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Júlio Oliveira, gerente de tecnologia de Grid Automation da Hitachi Energy, fala sobre segurança e transformação digital

Executivo será palestrante na próxima edição da CLASS em junho próximo

A 4ª Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA (CLASS), que acontecerá entre 28 e 30 de junho em Curitiba, Paraná, promovida pela TI Safe, traz como tema central a transformação digital e os impactos na segurança cibernética na automação industrial. As palestras contarão com importantes nomes do cenário mundial e nacional e tratarão dos desafios da indústria 4.0, das estratégias de segurança cibernética baseadas em computação cognitiva, inteligência artificial, gestão de riscos, políticas e procedimentos, segurança de dados, Governança e Compliance, entre outros assuntos relacionados à segurança cibernética industrial.

A conferência reunirá especialistas e pesquisadores do setor, além dos principais players de automação industrial, empresas de geração, transmissão e distribuição elétrica, saneamento e gás, além de representantes do governo.

Júlio Oliveira, gerente de tecnologia de Grid Automation da Hitachi Energy, um dos palestrantes da Conferência, conversou com o TI Safe News sobre as expectativas para o evento e adiantou um pouco sobre o que vai apresentar na CLASS. Confira a entrevista a seguir:

 

TI Safe News: Depois de dois anos aguardando pela realização presencial da CLASS, quais são as suas expectativas em relação ao evento?

Júlio Oliveira: Em primeiro lugar, é muito importante a retomada dos eventos presencias para ampliação do networking. No caso da CLASS especificamente avalio como uma grande oportunidade de vislumbramos soluções para o mundo de Utilities. São filosofias já maduras na área de TI, mas que precisamos verificar se são aplicáveis na realidade das empresas de missões críticas que seguem dinâmicas completamente próprias. Acredito que o ambiente da CLASS vai favorecer muito a troca com clientes e fornecedores para pensarmos juntos nas melhores soluções para as aplicações desse nosso universo específico.

TI Safe News – E você poder dar um spoiler do que vai apresentar na CLASS para os nossos leitores?

Júlio Oliveira Vamos falar sobre como o sistema de defesa em profundidade (Defense Deep) é aplicado em subestações de energia elétrica. É um conceito em que são colocadas várias barreiras com tecnologias combinadas para proteger o perímetro de uma arquitetura de comunicação de um sistema de automação de uma subestação. Os sistemas de energia estão se tornando cada vez mais interconectados e quando se agrega cada vez mais serviços e inteligência, naturalmente aumenta a suscetibilidade para possíveis acessos externos, tornando, dessa forma, as subestações em alvos potenciais.

TI Safe – Em sua avaliação qual a importância da segurança cibernética para o setor de energia elétrica?

Júlio Oliveira Temos ouvido bastante o termo indústria 4.0 e está permeado em todos os setores, do alimentício ao automobilístico, passando pela saúde, siderurgia, tudo mesmo. E não seria diferente no setor energia elétrica. Tanto é que foi cunhado o termo Grid 4.0.  A partir do momento que estamos trazendo tecnologias de indústria 4.0 para dentro da área de energia elétrica, atribuindo inteligência e sofisticação aos sistemas faz cada vez mais sentido proteger o que acontece dentro dessas redes de comunicação. Lembrando que os sistemas de energia elétrica são de missões críticas, ou seja, as informações que passam por essas redes vão prover o que é essencial para que as subestações sejam controladas e monitoradas. Portanto, a segurança cibernética é crucial.

TI Safe News – A Hitachi Energy promove a transformação digital para acelerar a transição energética rumo ao carbono neutro. Sabemos que quanto maior for o ambiente digital aumenta, também, a chance de invasão tanto nas redes de TI como nas de TA. De que forma vocês atuam para prevenir esses riscos?

Júlio Oliveira – Todo produto hoje que aplicamos para uma arquitetura de comunicação em automação é provido de guidelines que ao se conectarem fazem uma espécie de varredura nos equipamentos em que estão se conectando. O objetivo é torná-los mais seguros. Além disso, dentro da nossa solução são aplicadas recomendações que definem de que forma podemos proteger, também, todo o perímetro da arquitetura de onde todos esses equipamentos estarão conectados. Por fim, há ainda, recomendações de governança sobre como os desenvolvedores devem cuidar das senhas, como os processos devem ser documentados, como deve ser a rastreabilidade. Ou seja, a preocupação começa no nível do produto, vai para a solução integrada e alcança a governança daquilo que vai ser armazenado e, também, entregue para o cliente.

 

TI Safe News – Qual a importância do monitoramento remoto das redes, como a Hitachi Energy realiza?

Júlio Oliveira – Nesse âmbito temos alguns cuidados especiais. Em primeiro lugar, quando se fala em monitoramento a impressão é que é preciso ter visibilidade de tudo o que está acontecendo na rede. Não é necessariamente isto. É preciso ser visto aquilo que é importante. Deve existir, portanto, um trabalho prévio de seleção daquilo que é relevante como, por exemplo, quais são os indicadores prioritários de performance ou se existe algum problema de degradação em uma determinada área da arquitetura ou se há suspeita de ataque. São mecanismos que possibilitam fazer a supervisão da rede de OIT local na subestação. Também temos recursos para fazer esse monitoramento remoto utilizando VPNs, criptografia (até mesmo em nível de hardware não apenas software). Esse monitoramento seja in loco ou remoto é importante para saber o que está acontecendo na subestação, ter alertas para poder responder possíveis incidentes e evitar uma indisponibilidade de um serviço que está sendo prestado por aquele sistema.

 

TI Safe News – E como a Hitachi Energy trata a questão da segurança cibernética internamente e para os seus clientes?

Júlio Oliveira Não adianta ter uma série de recursos tecnológicos, guidelines, documentações, se não existir governança dentro da própria companhia. Pelo lado da TI, há uma preocupação grande com a ISO 27000 e no contexto da área de automação, recentemente, na nossa unidade de negócios na Suíça foi certificada a norma ICMA 29443 que envolve aspectos tecnológicos e de governança. E aqui no Brasil, também, já avançamos em busca dessa certificação local. E o que está envolvido é justamente a criação dessa consciência situacional da importância da segurança da informação no que fazemos no dia a dia, como desenvolvemos as aplicações ou até mesmo nas relações técnicas com os clientes.    

 

TI Safe News – Recentemente, a Hitachi Energy anunciou a assinatura de um acordo de cooperação para formação de profissionais de segurança cibernética com o Senai. Como funciona essa parceria?

Júlio Oliveira – Essa já é uma prática bastante comum na nossa empresa na Europa e nos EUA e agora estamos trazendo para o Brasil. Eu estive diretamente envolvido na elaboração e criação da parceria. A ideia é montar uma sala da Hitachi Energy dentro da escola do Senai em Pirituba, com uma subestação digital e um ambiente todo simulado. Vamos ter equipamentos físicos para integrar a simulação. Nesse contexto, além de explorar a tecnologia do Grid 4.0 está contemplado o tema da segurança cibernética. Essa operação está prevista para começar de 2023. A ideia é formar profissionais para o mercado e até para a nossa companhia e, também, treinar os nossos clientes no contexto holístico do Grid de 4.0 para automação.

 

TI Safe News – De que forma, a Hitachi Energy aprimora o sistema de energia mundial para ser mais sustentável, flexível e seguro?

Júlio Oliveira – Temos um portfólio bem grande para atingir o objetivo da sustentabilidade aliada com a flexibilidade e segurança. Desde a subestação, do equipamento primário que está no pátio, do disjuntor, do seccionador, do transformador, agregando capas tecnológicas com sistemas de proteção, automação e controle; com o sistema SCADA, que controla e monitora a subestação, até chegar no nível mais alto, que chamamos de camada Enterprise, temos soluções para poder gerenciar grids que são de cidades, de estados ou países. Ou seja, é uma solução end-to-end do pátio até a camada Enterprise para grandes sistemas interconectados. Dentro da nossa unidade de negócios, temos uma linha focada em energia renovável. São equipamentos e sistemas atrelados a este tipo de aplicação para fazer automação e controles dentro de plantas solares e eólicas, além de monitoramento desse tipo de ativo. E o Brasil é território potencial de crescimento para energia limpa.

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