Durante a maior conferência mundial de sistemas de energia, o CEO da TI Safe apresentou a plataforma SAFER a delegações técnicas de quatro continentes. A reação mais recorrente não foi sobre arquitetura, e sim sobre a origem da tecnologia.
Existe uma diferença considerável entre apresentar uma tecnologia e ser interrogado por quem opera a infraestrutura que ela protege. No primeiro caso, o interlocutor ouve. No segundo, ele quer saber o que acontece quando o protocolo é proprietário, quando o ativo tem vinte anos de operação e quando a janela de manutenção não existe.
Foi esse o tipo de conversa que aconteceu em Paris entre 23 e 28 de agosto de 2026, durante a CIGRE Paris Session 2026, no Palais des Congrès. A conferência é o principal encontro global de especialistas em sistemas de energia e reúne, a cada edição, operadoras de transmissão e distribuição, fabricantes, centros de pesquisa e comitês técnicos de dezenas de países. Na edição de 2024, o evento registrou mais de 4.500 delegados, mais de 11.200 participantes da indústria de energia, mais de 1.100 papers técnicos e 99 países representados.
A TI Safe participou do evento por meio de seu CEO, Marcelo Branquinho, que apresentou a plataforma SAFER na Paper Session de seu grupo de trabalho. O formato é restritivo por natureza: cada grupo dispõe de uma janela de aproximadamente 1h30 para discussão técnica com os delegados presentes. Não há espaço para apresentação institucional ou narrativa de marca. O que sobra é a tecnologia e as perguntas que ela provoca.
O que acontece quando a plataforma é avaliada por quem opera o ativo
Dentro dessa janela, as demonstrações se estenderam por mais de trinta minutos com cada equipe um indicador relevante em um ambiente onde a atenção é disputada por centenas de expositores simultâneos. Entre os grupos que conduziram avaliações detalhadas do SAFER estavam times técnicos de uma operadora logística asiática e de uma empresa de energia europeia, ambos compostos por profissionais com atuação direta em ambientes operacionais.
O comportamento desses grupos seguiu um padrão observável. Todos registraram digitalmente o material técnico de referência e o contato do apresentador, e levaram consigo os datasheets da plataforma. Nenhum deles, no entanto, deixou contato próprio. Trata-se de uma dinâmica comum em conferências técnicas dessa natureza: a avaliação inicial é conduzida por perfis de engenharia e operação, que levam a informação para dentro da organização antes de qualquer aproximação comercial formal.
Ao longo dos dias seguintes, o movimento se ampliou. Um delegado de uma empresa britânica retornou ao espaço da TI Safe para aprofundar detalhes que não couberam na primeira conversa. Uma equipe de operações de uma companhia do setor de infraestrutura crítica avançou a discussão até o terreno da avaliação prática. E um time de engenharia de um dos maiores fabricantes globais de tecnologia para o setor de energia, com base nos Estados Unidos, também conduziu sua própria análise da plataforma.
O interesse recorrente não estava na promessa da tecnologia, mas na sua capacidade de responder a cenários operacionais concretos apresentados por quem convive com eles diariamente.
A pergunta que se repetiu: onde isso foi desenvolvido?
Houve, porém, um elemento que atravessou praticamente todas as conversas e que diz menos sobre o produto do que sobre o mercado.
Depois de compreender a arquitetura e o funcionamento do SAFER, a pergunta seguinte dos delegados era invariavelmente sobre a origem da plataforma. E a resposta, desenvolvida integralmente no Brasil gerava uma reação consistente de surpresa.
Esse dado merece atenção porque revela uma assimetria de percepção. O mercado global de segurança ciberfísica é historicamente concentrado em fornecedores norte-americanos, israelenses e europeus. A presença de uma plataforma desenvolvida na América Latina, sendo avaliada tecnicamente e em pé de igualdade por operadoras e fabricantes desses mesmos mercados, altera uma expectativa estabelecida.
O que sustenta essa posição não é retórica de inovação, mas condição de campo. Ambientes de Tecnologia Operacional na América Latina combinam parque legado extenso, restrições orçamentárias severas, exigências regulatórias em consolidação e pressão de continuidade operacional constante. Uma plataforma que precisa funcionar sob essas condições nasce, necessariamente, mais adaptável do que uma projetada para infraestrutura recém-modernizada.

O que Paris indica sobre o próximo ciclo
A convergência entre TI e TO deixou de ser tendência e passou a ser condição operacional em praticamente todo o setor elétrico mundial. Isso significa que operadoras de qualquer geografia enfrentam hoje o mesmo problema estrutural: como manter visibilidade contínua e capacidade de resposta em ambientes que não podem ser interrompidos para serem protegidos.
Esse é um problema global, e a discussão sobre como resolvê-lo deixou de ter fronteira geográfica definida. O que Paris mostrou é que o critério de avaliação, entre times técnicos, é a adequação da resposta ao problema real, não a origem de quem a propõe.
Fale com nossos especialistas e conheça as estratégias de visibilidade e resposta que sustentam a segurança ciberfísica de operações críticas.