A meta é transformar o Energy Ciberbecurity Lab (ECL) no principal centro de pesquisa, desenvolvimento e treinamento em tecnologias de segurança cibernética para redes de energia do Brasil.
A TI Safe anunciou o desenvolvimento de uma parceria estratégica com um dos maiores centros de ciência e tecnologia do país, o Lactec, organização privada, sem fins lucrativos e autossustentável. O objetivo é criar o primeiro laboratório do país para avaliações, testes e treinamentos em segurança cibernética para redes industriais com foco no setor elétrico.
O projeto do ECL foi apresentado no desafio de segurança cibernética da Energy Future (chamada de tecnologias para enfrentar desafios de segurança cibernética) e foi selecionado como projeto destaque, atendendo aos objetivos relevantes esperados: Inteligência de Ameaças, Resposta a incidentes, Treinamentos, Padrões de Segurança e Tecnologias de proteção.
Atualmente a TI Safe possui um laboratório que é utilizado para homologações de soluções, testes e simulações para seus clientes. Este laboratório investiga, ainda, comportamentos anômalos, com o uso de ferramentas que permitem reproduzir os problemas. A TI Safe diagnosticou, contudo, a necessidade de ampliar o escopo do laboratório para contribuir com a normatização do setor elétrico. “Por isso, fizemos a parceria com a Lactec, referência em laboratórios. Buscamos atender a todo o mercado, não apenas aos nossos clientes, mas também aos de outras empresas. O objetivo é transformar o ECL no principal núcleo de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia de segurança para o setor elétrico do país”, informa Cláudio Hermeling, gerente de vendas da TI Safe.
Hermeling explica que o laboratório deve entrar em operação em tempo de auxiliar as empresas a se adaptarem às novas normativas do setor elétrico: a Rotina Operacional RO-CB.BR.01, do ONS (Operador Nacional do Sistema).
“A RO-CB.BR.01 estabelece controles mínimos para a área de segurança cibernética das empresas do setor elétrico. O Brasil tem hoje mais de 750 empresas nesse segmento. O novo laboratório exercerá papel fundamental. No local, as empresas poderão fazer homologações de equipamentos e tecnologias, simulações de possíveis ataques e defesas e inclusive funcionará como espaço seguro para backups dos sistemas de automação dos parceiros. Outra importante atuação será a de treinamentos de pessoal para a área de segurança cibernética industrial”, conta Hermeling.
Segundo Rodrigo Riella, doutor em engenharia elétrica e mentor no Lactec, as redes de TO têm características muito específicas, diferentemente das de TI, com protocolos únicos, requisitos diferentes de altíssima disponibilidade e equipamentos dedicados. “O sistema de infraestrutura crítica opera há bastante tempo e tem um grande legado que não é simples de alterar, ao menos dentro das especificações necessárias aos requisitos de segurança. Por isso, a necessidade de criação de um laboratório de segurança cibernética dedicado para que o setor possa testar”, avalia Riella.
Benchmarking
Para o desenvolvimento do projeto, a TI Safe e o Lactec buscaram referências internacionais como o Israel Electric Corporation. Como não é possível fazer ensaios numa rede de TO, uma vez que a realização de testes implica em indisponibilidade real, o laboratório da Israel Electric criou um ambiente virtualizado. Utilizam-se os conceitos de Hardware-in-the-loop, com um interfaceamento direto da simulação com os hardwares reais, quando eles estão disponíveis, e Digital Twins, com a simulação e emulação de equipamentos indisponíveis na planta para ensaio. Com essa infraestrutura, são feitos testes, avaliações da maturidade do sistema e das ações necessárias na planta e ações de treinamento, tanto das equipes de TI e TO, que estão envolvidas diretamente, quanto das equipes de atendimento de incidentes.
Outra base referencial para criação do laboratório brasileiro é o Cyber Range montado pela EDP em Portugal e que é muito similar ao laboratório de Israel. “Eles têm uma planta térmica, com um centro local, e montaram uma central de controle complementar, além de todos os ambientes de geração elétrica e de uma subestação”, detalha Hermeling.
Por meio de painéis, CLP e Switches, que geralmente são comuns na automação, são realizados testes de ataque, simulações e treinamentos. “Os treinamentos são divididos em básico para que todos os funcionários da planta possam conhecer os sistemas de automação, intermediário para que todas as equipes operacionais se aprofundem em sistema e riscos, avançado para as equipes técnicas que trabalham em simulações de ataque e defesa, além de um treinamento específico para o corpo diretivo”, detalha Hermeling.