Ataque à SABESP: Entenda mais sobre o ataque de ransomware que causou instabilidade na rede da companhia
Os crescentes ataques cibernéticos a infraestruturas críticas continuam a alarmar grandes companhias brasileiras. No mês de outubro, a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) foi alvo de uma invasão de ransomware que causou instabilidade nas redes da empresa.
O ataque foi atribuído ao grupo cibercriminoso RansomHouse que reivindicou as interferências em mais de dois mil servidores. Segundo as informações da SABESP à imprensa, as operações de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto não foram afetadas, bem como não houve comprometimento de dados pessoais.
De acordo com os especialistas da companhia, os criminosos não conseguiram criptografar o backup da empresa, resultando no restabelecimento dos sistemas e não pagamento do resgate.
Medidas de cibersegurança em sistemas industriais
A invasão às infraestruturas da SABESP evidencia a necessidade de monitoramento e revisão contínua das medidas de cibersegurança em operações industriais. Práticas como segmentação das redes de OT e IT, autenticação multifatores, utilização inteligência artificial para análise de padrões e identificação de atividades suspeitas, além de atualização de softwares, sistemas e dispositivos, estão entre as principais recomendações do setor para que ataques de ransomewares não sejam bem-sucedidos.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, destaca a importância da aplicação de medidas de proteção aos backups, visando garantir a rápida retomada das operações, em caso de incidentes.
“Armazenar cópias de backup offline ou em ambientes imutáveis, impede o acesso e modificação dos dados diretamente pelos sistemas operacionais e por usuários não autorizados. Além disso, é fundamental a realização de testes periódicos de recuperação para validar a eficácia dos backups e garantir que os dados possam ser restaurados de forma completa e na velocidade necessária”.
O desafio dos ransomwares
As ameaças cibernéticas a infraestruturas críticas, como ransomwares, representam um grande desafio para a segurança nacional. Ataques desse tipo malware, além de interromper serviços essenciais como saúde, energia, transporte, finanças e abastecimento de água, também são capazes de gerar consequências econômicas de longo alcance, devido aos impactos para consumidores e negócios locais.
À medida que os ransomwares evoluem, as investidas se tornam cada vez mais sofisticadas e complexas, como, por exemplo, os ataques de “ransomware duplo” que não apenas criptografa os dados, mas os transfere para dispositivos externos, ameaçando o vazamento das informações, caso não haja o pagamento das quantias exigidas — geralmente em criptomoedas.
O “ransomware duplo” é considerado uma das mais graves ameaças para as organizações por poder levar a perda de dados de forma irreversível e propiciar a exposição pública das informações, prejudicando a confiança de clientes e parceiros.
De acordo com o Relatório de Segurança Cibernética da Kaspersky (2024), o Brasil registrou mais de 487 mil ataques de ransomware entre junho de 2023 e julho de 2024. O país está entre os mais visados por cibercriminosos na América Latina.
O que fazer em caso de invasão por ransomware
Com o rápido restabelecimento do controle dos sistemas, a possibilidade de pagamento de resgate foi completamente desconsiderada pela SABESP.
Marcelo Branquinho ressalta que o pagamento dos valores aos atacantes
pode gerar riscos ainda maiores para as organizações: “Na grande maioria das vezes, o objetivo dos cibercriminosos que investem em ataques de ransomware é que as empresas paguem pelo resgate dos dados sequestrados. No entanto, ao atender à exigência, a empresa se torna mais vulnerável e pode ser alvo de ataques subsequentes – é o que chamamos de ‘time bomb’. Os cibercriminosos podem enviar chaves de descriptografia com códigos maliciosos infiltrados, o ataque permanece inativo até ser acionado em momentos estratégicos. Esse tipo de ‘armadilha’ é um desafio crescente no setor, uma vez que um único ataque pode comprometer sistemas essenciais e causar grandes impactos operacionais”, alerta.
Para o CEO, o caminho mais indicado para evitar os ataques cibernéticos é investir em medidas preventivas e em planos de resposta a incidentes, de forma que as empresas possam restaurar os dados sem a necessidade de negociar com cibercriminosos.