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Entrevista com Tânia Marques, consultora independente e especialista em Saneamento

Da água à energia: desafios e soluções em cibersegurança para cidades inteligentes.

No dia 30 de junho, a partir das 16h30, a consultora independente Tânia Marques, especialista em sistemas SCADA e Telemetria, que atuou por 30 anos na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), apresenta – em parceria com Júlio Omori, superintendente de Smart Grid e Projetos Especiais da COPEL –  os desafios e soluções para a segurança cibernética do fornecimento de águas e energia elétrica em cidades inteligentes. O TI Safe News conversou com a consultora sobre smart water e os principais riscos na adoção de novas tecnologias no setor. Confira a entrevista:

TI Safe News – Qual é sua atuação na área de tecnologia e em específico em saneamento?

Tânia Marques – Projetei sistemas de RF e trabalhei com redes WAN e LANs na área de TI da Sanepar por 10 anos. Posteriormente, quando foi iniciada a implantação de sistemas de automação na distribuição, fui designada para área Operacional da Companhia. Considerei a mudança uma verdadeira revolução profissional, uma vez que existem diferenças grandes entre TI e Automação, inclusive culturais, de governança e de qualificação. Essa área me propiciou trabalhar, aprender e aplicar tecnologia intensivamente por 21 anos.

Nunca deixei, de fato, de trabalhar com telecomunicações, precisei combinar os conhecimentos das duas áreas naquilo que hoje se denomina de TO. Aprendi muito nos sistemas de automação da Distribuição e CCOs da Sanepar. O que deu certo e o que não deu tecnicamente, as vulnerabilidades, as questões humanas que surgem no trabalho com automação e que são desafiadoras, os processos produtivos no saneamento e a legislação. Várias vezes liderei processos de mudança de governança da automação, trabalhando com desenvolvimento de competências, propondo atribuições, planos diretores de automação, telemetria e smart metering. Acompanhei a evolução da automação na empresa, os bons resultados, mas também as dificuldades vividas por operadores, técnicos e engenheiros de Automação.

TI Safe News – O que são as Smart Water dentro do conceito de cidades digitais?

Tânia Marques – Smart Water é um conceito em construção e existe mais de uma visão sobre o que contempla essas redes. Alguns entendem que seja a integração do smart metering (micromedição inteligente) do saneamento às smart grids de energia. Eu faço parte daqueles que entendem Smart Water de uma forma mais ampla, sendo redes inteligentes das empresas de saneamento, com as mesmas partes constituintes de uma smart grid de energia, só que abrangendo desde as captações, ETAs, sistemas de distribuição de água, ETEs, macro e micromedição no cliente final, integradas por tecnologias de automação, instrumentação, telecomunicações e TI, em um fluxo bidirecional de dados e informações, que alimenta um centro geral de gerenciamento de toda a infraestrutura, de forma que as informações de produção, distribuição e consumo possibilitem o acompanhamento em tempo real e a retroalimentação de tudo que acontece no processo produtivo da empresa, de ponta a ponta.

Quando se pensa numa cidade inteligente, imediatamente se imagina uma cidade altamente conectada, em todos os seus processos. É neste contexto que as Smart Water se inserem nas cidades digitais, como parte do processo de transformação digital que integra o saneamento e o meio ambiente na infraestrutura digital da cidade.

TI Safe News – Quais são os principais desafios para os segmentos de missão crítica, como o saneamento, em relação à segurança cibernética?

Tânia Marques – O principal desafio do setor de saneamento em relação à segurança cibernética é o fato de ainda não existir um modelo maduro de construção de smart water, diferentemente do setor de energia, cujas smart grids tem caminhos de construção padronizados, amplamente discutidos e muitas implantações já feitas. Digo que este é o principal desafio porque se não existe um modelo de construção de infraestrutura de rede inteligente no saneamento, se torna mais difícil projetar e construir a segurança cibernética by design, que é a melhor forma de reduzir as vulnerabilidades construtivas. Esse desafio de construção de modelos padronizados de smart water não acontece apenas no Brasil, é um desafio no qual as principais entidades do setor de saneamento no mundo estão trabalhando.

TI Safe News O que o marco legal do saneamento (lei 14.026/2020) representou em termos de desenvolvimento tecnológico/ digitalização do setor?

Tânia Marques – Em minha visão, as repercussões em desenvolvimento tecnológico/digitalização do setor, devido ao novo marco legal do saneamento, serão sentidas mais fortemente na medida em que os recursos de investimento forem sendo aplicados. O novo marco regulatório com certeza traz profundas mudanças que se refletem, em especial, na necessidade das empresas públicas atuarem numa relação mais direta com a iniciativa privada, seja através de Parcerias Público Privada (PPPs) ou de concorrências, além do fato de que todos os prestadores de serviço, sejam públicos ou privados, precisarem atender a diretrizes e indicadores de alto nível, definidos e regulados pela Agência Nacional da Água (ANA) e agências reguladoras. Nesse contexto, a digitalização das empresas do setor passa a ter papel fundamental como base para alcançar maior eficiência nos processos produtivos no saneamento, facilitando o atendimento a este novo cenário concorrencial, de parcerias e regulatório.

TI Safe News – A ampliação do ambiente digital, tanto nas redes de TI como nas de TO, é vetor para o crescimento das tentativas de invasão. De que forma é possível prevenir esses riscos?

Tânia Marques – A melhor forma de prevenir esses riscos é projetar e implantar as redes de TI e de TO com a segurança cibernética já pensada desde os projetos (security by design). No caso das redes já existentes, não projetadas dessa forma, é preciso iniciar e estruturar urgentemente um plano de implantação, monitoramento e ações contínuas de segurança cibernética, alocando os recursos anuais necessários.

Ataques cibernéticos em empresas de serviços públicos de águas e saneamento podem comprometer a capacidade das concessionárias de fornecer água limpa e segura para clientes.

TI Safe News – O que você espera sobre a sua participação na CLASS 2022?

Tânia Marques – Como palestrante, espero contribuir para a conscientização da necessidade da cibersegurança ser projetada e construída by design no saneamento. Também espero aprender muito com as demais palestras e poder usar o aprendizado para orientar caminhos de projeto de infraestrutura com cibersegurança para profissionais e empresas do setor de saneamento.

 

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