Durante esta semana recebemos diversas ligações de organizações governamentais pedindo ajuda devido a ataques de DOS, DDOS e defacement que estavam sofrendo, e que estavam tornando indisponíveis seus portais de atendimento aos serviços públicos. Milhares de pessoas ficaram por algumas horas sem ter como agendar consultas médicas, fazer chamadas de emergências, pedir ajuda da defesa civil, dentre outros serviços que estes portais disponibilizam.
Estas ações contra a infraestrutura crítica são atribuídas ao grupo hacktivista Anonymous, que clamou publicamente a responsabilidade pelos protestos no mundo real e virtual (notícia do portal R7 – “Ativo no Facebook, Anonymous assume liderança das manifestações pelo Brasil – Hackativistas crescem abruptamente na rede social e ditam novas diretrizes“).
As gigantescas passeatas e os atos de vandalismo realizados por um grupo minoritário de extremistas que ocorreram já foram amplamente noticiados pela mídia, no entanto os atos de vandalismo virtual que estão ocorrendo ainda não são notícia, mas aumentaram muito de intensidade nos últimos dias (notícia do portal R7 – “Hackers do Anonymous prometem ataques em apoio aos protestos de SP“).
Desde o início dos protestos, inúmeros ataques foram documentados pela mídia, e muitos outros estão em curso mas ainda não foram vazados para a imprensa. Dentre os documentados podemos citar ataques aos sites da Polícia Militar de São Paulo, Polícia Federal, Secretária de Transportes de São Paulo, Confederação Brasileira de Futebol, dentre muitos outros (notícia veiculada no site da PC Magazine – “Ações do Anonymous durante a semana“).
O que ocorre é que, devido ao apoio popular, o Anonymous está ganhando um enorme “poder de fogo” para ataques de DOS (Denial of Service) e DDOS (Distributed Denial of Service) através do uso autorizado de máquinas de participantes do movimento para os ataques. Estes ataques, devido às suas características técnicas que exploram vulnerabilidades no protocolo TCP-IP, são normalmente letais e as contramedidas são muito custosas e, por muitas vezes, ineficazes (vejam a apresentação de Jan Seidl, coordenador técnico da TI Safe, sobre estes tipos de ataques – “Ataques super eficientes de DOS – Denial of Service“).
No mês passado o Anonymous divulgou um vídeo onde mostra claramente que está se preparando para atacar plantas industriais de Petróleo e Gás em vários países do mundo devido à manipulação do valor do preço do barril do petróleo pelas grandes empresas produtoras. Depois de ataques bem sucedidos como o da Saudi Aramco, onde 30.000 computadores foram infectados por uma arma cibernética denominada Shamoon (notícia no The New York Times), ameaças como a deste vídeo do Anonymous devem ser levadas a sério.