Modalidade se consolida como uma das principais ameaças digitais no Brasil
Segundo o relatório Panorama de Ameaças Cibernéticas de 2025, divulgado no mês de setembro, pela Kaspersky, foram bloqueados, no Brasil, cerca de 553 milhões de ataques por phishing nos últimos 12 meses, o que representa uma média de 1,5 milhão de ataques por dia.
Na América Latina, os parâmetros são ainda mais alarmantes. De acordo com o levantamento, foram mais de 1,29 bilhão de ataques bloqueados entre julho de 2024 e julho de 2025, um aumento de 85% em relação ao período anterior.
Impulsionando essa crescente, está a inteligência artificial, capaz de tornar a investida de cibercriminosos mais sofisticada e difícil de detectar, uma vez que automatiza ataques desse tipo, amplia a capacidade de exploração de vulnerabilidades e torna as fraudes de engenharia social mais convincentes.
Phishing convencional e phishing impulsionado por IA
Para a melhor compreensão das diferenças entre um ataque de phishing convencional e um ataque impulsionado por IA, é importante considerar a capacidade da linguagem e dos algoritmos de IA de aprender padrões, adaptar abordagens e personalizar mensagens com base em grandes volumes de dados. Esse aprendizado permite criar comunicações muito mais fidedignas, contextuais e difíceis de distinguir de interações legítimas, ampliando significativamente o potencial de impacto e a taxa de sucesso dos golpes.
O resultado é um modelo muito mais avançado do que os ataques de phishing comuns e popularmente conhecidos, nos quais cibercriminosos enviam links maliciosos às potenciais vítimas, por e-mail, redes sociais, SMS ou aplicativos de mensagem, para roubar dados sensíveis.
Com os recursos de inteligência artificial, até mesmo cibercriminosos menos experientes conseguem coordenar ataques hiperpersonalizados. Isso porque, além de automatizar etapas críticas, a IA se integra a plataformas de phishing-as-a-Service (PhaaS), um modelo de “negócio” que oferece ferramentas, templates e toda a infraestrutura necessária para lançar campanhas em larga escala. Dessa forma, as barreiras técnicas diminuem e a prática do crime se torna mais acessível e eficiente.
Um dos principais vetores para ransomwares e outros malwares
É importante ressaltar que os ataques de phishing, além de comprometerem dados sensíveis de usuários e organizações, são também a porta de entrada para diversas famílias de ransomwares e outros malwares avançados. Ao obter credenciais legítimas ou executar arquivos maliciosos, os atacantes conseguem se infiltrar silenciosamente nos sistemas, movendo-se lateralmente pela rede e escalando privilégios sem serem detectados.
Dessa forma, os criminosos podem instalar backdoors, sequestrar informações críticas, criptografar servidores inteiros e até paralisar operações industriais. Esse tipo de ataque costuma ter impacto operacional significativo, podendo interromper processos, gerar perdas financeiras e violar a integridade e a disponibilidade de ambientes de TO e TI.
Marcas mais exploradas em ataques de phishing
Considerando a credibilidade como um dos fatores de maior peso para o sucesso de ataques de phishing, é comum a exploração de marcas referências de mercado por cibercriminosos que objetivam aplicar golpes em clientes e usuários.
De acordo com um estudo realizado pela Check Point Research (CPR), a Microsoft é a marca mais utilizada em ataques de personificação de marca, representando 40% de todas as tentativas de golpe no mundo durante o terceiro trimestre de 2025. Em segundo e terceiro lugar entre os players mais adotados por cibercriminosos para a aplicação de golpes estão, respectivamente, o Google (9%) e a Apple (6%), seguidos por Spotify (4%) e Amazon (3%).
As empresas alvejadas por hackers mal-intencionados estão entre as marcas que os usuários mais confiam. Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, ressalta a tendência de hiperpersonalização de ataques de phishing, intensificada pela inteligência artificial, como uma das principais ameaças cibernéticas para companhias e infraestruturas críticas: “O treinamento de colaboradores e de usuários, assim como o reforço de políticas e controles de segurança, que devem contar com IA integrada, é fundamental para reduzir a superfície de ataque das estruturas e mitigar riscos gerados por esses tipos de campanhas, que estão cada vez mais convincentes”.
Como as organizações devem se proteger de ataques de phishing impulsionados por IA?
As estratégias defensivas contra ataques de phishing impulsionados por IA devem contar com diferentes abordagens, que passam por tecnologias avançadas, como o uso de gateways de e-mail, que empregam IA e aprendizado de máquina para detectar anomalias, autenticação de domínio e implementação de MFA. Também incluem educação sobre IA, com treinamentos contínuos de colaboradores e simulações de phishing, reproduzindo de forma realista as táticas utilizadas.
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