Setor é um dos principais alvos de ações maliciosas no Brasil.
De acordo com a pesquisa ‘Cibersegurança 2025’, da Check Point Software, o setor da educação foi o mais atingido por ataques cibernéticos em 2024, registrando um aumento de 75% nos incidentes em relação ao ano anterior – uma média de 3.574 ataques semanais. Segundo o levantamento, 68% das investidas partem de e-mails, enquanto 32% são entregues pela web, por meio de frameworks maliciosos, como malwares e FakeUpdates.
Ataque ao Ipen
Um dos ciberataques com grande repercussão na área ocorreu em março deste ano, quando hackers se infiltraram nas redes do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em um ataque do tipo ransomware, que bloqueou os arquivos computacionais da instituição usando criptografia. Na ocasião, os criminosos pediram um resgate, a ser pago em bitcoins, para restabelecer o acesso.
Com o objetivo de conter o avanço dos cibercriminosos nos sistemas, a equipe de tecnologia da informação cortou as conexões de internet, telefone e até mesmo de redes internas da instituição. A medida resultou na paralisação das atividades do Ipen, tanto as de pesquisa quanto a de produção de radiofármacos, essenciais ao tratamento de pessoas com câncer, por 10 dias.
A rede acadêmica Ipê, que conecta, no Brasil, aproximadamente 1,8 mil instituições de pesquisa, inovação e ensino superior, registrou mais de 20 mil tentativas de ataques por mês a sistemas vinculados à companhia. A maioria foi bloqueada automaticamente pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que administra a rede.
Ataques aos sistemas da USP
Em março, a Universidade de São Paulo (USP) enfrentou instabilidade em seus sistemas de informação devido a ataques hackers. A ação criminosa afetou estudantes e servidores, deixando inoperante o sistema de matrículas virtuais (Jupiterweb) e a ferramenta Moodle, ambiente virtual de aprendizagem e de apoio às disciplinas da USP.
Segundo declarações de professores e diretores da instituição, a brecha nos sistemas foi ocasionada pela troca de um firewall. “A instabilidade era porque o firewall estava entendendo os nossos acessos como indevidos”, informou o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, ao Jornal do Campus.
No entanto, especialistas em segurança da informação da universidade afirmaram que se tratou de um ataque de DDoS (Distributed Denial of Service ou Negação de Serviço Distribuído), que tem como objetivo sobrecarregar os servidores por meio de um grande volume de acessos simultâneos, tornando os sistemas lentos ou indisponíveis para os verdadeiros usuários.
O ciberataque está sob investigação da Polícia Federal (PF). De acordo com a USP, até o momento, não houve vazamento ou comprometimento de dados sensíveis.
Violações de dados em instituições de ensino
Invasões e tentativas de ataques cibernéticos a sistemas na área da educação são cada vez mais comuns, considerando a ampliação de ofertas e serviços digitais, como portais do aluno e estruturas virtuais para ensino à distância (EaD).
A integração de redes e o aumento da conectividade abrem portas para ataques de hackers, que objetivam, geralmente, o sequestro dos dados armazenados pela instituição, realizar ameaças com motivações político-ideológicas e a utilização das máquinas com alto poder de processamento para a mineração de criptomoedas.
Medidas de prevenção a ataques cibernéticos na área da educação
Com o aumento de violações aos ambientes digitais de instituições de ensino, organizações do setor intensificaram as medidas de cibersegurança, buscando reforçar a proteção contra ações maliciosas cada vez mais sofisticadas. A exemplo disso, a USP, para lidar com os ataques, investe em várias estratégias, desde a construção e aperfeiçoamento de barreiras de conectividade (firewall) até a criptografia de dados sensíveis e a adoção de uma arquitetura de software em quatro camadas.
Garantir a proteção contra ataques cibernéticos em instituições de ensino exige mais do que as tradicionais estratégias defensivas. É fundamental adotar medidas preventivas de forma controlada, como a realização de backups periódicos em servidores externos, testes de atualizações em ambientes isolados antes da aplicação no sistema real, arquiteturas redundantes para assegurar a continuidade mesmo diante de falhas, além do treinamento constante das equipes de cibersegurança e dos colaboradores.
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