A Copa do Mundo movimenta bilhões de dólares, reúne milhões de turistas, conecta organizações públicas e privadas de diversos países e depende de uma infraestrutura de serviços analógicos e digitais complexa para funcionar.
Estimativas da Organização Mundial do Comércio e da FIFA indicam que o torneio de 2026, o maior já realizado desde a sua primeira edição, possa movimentar mais de US$ 80 bilhões na economia global. Mais de 6,5 milhões de pessoas são esperados nos países sede, gerando mais de US$ 40 bilhões para o Produto Interno Bruto.
Com toda essa movimentação financeira e de pessoas, sistemas de venda de ingressos, redes de telecomunicações, meios de pagamento, aeroportos, hotéis, plataformas de transmissão, aplicativos oficiais e serviços públicos passam a operar sob uma exposição significativamente maior.
Esse tipo de cenário atrai a atenção de cibercriminosos, que exploram o aumento do fluxo de dados nas mais diversas frentes para encontrar vulnerabilidades. Nesse contexto, a Copa do Mundo de 2026 representa um período de risco elevado, exigindo monitoramento contínuo e fortalecimento dos controles de proteção e resposta a incidentes, tanto por parte das empresas quanto por parte da sociedade.
Grandes eventos são alvos recorrentes
Na Copa do Mundo do Catar, em 2022, pesquisadores do Group-IB identificaram mais de 16 mil ativos fraudulentos explorando a marca do torneio, incluindo domínios suspeitos, páginas falsas, aplicativos maliciosos e perfis fraudulentos em redes sociais. As campanhas simulavam venda de ingressos, produtos oficiais, oportunidades de emprego e promoções relacionadas ao evento com o objetivo de coletar dados pessoais e financeiros das vítimas. Ainda, a Fifa registrou mais de 50.000 tentativas de venda de ingressos falsos.
Os padrões observados na última edição permanecem válidos para o torneio que se aproxima. De acordo com outro levantamento do Group-IB, cerca de 4,3 mil domínios fraudulentos que imitam sites oficiais da FIFA foram detectados desde agosto de 2025. Em maio, o FBI alertou sobre pelo menos 36 sites falsos que também simulavam páginas oficiais da Federação para promover atividades ilegais. Os criminosos criam versões que simulam a aparência do site legítimo e também imitam a URL verdadeira, adicionando uma letra, símbolo ou uma extensão diferente (“.org” em vez de “.com”).
A combinação entre urgência, escassez e forte apelo emocional de um evento como a Copa do Mundo cria um ambiente favorável para ataques cibernéticos bem-sucedidos. Os criminosos exploram justamente momentos em que os usuários tendem a reduzir o nível de atenção e de verificação para obter sucesso.
Infraestruturas críticas estão no radar dos cibercriminosos
A realização de uma Copa do Mundo depende de uma extensa cadeia de serviços. E para a competição deste ano, a exigência será ainda maior: o evento será o mais robusto já organizado pela FIFA desde a sua primeira edição, realizada em 1930 no Uruguai. Serão 48 seleções lutando pelo título e 104 jogos distribuídos por 16 cidades nos EUA, México e Canadá.
Para os países anfitriões, a preocupação não se limita ao ambiente esportivo. Organizações responsáveis por todo fornecimento de serviços essenciais passam a integrar um grupo com alto risco de ataques digitais. Redes de energia, telecomunicações, transporte, sistemas financeiros, operações aeroportuárias e centros de comando serão ainda mais exigidas e precisarão funcionar sem falhas ou riscos, já que qualquer indisponibilidade pode gerar impactos relevantes para o bom andamento do evento.
O recente relatório da Palo Alto Networks, Cyber Vigilance 2026 World Cup Threat Report mapeou os vetores de ataque mais prováveis e os setores mais vulneráveis do torneio: hospitalidade, serviços ao torcedor e infraestrutura urbana estão no centro dos riscos. Entre os principais vetores de acesso inicial usado pelos cibercriminosos estão:
· Phishing, aparecendo em 22% das investigações de incidentes conduzidas;
· Vulnerabilidades em software e APIs, ocupando o segundo lugar;
· Credenciais previamente comprometidas, figurando na terceira posição, respondendo por 13% dos casos.
Esse contexto reforça que eventos de grande porte elevam a interdependência entre sistemas de tecnologia operacional (TO) e tecnologia da informação (TI), exigindo um olhar diferenciado para a visibilidade dos ativos críticos e monitoramento, bem como para a eficiência dos sistemas e ferramentas de controle e resposta de incidentes.
Como organizações podem reduzir sua exposição
Empresas envolvidas direta ou indiretamente com a Copa do Mundo devem tratar o período como uma janela de alta atenção para riscos cibernéticos. As medidas de prevenção, controle e resposta devem existir independentemente do torneio, mas precisam ser intensificadas, entre elas:
· Reforçar campanhas internas de conscientização sobre phishing;
· Revisar controles de autenticação multifator;
· Monitorar tentativas de uso indevido da marca da organização;
· Realizar gestão contínua de vulnerabilidades;
· Revisar planos de resposta a incidentes;
· Ampliar o monitoramento de ativos expostos à internet;
· Avaliar riscos relacionados a terceiros e fornecedores críticos;
· Fortalecer a proteção de ambientes industriais e infraestruturas operacionais.
Em muitos casos de ataques bem-sucedidos, os cibercriminosos nem sempre exploram falhas técnicas complexas, mas utilizam credenciais comprometidas, engenharia social ou ativos expostos sem o monitoramento adequado.
Segurança deve acompanhar a dimensão do evento e o contexto geopolítico atual
Para organizações responsáveis por serviços essenciais e infraestruturas críticas da Copa do Mundo de 2026, não há tempo a perder.
É preciso responder a várias perguntas: As ferramentas de prevenção e controle são suficientes e eficientes? Os planos de resposta estão atualizados? Os especialistas estão treinados e os times de SOC estarão preparados para operar sob pressão? A adoção de uma postura preventiva, baseada em inteligência de ameaças e gestão de riscos, é crucial.
É válido mencionar ainda que as tensões geradas pelo cenário geopolítico e de conflitos internacionais eleva a posição da Copa do Mundo de 2026 como alvo de possíveis tentativas de ataques cibernéticos. O fato de o torneio estar sendo realizado em três países com perfis distintos de envolvimento na linha de frente dos conflitos, assim como os níveis de segurança digital de cada um deles, cria diferentes graus de exposição. Os mais diversos tipos de grupos hacktivistas e organizações cibercriminosas já estão em movimentação, interessados em se beneficiar da guerra geopolítica em andamento, causar instabilidade, ganhar visibilidade ou mesmo testar suas capacidades ofensivas.
A Copa do Mundo será um verdadeiro campo de testes para medir a maturidade cibernética e digital globalmente. Por mais que as organizações afirmem que seus processos e tecnologias são sólidos, falhas na segurança não necessariamente têm origem na falta de investimentos em infraestrutura tecnológica de defesa. O fator humano assume um papel decisivo nesse cenário, especialmente diante de ataques que exploram engenharia social, credenciais comprometidas ou fracas, falhas em atualizações de sistema, uso de dispositivos em redes inseguras e erros operacionais.
Em cenários de alta exposição, como grandes eventos globais, a segurança cibernética deixou de ser algo apenas estratégico ou que eleva a vantagem competitiva, mas sim um vetor fundamental para assegurar a integridade de sistemas essenciais e da continuidade dos negócios. A TI Safe está preparada para ajudar organizações nesta nova era que exige segurança cibernética inteligente para infraestruturas críticas. Com a metodologia iCPS Cybersecurity, desenvolvida pela TI Safe, a inteligência artificial é usada para transformar dados em contexto operacional e para a tomada decisões de segurança mais rápidas, relevantes e eficazes.
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