Os profissionais que atuam na área de cibersegurança conhecem bem os perigos dos malwares – roubo de dados sensíveis, como senhas e informações bancárias, perda de arquivos importantes e grandes prejuízos financeiros.
No entanto, o grande desafio dos especialistas no segmento para proteger os sistemas digitais são as constantes mutações e atualizações de malwares desenvolvidos, enviados para distintas regiões do mundo.
Segundo o relatório “Panorama de Ameaças” produzido pela Kaspersky, o Brasil registrou mais de 725 milhões de ataques de malwares entre junho de 2023 e julho de 2024, um número que representa 63% de todas as detecções na América Latina. Ainda, de acordo com os dados da empresa, uma média de 411 mil novos arquivos maliciosos são descobertos todos os dias.
Principais tipos de malware detectados no Brasil
Confira abaixo os principais malwares atuantes no Brasil e os estragos que podem causar em sistemas digitais.
- Trojans bancários
Segundo um levantamento realizado pela plataforma Avast, os trojans bancários ou cavalos de troia, como são conhecidos popularmente, correspondem a 26,86% das ameaças direcionadas a dispositivos Windows e macOS. Em desktops, esse tipo de ataque é considerado um dos mais comuns do país.
Os trojans bancários são programas maliciosos destinados a roubar informações financeiras. Eles se infiltram nos dispositivos das vítimas e agem de forma sorrateira, geralmente se espalhando por e-mail, sites de compartilhamento de arquivos ou softwares ilegais.
- Adwares
Os adwares também encabeçam o ranking dos malwares em evidência no Brasil. Os ataques focam na exibição de anúncios, páginas e diversos pop-ups indesejáveis em computadores e dispositivos móveis, com o intuito de coletar informações sensíveis sobre os usuários, que podem ser vendidas a terceiros. Adwares também podem causar lentidão e travamento nos sistemas.
- Ransomware
De acordo com um levantamento encomendado pela Sophos, 44% das organizações brasileiras foram atingidas por ransomware no último ano. A pesquisa destaca que os ataques, de modo generalizado, exploraram vulnerabilidades dos sistemas e comprometeram credenciais.
Em 95% dos ataques brasileiros de ransomware, os criminosos cibernéticos tentaram comprometer os backups da organização, um pouco acima da média global, de 94%.
Os ransomwares bloqueiam os acessos aos arquivos dos dispositivos e os criminosos exigem pagamento, normalmente em criptomoedas, para liberá-los e restabelecer a operação.
O ataque geralmente se infiltra nos sistemas por meio de phishing – links maliciosos enviados por e-mails e mensagens, vulnerabilidades de softwares, dispositivos USBs ou mídias infectadas, arquivos compartilhados em redes operativas/corporativas, entre outros vetores.
- Botnets
Os botnets são redes de dispositivos maliciosos utilizados para disseminar malware e facilitar ataques DDoS e de spam. Geralmente carregam arquivos de RATs, como Njrat, DarkComet e Nanocore – que estão entre os RATs mais difundidos. Os tipos de ataques com a participação desses arquivos, conduzidos por bots e botnets, têm maior poder de adaptação e distribuição em regiões e segmentos específicos.
Ataques via botnets costumam ser mais elaborados e onerosos. Por isso, os cibercriminosos utilizam a tecnologia para golpes mais custosos e de largo alcance.
- Spyware
Como o próprio nome indica, os spywares são softwares maliciosos que têm como intuito espionar as atividades dos dispositivos. Eles também podem se infiltrar por meio de links comprometidos, sites falsificados, downloads de conteúdos, entre outros.
É importante considerar a existência de diferentes tipos de spywares, como os stalkerwares – que permitem que terceiros rastreiem discretamente a localização e todas as atividades dos dispositivos, sem o conhecimento dos usuários, desde digitalizações de senhas/credenciais a histórico de chamadas e perfis em mídias sociais – e o rootkit – que possibilita o acesso remoto a sistemas, se disfarçando como um arquivo comum, que pode ser facilmente ignorado por antivírus genéricos.
Inteligência artificial e o avanço dos malwares
À medida que a evolução tecnológica colabora para a maturidade da cibersegurança no Brasil, os cibercriminosos também se valem dos algoritmos avançados para a elaboração de ataques cada vez mais sofisticados, adaptados para explorar novas plataformas, como dispositivos IoT.
Alguns especialistas da área advertem sobre a capacidade de malwares baseados em IA evadirem as defesas cibernéticas instaladas. A partir de um treinamento e aprendizagem dos padrões, o sistema resultante estaria habilitado para criar novos códigos capazes de contornar as medidas de segurança implantadas.
Outro fator que dificulta a detecção de malwares no Brasil são os códigos abertos e/ou vendidos na deep web, permitindo que novos atacantes façam pequenas modificações e criem variantes personalizadas.
Devido à alta lucratividade dos ciberataques, hackers de todo o mundo investem constantemente na inovação de malwares. Por isso, é essencial que as organizações empreguem diferentes ferramentas de proteção, com foco em atuação preventiva. Boas práticas de segurança e a conscientização dos usuários também devem ser ações contínuas nas companhias.
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