Confiança zero. Esse foi o princípio compartilhado por Mark Porter, arquiteto de soluções de sistemas da segurança na TXOne Networks, durante a palestra ministrada na 5ª edição da CLASS – Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA. Segundo o especialista, essa recomendação se estende para o ambiente físico e envolve, além dos sistemas, terceiros que chegam para prestar serviços, por exemplo, e que eventualmente precisem se conectar à rede da empresa ou trazer seus próprios dispositivos. “Zero confiança significa que você deve considerar tudo e todos culpados até que se prove o contrário”, disse.
Isso envolve, inclusive, a prática de escaneamento ou checagem de quaisquer equipamentos que entrem na companhia, seja lá qual for a forma. “Até mesmo equipamentos novos, que vieram direto de suas fábricas, podem carregar vírus invasores. Isso já aconteceu antes e pode acontecer de novo”.
O profissional recomendou a criação de políticas que orientem esse trabalho de checagem e defende que, mesmo que essa prática gere trabalho extra para a empresa e os colaboradores, ela “vale a pena”.
Outra recomendação é a criação de uma lista de tudo o que pode ser executado nos sistemas operacionais. “O que não estiver listado como algo conhecido e que, portanto, pode passar pelos sistemas da corporação, não deve ser aceito e pronto, sem exceções”.
Os quatro pilares da ‘Confiança Zero’ segundo Porter
- Inspecionar: checagem de todos os dispositivos que adentrarem a empresa. “Escaneie tudo!”, enfatizou o executivo. Essa etapa demanda um sistema de escaneamento que, preferencialmente, possa verificar as unidades do sistema sem exigir instalação. Quanto mais veloz for esse processo, melhor. E, também, deve coletar dados para fins de auditoria. “Lembre-se de implementar uma política restrita para impor essa prática”.
- Bloquear: Criação da lista de confiança, especificando o que é permitido rodas nos sistemas e equipamentos da companhia. “Todo o resto precisa ser bloqueado”. Só os comandos listados podem ser executados, só dispositivos USB podem ser permitidos. Ainda, Porter recomenda que o impacto sobre a performance da planta seja o menor possível, especialmente quando se tratar de sistemas legados. Há no mercado softwares apropriados para essas tarefas de bloqueio.
- Segmentar: A segmentação de rede agrupa ativos em zonas seguras amigáveis às operações. Ela impede que os ataques caminhem adiante e que malwares se espalhem. A ideia é dividir uma rede plana em segmentos seguros para contenção de vírus e malwares e proteção das vulnerabilidades dos dispositivos.
- Reforçar: Construa um processo de verificação da saúde dos sistemas e mantenha esse processo simplificado. Os operadores não precisam de um conhecimento profundo de segurança para performar bem. Ainda, é importante coletar informações (fabricante, sistema operacional, versão, CPU, memória, etc). Para blindar ativos, tenha a certeza de que os IPS e Firewalls do equipamento estejam atualizados.
Um estudo global divulgado pela Cisco em abril de 2024 apontou que apenas 5% das empresas brasileiras são consideradas maduras contra os ataques cibernéticos. Apesar de pequeno, o percentual do Brasil é maior se comparado com o mercado mexicano, que tem 2% de maturidade, e a média mundial de 3%.
Para garantir a integridade dos sistemas operacionais é essencial que a organização conte com governança, planejamento e processos bem estruturados, considerando que os incidentes de segurança cibernética podem impactar a imagem, a reputação da empresa e até a continuidade dos negócios.
