O Museu do Amanhã (RJ) é palco da conferência que é referência em conhecimento e capacitação em segurança cibernética para infraestruturas industriais.
Na manhã do dia 14/05 teve início a 5ª edição da Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA – CLASS 2024 – que aconteceu até 16 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O evento, idealizado e realizado bienalmente pela TI Safe, teve sua primeira edição em 2014 e, portanto, completa 10 anos de criação em 2024.
“A inteligência artificial ligada à segurança digital é o tema principal que pautou todo o conteúdo do evento. São três dias de muito conhecimento compartilhado por especialistas no assunto”, destacou Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
As aplicações com inteligência artificial já são uma realidade nas soluções criadas para defender as infraestruturas críticas de redes operativas, ao mesmo tempo que também são usadas por hackers para cometer crimes no ambiente digital. “Cada vez mais a IA está sendo usada por cibercriminosos para ataques a redes operativas. Temos que nos preparar para essas tendências que já estão acontecendo”, ressaltou Branquinho.

Representantes dos patrocinadores Fortinet, Tenable, Thales, TXOne e Nozomi Networks também estiveram no palco durante o cerimonial de abertura. Os executivos mencionaram os assuntos em destaque durante a CLASS, entre eles as mais modernas soluções de firewalls para elevar o grau de maturidade das empresas em segurança cibernética, atuando de forma integrada com a área de TO (Tecnologia da Operação) e garantindo a continuidade do negócio. Cases práticos sobre a proteção dos ativos das infraestruturas de rede de TO também fazem parte do escopo da programação do evento.

Pesquisa: O estado da segurança cibernética nas infraestruturas críticas brasileiras
Durante a abertura do evento, Marcelo Branquinho apresentou, também, os resultados de uma pesquisa realizada pela TI SAFE com empresas brasileiras nas áreas de eletricidade, gás e outras utilidades.
Segundo o relatório, o grau de maturidade das empresas em relação a controles de segurança cibernética subiu nos últimos anos: saiu de 1,88 em 2018 para 2,53 em 2022 e 3,68 em 2024. A nota máxima é 5. Isso demonstra que as companhias melhoraram suas estruturas de gestão de segurança, implementando cada vez mais controles e obtendo eficácia com as soluções adotadas.
Essa evolução no grau de maturidade é fundamental para setores pesquisados, uma vez que a interrupção ou destruição de sistemas de infraestruturas críticas podem provocar sérios impactos em âmbitos social, econômico, político, internacional, comprometendo até mesmo a segurança nacional.

Palestras e oficinas enriquecem aprendizado no primeiro dia de CLASS
Cinco palestras e duas oficinas fizeram parte do primeiro dia da Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA (Supervisory Control And Data Acquisition ou Sistema de Supervisão e Aquisição de Dados), entregando informações valiosas sobre a temática de segurança cibernética para infraestruturas industriais. Vamos conferir os destaques de cada uma delas.
1. Integração de dados de TO ao plano de segurança, com Marty Edwards, da Tenable
A sequência de palestras do primeiro dia da CLASS foi aberta por Marty Edwards, vice-presidente de segurança de tecnologia operacional da Tenable – empresa de segurança cibernética com sede em Columbia, Maryland (EUA). Em sua exposição, ele conduziu uma abordagem sobre integração de dados de TO ao plano de segurança das empresas.
“Você não pode proteger aquilo que não pode ver”. Assim, Marty iniciou sua fala, destacando que o investimento em prevenção de ataques cibernéticos é essencial para evitar desastres e mitigar gastos com possíveis cibercrimes em infraestruturas operativas.
Para ele, o tema cybersecurity deve ser pauta mandatória do board das organizações, uma vez que ataques de ransomware estão cada vez mais frequentes. “A cibersegurança deve ser vista como um ativo das empresas. Os investimentos em monitoramento, detecção e proteção de infraestruturas críticas devem estar na pauta estratégica. Quanto mais investir em TO, mais protegida a organização estará”, finalizou.
Segundo o especialista, que conta com mais de 30 anos de experiência, o Brasil é um dos países que lidera a área de proteção a infraestruturas críticas.
2. Estudo de caso: Cibersegurança da TO, Copel
Na segunda apresentação do dia, o destaque foi o case sobre o projeto de cibersegurança na Tecnologia da Operação (TO) da Copel. O projeto, implementado em abril de 2023, utiliza a solução ASCI (Assinatura de Segurança Cibernética Industrial), da TI Safe.
Victor Müller, gerente de cibersegurança de TO da Copel, abordou a trajetória de amadurecimento da empresa até chegar à definição da necessidade de uma solução para proteção das infraestruturas operacionais. “As discussões sobre o assunto começaram em 2016 e executamos algumas ações internas. Mas em 2021, após sofrermos um ataque em nossa rede corporativa de TI, um alerta acendeu nas lideranças da companhia. Embora a invasão não tenha causado danos significativos, foram feitas análises e identificamos que as ameaças cibernéticas estavam entre os maiores riscos para o nosso negócio”, enfatizou.
Entre os desafios do projeto, Victor citou o distanciamento geográfico das operações e os prazos da nova rotina operacional estabelecida pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). “Tivemos uma grande integração entre TI Safe e Copel e conseguimos cumprir o cronograma previsto, demonstrando todo o conhecimento técnico e o comprometimento das equipes”, ressaltou.
O escopo inicial do projeto tinha o objetivo de atender 16 localidades e já foi feita a expansão para mais três locais. As soluções de segurança cibernética estão aplicadas em centros de operação de geração e transmissão, subestações de rede básica, usinas hidrelétricas (UHE), usinas termelétricas (UTE) e complexos eólicos em diversos cantos do Brasil.
“Além de deixar a Copel em conformidade com as diretrizes de cibersegurança do ONS, a Companhia ainda atingiu maior maturidade em termos de cibersegurança em suas instalações, entregando mais proteção não somente às suas plantas, mas principalmente aos consumidores de seus serviços de distribuição de energia”, destacou Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
3. Abordando a gestão de riscos sob a perspectiva de construção de cultura, Braskem
O estudo de caso da Braskem foi explanado por Lucas Magalhães, engenheiro de cibersegurança de TO da empresa. Ele destacou a jornada da Braskem em direção à maturidade no tocante à cibersegurança do ambiente industrial e como a empresa atuou para elevar a cultura de segurança cibernética entre as equipes industriais.
Lucas destacou que a Braskem vem evoluindo nos últimos anos em relação à maturidade de segurança cibernética e que essa evolução já evitou problemas maiores. “Em 2020 sofremos um ataque em TI, mas como já havíamos segregado TI e TO conseguimos proteger as operações e elas não foram impactadas”, ressaltou.
Além de todas as iniciativas físicas, digitais e controles implementados, o programa ‘Champions de Cibersegurança’ foi uma forma encontrada pela Braskem para aumentar o nível de maturidade e de cultura de segurança cibernética. “Com o programa conseguimos garantir maior eficácia de nossos controles, que muitas vezes não estão em sistemas conectados e estão distantes fisicamente. O nossos Champions são representantes nas unidades industriais da empresa responsáveis por verificar os controles e possíveis vulnerabilidades, disseminar a cultura e conhecimento de cibersegurança, que é um dos nossos maiores desafios, e informar as atualizações, dificuldades e demandas ao time de cibersegurança”, explicou Lucas, dizendo ainda que os Champions são os olhos das equipes corporativas nas regionais.
O piloto do programa foi implementado em 2023 e neste ano ele está acontecendo de forma global.

4. TI Safe Cockpit: gestão de riscos de TO na palma da mão
Os colaboradores da TI Safe Elamir Menezes, coordenador de riscos e qualidade, e Raphael Oliveira, analista de segurança da informação, também estiveram no palco da CLASS. Eles demonstraram o TI Safe Cockpit, uma ferramenta unificada que fornece métricas essenciais e dados conforme as necessidades dos clientes e seus KPIs.
“Essa demanda foi levantada pelos nossos clientes da ASCI. Dados de infraestrutura, de produção, de firewalls, IDS, EDR e controles de maturidade dos sistemas de nossos clientes são organizados e armazenados em uma base de dados, sendo analisados e disponibilizados aos clientes de forma padronizada no aplicativo do Cockpit”, destacou Elamir.
O objetivo do Cockpit é apresentar às lideranças das organizações, de forma filtrada e organizada, informações relativas à segurança cibernética que estão sendo mapeadas pela ASCI nas plantas. “A solução pode ser acessada por smartphones, permitindo que gestores de riscos visualizem a situação da planta de forma prática e em tempo real”, finalizou Elamir.
5. Estudo de caso: fortalecendo a segurança das operações no setor elétrico, EDF
Fechando a programação do dia, Igor Freitas de Souza, gerente de TI, e Vinícius Felix da Silva, engenheiro de automação e controle, ambos da EDF, além de Felipe Marques, da TI Safe, abordaram as iniciativas que contribuíram para o fortalecimento da segurança das operações da EDF Brasil – plataforma de desenvolvimento para projetos e serviços de geração térmica e hídrica e de transmissão.
Foram mencionados os desafios significativos enfrentados pelas empresas do setor de energia na implementação da governança de cibersegurança industrial. Igor, Vinícius e Felipe destacaram ainda a importância das empresas estarem vigilantes, investir em segurança cibernética e implementar boas práticas de governança para proteger suas operações e garantir a confiabilidade do setor de energia em nosso país.
Oficinas técnicas ampliam conhecimentos
Duas oficinas foram conduzidas no primeiro dia da CLASS. Na primeira delas, Bryan Rivera, da Thales, trouxe discussões acerca de como a criptografia desempenha um grande papel na manutenção da segurança e confiança em infraestruturas críticas.
Entre os destaques, Thales abordou a importância de estabelecer uma raiz de confiança e mecanismos de criptografia em dispositivos que operam em ambientes smartgrid, além da comunicação em redes, sites e datacenters em infraestruturas críticas.
Marcos Silva, da Fortinet, foi o responsável pela segunda oficina do dia, conduzindo um workshop prático sobre Segurança Cibernética em Sistemas de Controles Industriais (ICS).

Ele explorou a convergência entre tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (TO), destacando a importância de garantir a segurança e a integridade dos sistemas críticos a fim de evitar falhas de rede e danos de grandes proporções.
Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer a Fortinet Security Fabric, projetada para se adaptar dinamicamente às necessidades únicas dos ambientes de TO legados, enquanto possibilita a modernização desses sistemas críticos.