Imagine que você acabou de descobrir uma falha grave no sistema de segurança da sua casa e inicia uma jornada para corrigir o problema junto a seus fornecedores. Mas, antes mesmo que você tenha a chance de solucionar o problema, um criminoso aproveita essa brecha e invade sua casa, causando-lhe um enorme prejuízo. Assim acontecem os ataques zero-day.
Também conhecidos como explorações ou vulnerabilidades de dia zero, os ataques zero-day são aqueles que atuam explorando falhas de segurança recém ou ainda não descobertas pelos desenvolvedores dos softwares. Antes mesmo que o fornecedor identifique ou tenha a chance de corrigir o problema, hackers usam essa vulnerabilidade para danificar sistemas ou roubar dados.
Uma recente pesquisa do Google revelou que em 2024 foram identificados 75 ataques de zero-day. O número é menor do que o identificado em 2023 (98), mas maior do que em 2022 (63 incidentes), o que indica uma tendência de alta desse tipo de violação. O relatório mostrou ainda que a maioria dos alvos foram plataformas e produtos de consumo e que pelo menos 30% das explorações foram conduzidas por hackers ligados a governos.
Como funcionam os ataques de zero-day
As explorações de dia zero têm esse nome porque o fornecedor do software, aplicativo, navegador, hardware, etc. tem zero dias para corrigir a falha. Agilidade nesse tipo de ataque cibernético é fundamental, uma vez que qualquer minuto a mais pode significar que agentes maliciosos já descobriram a vulnerabilidade e estão usando-a a seu favor.
Faz parte do trabalho dos desenvolvedores e fornecedores de sistemas e dispositivos buscarem constantemente possíveis brechas em seus projetos. Essa tarefa permite que seja desenvolvida uma solução ou atualização para corrigir a falha o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, uma falha pode demorar dias, meses ou até anos para ser descoberta.
Porém, algumas vezes, cibercriminosos descobrem essa falha antes do fornecedor e implementam um código de exploração para tirar proveito da vulnerabilidade.
Quando isso ocorre, além das chances de êxito serem muito maiores em prol dos hackers, os efeitos podem ser diversos: de roubo de informações, dados e identidade até danos a sistemas e equipamentos.
De acordo com a IBM, por meio do relatório X-Force Threat Intelligence – que registra vulnerabilidades de dia zero desde 1988 – esse tipo de ataque não é muito comum e representa apenas 3% de todas as vulnerabilidades de segurança registradas.
Entretanto, o zero-day é potencialmente perigoso justamente por estar nas mãos de criminosos antes que pesquisadores de segurança possam identificá-lo. Quando esse tipo de ataque acontece, um grande número de usuários ou organizações inteiras ficam expostos a crimes cibernéticos até que especialistas da área identifiquem o problema e forneçam uma solução.
Zero-days ao longo da história
Um worm, conhecido como Stuxnet, foi usado em uma série de ataques a instalações nucleares no Irã, em 2010. O worm infectou PLCs, fazendo com que os controladores enviassem comandos inesperados às centrífugas usadas para enriquecer urânio. No total, o Stuxnet danificou 1.000 centrífugas antes que a vulnerabilidade pudesse ser resolvida.
Um ataque de dia zero também foi responsável por derrubar a rede Sony e divulgar dados confidenciais sobre os próximos filmes, planos de negócios da empresa e informações pessoais de executivos em sites de compartilhamento de arquivos. A violação aconteceu em 2014.
Em 2022, hackers norte-coreanos exploraram uma vulnerabilidade de execução remota em navegadores Google Chrome. E-mails de phishing foram usados para direcionar as vítimas a sites falsos, que exploravam a falha no Chrome para instalar spyware e malware de acesso remoto nas máquinas. As falhas foram rapidamente corrigidas, mas a quantidade de dados roubados nunca foi divulgada oficialmente.
Quando um ataque zero-day se torna conhecido, profissionais de segurança e hackers iniciam uma corrida pela correção da vulnerabilidade. Patches são lançadas para limitar a ação do agente malicioso até que uma solução definitiva seja desenvolvida.
Por outro, quando hackers têm acesso ao erro previamente aos fornecedores, tentam explorar a falha. Embora normalmente não consigam fazer isso por muito tempo, os ataques de dia zero têm altas taxas de sucesso justamente pelo efeito surpresa: o hacker descobre a vulnerabilidade, escreve e implanta um código de exploração enquanto a vulnerabilidade ainda está aberta.
Prevenção contra explorações de zero-day
Embora seja difícil evitar os efeitos de um ataque de dia zero quando ele acontece, é possível adotar medidas que previnam ou reduzam as chances deles acontecerem.
Realizar a verificação de vulnerabilidades, revisar os códigos em busca de erros, gerenciar patches de correção, adotar programas de iniciativas de dia zero, garantir que os sistemas estejam atualizados e utilizar firewalls de próxima geração são algumas formas de manter as redes corporativas mais seguras.
Contudo, é fundamental contar com profissionais de segurança cibernética especializados para garantir uma vigilância efetiva contra ataques de zero-day, além de outras ameaças digitais. A TI Safe conta com um time preparado para atuar frente aos desafios da cibersegurança. Clique aqui, fale com a nossa equipe e saiba mais.