Quais são os fatores que conferem segurança a uma senha? Quantidade de caracteres? Combinação de números, letras e símbolos? Trocas frequentes? Sim, todos esses são fatores importantes, mas, segundo uma pesquisa do portal Cybernews, muitas dessas práticas básicas de segurança ainda não são adotadas pela maioria dos usuários. A falta de atenção a essas recomendações compromete a proteção das senhas e aumenta o risco de invasões.
O levantamento, baseado em uma análise de 19 bilhões de credenciais vazadas entre 2024 e 2025, mostrou que 94% das senhas são reutilizadas ou duplicadas, enquanto padrões frágeis como “123456” continuam entre os mais usados. O estudo contou com ferramentas de automação, scripts personalizados e inteligência de ameaças cibernéticas para identificar os padrões mais comuns, mostrando que a maioria dos códigos criados tem entre 8 e 10 caracteres e utiliza somente letras minúsculas e números.
Como as senhas podem ser violadas?
A criação de credenciais mais complexas, embora contribua para uma maior proteção contra acessos indevidos, não garante a inviolabilidade dos dados. Isso porque hackers utilizam diversos tipos de ataques para ‘quebrar’ senhas, entre eles:
- Força bruta: quando os invasores tentam todas as combinações possíveis até descobrir a senha.
- Phishing: ataque baseado em engenharia social, que utiliza comunicações falsas por e-mail, WhatsApp ou sites com links fraudulentos.
- Spyware: tipo de malware (software espião) instalado nos dispositivos – geralmente sem o conhecimento dos usuários – com o objetivo de monitorar atividades e coletar informações.
- Vazamento de dados: ocorre quando hackers invadem sistemas corporativos e conseguem acessar e roubar as senhas armazenadas.
Principais casos de violações no Brasil
O vazamento de dados em ambientes corporativos pode acarretar diversos prejuízos, desde financeiros – como multas, perdas de contratos – até danos à reputação e à confiança dos clientes, além de possibilitar o acesso a sistemas operacionais, interferindo no funcionamento do negócio. Confira alguns dos principais incidentes ocorridos no Brasil:
- Netshoes
Devido a uma invasão à base de dados da empresa, em 2017, a Netshoes sofreu uma violação que expôs informações sensíveis de mais de 2 milhões de clientes, tais como e-mails, nomes completos, endereços e senhas criptografadas.
- Serasa Experian
Em 2021, o Serasa Experian protagonizou um dos maiores escândalos de privacidade no Brasil. Com o vazamento dos dados do sistema, informações de 223 milhões de brasileiros foram expostas e vendidas ilegalmente na internet, incluindo nomes, CPFs e possíveis senhas vinculadas aos cadastros.
- Estante Virtual
Senhas de aproximadamente 5 milhões de contas de usuários do marketplace Estande Virtual foram colocadas à venda em fóruns da Dark Web, devido a um vazamento de dados ocorrido em 2020. As credenciais estavam protegidas por um método de criptografia considerado fraco, fator que aumentou o risco.
Segundo um estudo divulgado pela Cybernews, a predominância de senhas simples e recicladas continua sendo uma das principais portas de entrada para ataques cibernéticos, movimentação lateral e até para a instalação de ransomware. No entanto, a pesquisa mostra um pequeno avanço na complexidade das senhas criadas no último ano: 19% agora incluem letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos, contra apenas 1% em 2022.
Proteção contra acessos não autorizados
Para reforçar a segurança de senhas e outros meios de autenticação utilizados, especialmente em ambientes corporativos, é fundamental a adoção de políticas rigorosas de cibersegurança, tais como auditorias regulares, monitoramento de vazamentos e revisão de controles de acesso. A criptografia também é uma tecnologia essencial para evitar a ‘quebra’ das credenciais: quando uma senha é criptografada, o código não pode ser lido diretamente por quem tiver acesso ao banco de dados.
Além das senhas…
A autenticação multifator (MFA) é uma das estratégias mais eficazes para prevenir que usuários não autorizados acessem os sistemas, mesmo que a senha tenha sido comprometida. O método é utilizado para validar a identidade dos usuários por meio de biometria, perguntas estratégicas ou dispositivos confiáveis. Essa camada extra de proteção eleva exponencialmente a dificuldade durante uma tentativa de invasão, praticamente dobrando o nível de segurança.
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