticos. O nível de investimento em computação quântica e tecnologias relacionadas está vindo dos mais diversos setores, como finanças, saúde, logística, etc., todos ansiosos por começar a explorar todo o seu potencial.
Em 2024, startups de computação quântica receberam US$ 2 bilhões em aportes, um crescimento de 50% em relação a 2023.
A China tem acumulado grandes investimentos na área, que já ultrapassam US$ 15,3 bilhões. Em estudo publicado neste ano, os chineses teriam usado um computador quântico para realizar, em apenas 200 segundos (pouco mais de 3 minutos), uma operação que um supercomputador clássico levaria 2,5 bilhões de anos para executar.
A IBM revelou, no início de 2025, que irá aportar US$ 150 bilhões, ao longo dos próximos 5 anos, nos Estados Unidos, para o desenvolvimento de computadores quânticos.
O Brasil, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), planeja que os investimentos nacionais em computação quântica cheguem a R$ 5 bilhões até 2034.
As principais ameaças de computadores quânticos à segurança cibernética
O feito da China, assim como outras experiências e estudos já realizados em todo o mundo, mostram que a evolução da computação quântica será benéfica para muitas áreas, mas, ao mesmo tempo, poderá acarretar implicações críticas para outras, como é o caso da segurança cibernética.
À medida que a computação quântica prática evolui, aumenta a necessidade do desenvolvimento de estratégias de transição das atuais defesas para soluções mais robustas, resilientes a ataques quânticos. A prova disso vem de um outro experimento chinês, realizado em 2024, que utilizou um computador quântico para quebrar componentes-chave de um sistema de criptografia avançada usado pelas forças armadas – considerado de última geração.
O fato é que mesmo a criptografia atual mais forte pode não resistir a ataques quânticos. Considerando que a criptografia funcional é a base da maioria das comunicações hoje, incluindo a internet, e com experimentos comprovando a possibilidade de quebrá-la, é urgente o desenvolvimento de soluções criptográficas quânticas seguras, capazes de proteger dados e sistemas críticos.
Os riscos em um futuro próximo são diversos:
- Obsolescência da criptografia assimétrica, uma vez que computadores quânticos podem usar algoritmos para quebrar métodos de criptografia de chave pública, como RSA, ECC e DH.
- Quebra de integridade de dados, considerando a capacidade da computação quântica para falsificar assinaturas digitais, bem como transações e identidades, por meio de ataques quânticos. Ainda, dados criptografados nos padrões atuais poderão ser interceptados, armazenados e descriptografados em um futuro próximo.
- Vulnerabilidade em sistemas de blockchain, como o utilizado pelas criptomoedas, que dependem de algoritmos criptográficos que são vulneráveis a ataques quânticos.
- Enfraquecimento das comunicações seguras, como HTTPS e VPNs, tornando o uso da internet inseguro e levando à perda de privacidade.
- Segurança de dispositivos de IoT, que, atualmente, não é projetada para resistir a ataques quânticos. Redes inteiras poderão estar expostas a violações.
- Segurança de infraestrutura crítica, uma vez que ataques cibernéticos baseados em tecnologia quântica tornam vulneráveis sistemas governamentais, de saúde, financeiros, entre outros, que dependem da criptografia tradicional.
O acesso de hackers e criminosos digitais à tecnologia quântica potencializa a possibilidade do surgimento de ataques cibernéticos altamente sofisticados, com eficácia infinitamente maior do que os praticados atualmente, controlados por medidas convencionais de segurança.
As implicações podem levar a riscos geopolíticos, atingindo escala global. Por isso, a urgência de mitigar a ameaça quântica é iminente. Nos Estados Unidos, o governo já tem alertado as organizações para iniciarem um planejamento de transição para medidas de proteção abarcadas com tecnologia quântica como parte fundamental da estratégia de continuidade de negócios.
Quando a computação quântica chegará em escala comercial
O Google planeja ter uma versão comercial de um computador quântico até 2029, assim como a IBM, que também divulgou estar trabalhando para ter um computador quântico prático até o mesmo ano e uso comercial disseminado antes de 2030.
Assim como as gigantes da tecnologia, organizações de todo o mundo precisam planejar investimentos para assegurar a adoção de mecanismos de defesa robustos contra fraudes e ataques cibernéticos e adaptações em seus protocolos criptográficos de segurança tradicionais, transitando de soluções clássicas para soluções resistentes à computação quântica que se aproxima.
A TI Safe está atenta à evolução da computação quântica e às tecnologias que podem ajudar a garantir a resiliência organizacional e de infraestruturas críticas, protegendo dados, sistemas, operações, bem como a reputação e a credibilidade das empresas no atual cenário digital.