Kleber Canuto, coordenador de Ciências de Dados do SENAI Paraná, detalha o tema do Hackathon 2022.
A 4ª Conferência Latino-Americana de Segurança em SCADA (CLASS), que acontecerá entre 28 e 30 de junho de 2022, em Curitiba, figura entre os principais eventos mundiais na área de segurança cibernética para Sistemas de Controles Industriais. Na semana que antecede a Conferência, a TI Safe realizará, em parceria com a FIEP, um Hackathon, cuja proposta é que os competidores desenvolvam ideias, protótipos, caminhos e soluções na área de segurança cibernética e em linha com o projeto Curitiba 2035 para Cidades Inteligentes.
Para detalhar o tema da competição, o TI Safe News conversou com o professor e pesquisador Kleber Canuto, coordenador de Ciência de Dados do SENAI Paraná. Com formação de base em administração de empresas e tecnologia da informação, mestrado e doutorado na área de estratégia e organizações, Canuto trabalha com métodos de pesquisas quantitativas e análise multivariada de dados, que são a base da inteligência artificial e da ciência de dados. Há 12 anos, ele lidera no SENAI-Paraná equipes de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a implementação de soluções e modelos analíticos de ciência de dados para indústrias.
Confira a entrevista em vídeo e abaixo:
TI Safe News – O que são exatamente Cidades Inteligentes?
Kleber Canuto – A missão de uma cidade para sua população é fornecer educação, saúde, governança, mobilidade. E isso não muda, mesmo no cenário atual de adoção massiva de novas tecnologias. Contudo, a utilização de modelos de ciência de dados resulta na melhora da mobilidade urbana, na personalização dos processos de educação e de saúde, tornando-os mais inclusivos. É possível ter um monitoramento real de tudo o que acontece. Entretanto, para a Cidade Inteligente – ou do governo como plataforma, como, também, pode ser chamado o conceito – se tornar viável é necessário integrar múltiplos atores: indústria, empresas privadas e de base tecnológica, centros de pesquisa e desenvolvimento das universidades e o próprio governo, que é o responsável por fornecer os principais serviços públicos para a população. O trabalho integrado desses atores na criação de modelos e no compartilhamento de dados imputa inteligência ao desenvolvimento de pessoas, de ambientes, na mobilidade, na moradia, na governança do munícipio e, até mesmo, na criação de negócios disruptivos. A ciência de dados é o motor dessa inovação, porque não basta disponibilizar redes 5G na cidade toda ou instalar postes inteligentes. É preciso que tudo funcione de forma integrada digitalmente dentro de uma mesma plataforma. A infraestrutura de base é importante, mas é somente a primeira fase da implementação de Cidades Inteligentes.
TI Safe News – Quais são os principais desafios tecnológicos para implementação dessa integração e dessa inteligência nas cidades?
Kleber Canuto – O maior desafio é o humano. É preciso ter profissionais de tecnologia habilitados para trabalhar com esses conceitos e, principalmente, gestores que compreendam que o processo agora é altamente analítico, em virtude das transformações digitais ocorridas nos últimos anos. Então, o primeiro passo é a qualificação e a requalificação da mão de obra. Há questões relacionadas à infraestrutura de tecnologia, mas elas não são gargalos. Por outro lado, fatores institucionais podem se tornar. Por isto, é preciso que sejam implementadas leis que incentivem a criação de negócios dentro do conceito de governo como plataforma em cidades inteligentes. Além disto, também é importante atentar para a segurança da informação que é muito significativa num processo de troca de informação entre diferentes atores e instituições de educação, saúde pública, mobilidade urbana etc. Esse tipo de compartilhamento traz uma série de riscos associados. Os desafios passam por rastrear e tornar essas transações transparentes, garantir a privacidade dos indivíduos e o acesso das informações somente para as pessoas credenciadas para tal.
TI Safe – Há, portanto, a necessidade de investimento em capacitação e no desenvolvimento dessa integração. Os investimentos compensarão em longo prazo? Uma cidade inteligente é mais sustentável?
Kleber Canuto – Um estudo da Universidade de Oxford, publicado um pouco antes do início da pandemia, revelou que cada centavo investido em economia digital, representava retorno do investimento para sociedade até sete vezes maior do que o investido na economia tradicional. Estamos num processo de transformação irreversível e, também, viável do ponto de vista econômico e que irradia para educação, saúde, mobilidade, sustentabilidade, entre outras áreas. Por exemplo, confrontando e convergindo dados da receita federal, do próprio munícipio, de adensamento populacional, renda etc., é possível informar para quem deseja abrir um ponto em um determinado local se há muitos competidores instalados, qual o fluxo de pessoas na região, entre outros dados importantes para a tomada de decisão sobre o investimento. A cidade pode, portanto, ajudar os cidadãos para alocação correta dos seus recursos. Quanto mais rápido evoluirmos nesses processos mais qualidade de vida traremos para a população. O objetivo é criar um círculo virtuoso, tanto no aspecto ambiental quanto econômico, para que cidade seja sustentável em longo prazo.
TI Safe News – O aumento da digitalização e das trocas de informação entre máquinas amplia os riscos cibernéticos também. Em sua avaliação quais são os aspectos mais importantes para segurança das redes operativas em Cidades Inteligente?
Kleber Canuto – É certo que viveremos cada vez mais num ambiente de compartilhamento de informações. No caso da mobilidade urbana, por exemplo, para que o transporte seja mais rápido e com menor impacto ambiental, utilizando diferentes modais, é necessário entender o fluxo de carros, o funcionamento dos semáforos, o perfil das pessoas que estão transitando na via. Para tanto, os dados deverão ser compartilhados entre os prestadores de serviços, governo, centros de pesquisas. E ao compartilhar informações, deve ser assegurado o sigilo dos dados dos indivíduos. Já as transações precisam de rastreabilidade, seja uma operação financeira, a definição sobre o tempo de abertura de um semáforo, a automatização do fornecimento de serviços de água, luz e gás, entre outros. E é a segurança da informação que poder garantir a transparência dessas transações e, também, o não rompimento ou a modificação dessas informações durante a troca dos dados entre as instituições. Adicionalmente é preciso curadoria humana sobre modelos que venham a guiar a tomada de decisão nas áreas de educação, saúde etc. Essas são as grandes temáticas que devemos nos debruçar em relação a segurança cibernética.
TI Safe News – O que diria para quem for participar do Hackathon de Cidades Inteligentes?
Kleber Canuto – Para os inscritos no Hackathon da TI Safe ressalto que eles estão entrando numa área e num momento repleto de oportunidades. Existem muitos dados disponíveis em diferentes cidades brasileiras que estão guardados dentro de máquinas e sem análise por pura falta de gente capacitada para transformá-los em insumos valiosos para tomada de decisão. É um grande oceano com tudo para ser desenvolvido e estruturado e essa geração vai poder nadar de braçada.
O Hackathon, a TI Safe contará com uma equipe de mentores própria e do parceiro no projeto, o Sistema FIEP, para coordenar o trabalho das equipes e na banca de análise. O prêmio para as equipes vencedoras será de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 1 mil para, respectivamente, 1º, 2º e 3º colocados; além de 01 voucher de treinamento na TI Safe no Rio de Janeiro ou na modalidade EAD, se for a preferência do premiado. Cada membro da equipe vencedora e, também, os times que levarem os 2º e 3º lugares terão acesso gratuito a CLASS.
Para mais informações acesse: Hackathon TI Safe