Acompanhar os eventos e os tipos de ciberataque mais frequentes é fundamental para orientar organizações sobre a eficiência de suas abordagens protetivas
O Brasil é um dos países mais atingidos no mundo por ataques cibernéticos, de acordo com um relatório da TrendMicro, figurando com Estados Unidos e Índia entre os principais alvos de cibercrimes.
Enquanto a média mundial aumentou 28% no mundo no primeiro trimestre deste ano – em comparação ao mesmo período do ano passado -, o Brasil registrou aumento de 38% no número de ciberataques, segundo relatório da Check Point.
Essa informação evidencia que, embora as grandes organizações façam mapeamento dos riscos e vulnerabilidades cibernéticas de maneira frequente, tomando as medidas protetivas necessárias, é preciso elevar o nível de proteção. Considerando as ameaças cada vez mais sofisticadas e complexas, os avanços nas técnicas de defesa devem incluir soluções que agilizem a detecção de ameaças e de anomalias.
Além disso, a dinâmica da evolução das ameaças hackers torna a necessidade de investimento constante e multifacetado, incluindo além de instrumentos de cibersegurança: também políticas, governança, treinamento e conscientização das equipes.
Crimes virtuais: inteligência artificial e ransomware seguem como tendências
Um relatório da Fortinet mostrou que, entre as tendências para crimes digitais para 2024, está o uso de inteligência artificial, especialmente a generativa, para aprimorar os golpes já existentes. O uso da IA pelos cibercriminosos aumenta a velocidade e qualidade dos ataques, uma vez que a tecnologia permite identificar padrões mais facilmente, e reduz a assertividade de medidas preventivas.
Outro golpe que já é e continuará sendo bastante praticado, segundo tendências, é o ransomware. O crime consiste em criptografar dados de um ou mais equipamentos, fazendo com que o usuário perca acesso não somente às informações, mas também à própria máquina. Para completar, há posterior pedido de resgate para recuperação dos dados “sequestrados”. Como aconteceu com a empresa Riot Games, em 2023, quando hackers roubaram os códigos-fonte de um dos jogos mais populares do mundo, o League of Legends (LoL), e pediram U$S 10 milhões para não divulgar os dados.
O ransomware é uma das categorias de ataques cibernéticos mais populares no mundo, com cerca de U$S 1,1 bilhão captados em resgates somente em 2023, segundo relatório da empresa de criptomoedas Chainalysis. Os criminosos exigem o pagamento em criptoativos, o que dificulta o rastreamento da transação.
Phishing é um dos ataques cibernéticos mais predominantes
Você sabia que cerca de 90% dos ataques a empresas começam com um e-mail de phishing? É o que mostrou um estudo recente da Check Point Softwares, que destacou ainda a América Latina e, dentro dela, o Brasil, como regiões do mundo onde o phishing é um dos principais ataques cibernéticos.
O phishing é um tipo de ciberataque que começa com uma mensagem virtual fraudulenta, normalmente um e-mail, mas que parece vir de uma fonte confiável. O objetivo é ter acesso a dados confidenciais da vítima ou instalar softwares maliciosos. Nesse sentido, além da importância das organizações investirem em recursos de cibersegurança, mantendo protegidos os seus dados e as informações de seus clientes, faz-se necessário o treinamento das equipes para que sigam boas práticas, reduzindo a incidência dos mais variados tipos de golpe.
Foi um provável ataque de phishing o responsável pelo prejuízo de cerca de R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. Cibercriminosos aproveitaram o feriado de Páscoa deste ano para invadir o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) – plataforma de pagamentos do Governo Federal – e realizar operações financeiras irregulares. Pelo menos 16 senhas foram usadas indevidamente. Após identificar as invasões, a administração federal implementou uma nova medida para liberação de pagamentos: o certificado digital, que fortaleceu a barreira contra as fraudes.
Incident Hub: banco de dados de incidentes de segurança cibernética industrial
Infraestruturas industriais e suas redes operativas também são alvos constantes de ataques hackers. A diferença entre um ataque a este tipo de segmento é o seu nível de criticidade, ou seja, a possibilidade de interromper a oferta de um serviço importante para a população. Como o ocorrido com a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico): em setembro de 2023, a agência foi invadida por hackers, o que deixou indisponíveis vários de seus sistemas por alguns dias.
Alguns ataques a sistemas de tratamento e distribuição de água dos Estados Unidos também têm deixado o país em alerta. Uma instalação em Indiana foi atacada por hackers em abril de 2024, o que causou interrupções no sistema. Hacker russos assumiram a autoria do ataque cibernético, bem como de outros ocorridos em Janeiro, em sistemas de água do Texas. Embora as invasões não tenham causado grandes danos, as autoridades americanas têm alertado sobre a necessidade de reforçar as defesas nos sistemas de água no país, uma vez que estes têm sido alvo persistente de cibercriminosos.
Na busca por oferecer um portal aberto e com informações confiáveis sobre os incidentes no segmento industrial, contribuindo com o setor e com equipes de defesa de todo o mundo, a equipe de P&D da TI Safe desenvolveu o projeto do Incident Hub. “O Incidente Hub é a maior base de conhecimento de ataques que existe de forma consolidada no mundo. E é público, dando acesso às informações sobre os eventos a diversas organizações de cibersegurança e de defesa ao redor do planeta”,
O portal, que está em constante atualização, centraliza informações sobre ataques cibernéticos industriais, divulgados pelas principais fontes do mundo, em um só lugar.