Abílio Branco, Head de Segurança de Dados da Thales, destaca os principais desafios da integração entre as redes de OT e IT, bem como soluções para mitigar os riscos
Com a evolução da tecnologia e a modernização dos sistemas que compõem infraestruturas críticas, a necessidade de avanços no segmento de cibersegurança, em especial na área de OT (Tecnologia Operacional), se tornou ainda mais evidente. A interconexão crescente entre sistemas essenciais para a sociedade e um fluxo cada vez mais intenso de informações trazem um novo desafio ao mercado: como conciliar a inovação dos processos com os parâmetros de segurança essenciais para a proteção das redes?
O questionamento foi tema da palestra de Abílio Branco, Head de Segurança de Dados da Thales, durante a 5ª edição da CLASS – Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA. O especialista destacou pontos positivos sobre a integração entre as redes corporativas e operativas, como otimização da transmissão de dados, captura precisa de informações, melhoria da experiência digital, entre outros benefícios para as comunicações.
No entanto, Abílio ressaltou também que os acessos integrados podem potencializar os riscos de que ataques sofridos pela rede corporativa e extrapolar para as automações.“É importante criarmos um cenário onde os sistemas possam se comunicar, uma vez que a falta de conectividade também pode gerar problemas, mas os riscos precisam ser minimizados”, pontua.
Ataques cibernéticos em infraestruturas críticas podem gerar grandes impactos para a população, interferindo no cotidiano e interrompendo o fornecimento de serviços essenciais, a exemplo do ocorrido na Costa Leste dos EUA, em 2020, quando um ataque afetou um operador de oleoduto e interrompeu o fornecimento de combustível durante uma semana.
“Foi um ataque que iniciou na rede corporativa e conseguiu invadir a rede operativa, impossibilitando a medição de combustível e, consequentemente, interrompendo o fornecimento na região”, explicou Branco.
Aumento de violações de segurança nas redes de OT
De acordo com o levantamento do Fórum Econômico Mundial, os crimes digitais cometidos contra organizações de infraestruturas críticas aumentaram cerca de 300% em 2021. A pesquisa também mostrou que 83% das empresas participantes sofreram violações de segurança de OT nos últimos três anos, acentuando a vulnerabilidade da área.
Medidas de proteção contra ciberataques em infraestruturas críticas
Visando minimizar os riscos, Abílio destacou a necessidade da implementação de barreiras, entre outras medidas de cibersegurança, que devem ser aplicadas nas principais áreas de cobertura, como:
Segurança da estrutura organizacional
- Políticas
- Levantamento
- Acesso físico
Gerenciamento de configuração
- Realizar inventário de OT
Segurança de redes e comunicações
- Segmentação de sistemas
- Wireless e acesso remoto
Segurança de ativos
- Hardening
- Dispositivos móveis
- Proteção contra malwares
- Gerenciamento de patches
Proteção de dados
- Classificação
- Retenção
- Remoção
- Mecanismos de criptografia
Controle de acesso
- Identificação
- Proteção de senha
- Privilégios
- Autorização
Gerenciamento de eventos e incidentes
- Detecção de eventos
- Registros (logs)
- Avaliação
- Respostas aos incidentes
Disponibilidade e Integridade
- Disponibilização de sistemas
- Backup restore
A boa visibilidade dos riscos é essencial para a definição de processos e tomada de decisões, porém, a análise de vulnerabilidades possui prioridades diferentes entre as redes. “Em IT a confidencialidade dos dados é o fator mais importante para a segurança e em OT é a integridade que vem em primeiro lugar. A falta de um dado íntegro no sistema de automação pode gerar uma ação equivocada, como a abertura de uma válvula, por exemplo”, explica Branco.
Principais desafios para a melhoria de segurança de OT
Entre os maiores entraves para o avanço da cibersegurança na área de tecnologia operacional estão a falta de alinhamento das normas internas com as regulações obrigatórias do setor (IEC/NIST), a limitação de provedores e servidores de segurança para OT no mercado, falta de recursos em sites locais, dificuldades para unificar a gestão de redes, entre outros.
Soluções de cibersegurança para sistemas industriais
Para a proteção e defesa das operações em infraestruturas críticas, a Thales, em parceria com a TI Safe, conta com um amplo planejamento de segurança cibernética, com ferramentas que incorporam servidores independentes, inteligência artificial e aprendizagem de máquina, com foco no monitoramento, auditoria e detecção de não conformidades. “As soluções abarcam diversas camadas, iniciando com a identidade, parte fundamental para garantir a autenticação do usuário, passando também por proteção de aplicações, APIs, detecção de injeções maliciosas diretamente na base de dados e serviços de gerenciamento por meio de SOCs Consumer e SOCaaS”, completa o especialista.
Link para vídeo completo no Youtube: https://youtu.be/XN5Lr64RbxA