Um relatório da Kaspersky mostrou que o Brasil é um dos queridinhos da dark web. Isso porque o nosso país tem muito a oferecer quando o assunto é vazamento de dados.
Só em 2024, foram expostas na dark web as informações de pelo menos 185 empresas, 309 bancos de dados e 37 milhões de contas. Ainda, de acordo com o relatório, havia, no ano passado, cerca de 30 grupos de ransomware operando livremente no país. Eles teriam sido responsáveis por mais de 110 ataques cibernéticos em 2024.
Mas afinal, o que é a dark web?
Você já deve ter ouvido falar na dark web em filmes ou séries. Mas entende o que ela representa? Se você nunca parou para refletir sobre esse universo paralelo da internet, nós vamos explicar.
Primeiramente, é importante saber que dark web e deep web são coisas diferentes. A deep web (ou internet profunda) é um acervo com cerca de 90% de todos os sites e páginas da internet que precisam estar ocultos para o público em geral.
Esses locais contêm informações privadas ou sigilosas e só podem ser acessados por meio de credenciais específicas. Exemplos disso são bancos de dados públicos ou privados, intranets de empresas, arquivos jurídicos, serviços bancários digitais, contas de email, etc. Ou seja, muitos de nós utilizamos a deep web diariamente.
Por sua vez, a dark web é a parte mais profunda da deep web. Os mecanismos de busca, sistemas e programas convencionais não são capazes de indexar as páginas da dark web. Para acessá-las, é preciso utilizar navegadores específicos e redes anônimas especiais. Além disso, para garantir o anonimato dos usuários e dos conteúdos hospedados por lá, a dark web conta com túneis de tráfego virtual e medidas de segurança, como firewalls e criptografia.
Uma vez dentro dela, é possível encontrar atividades e conteúdos legais – como comunicação segura ou denúncias – e ilegais. Negócios dos mais variados tipos também fluem na dark web. Como em um marketplace, informações e produtos são comprados e vendidos: desde dados pessoais, credenciais bancárias, acessos a redes corporativas e sistemas, bases de dados de milhões de pessoas, até drogas e armas.
Há ainda a parte da internet que permite que você esteja lendo esse conteúdo em nosso blog: é a surface web ou web aberta, que corresponde a menos de 10% de tudo o que compõe a internet e se refere a páginas públicas que podem ser acessadas por mecanismos de busca tradicionais.
Brasil precisa aumentar investimentos em cibersegurança
A principal razão para o Brasil ter se tornado um dos países mais visados pelos cibercriminosos da dark web tem relação justamente com o processo de digitalização. Enquanto estamos ficando dia após dia mais conectados com o mundo, a segurança cibernética não tem conseguido acompanhar o mesmo ritmo.
Contudo, o Brasil é reconhecido com uma das referências globais em cibersegurança, ocupando a 18ª posição no Índice Global de Cibersegurança (GCI), organizado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), figurando como país-modelo.
Como é possível um país tão bem colocado em rankings de segurança cibernética também ser um dos mais visados e com maiores índices de ciberataques no mundo?
A escassez de profissionais da área de segurança cibernética é um dos fatores que explicam a vulnerabilidade de nosso país. De acordo com um levantamento da Fortinet, o Brasil enfrenta uma lacuna de aproximadamente 750 mil especialistas na área.
Outro ponto importante, que é um reflexo da boa colocação do Brasil no Índice Global de Cibersegurança, mas que também explica por que nosso país sofre tanto com ataques cibernéticos: apesar das medidas legais, técnicas e acordos de cooperação internacionais serem robustos, há espaço para avanços na infraestrutura de segurança cibernética nas estruturas organizacionais, nos recursos técnicos, bem como na capacitação de conscientização dos usuários.
Adotar soluções tecnológicas avançadas de controle é importante, mas é fundamental planos estratégicos estruturados e de governança, acompanhados de investimentos em cibersegurança que contribuam para aumentar a maturidade cibernética das organizações. De acordo com dados do Relatório de Cibersegurança 2025: Panorama e Insights, da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), a projeção de gastos em cibersegurança no Brasil deve atingir R$104,6 bi entre 2025 e 2028.
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