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Início / Blog / 5 erros de segurança cibernética que parecem pequenos, mas causam grandes incidentes

5 erros de segurança cibernética que parecem pequenos, mas causam grandes incidentes

  • maio 22, 2026

Muitos incidentes cibernéticos têm como ponto inicial um processo informal, um acesso mantido além do necessário ou uma decisão tomada sem a validação técnica adequada. É nesse momento que começa uma corrida contra o tempo.

O problema é que muitas empresas não sabem o que está acontecendo em seus sistemas ou redes. Segundo o relatório anual da IBM Cost of a Data Breach (CODB), o tempo médio para identificar e conter um incidente, incluindo a restauração do serviço, ultrapassa 240 dias em muitos setores. Isso significa que pequenas falhas operacionais podem permanecer abertas durante meses sem serem percebidas, ampliando as chances de impacto financeiro, operacional e reputacional.

Por isso, além dos esforços e investimentos em ferramentas de proteção, é preciso fechar as lacunas dos processos cotidianos. Para ajudar as empresas nessa jornada, listamos cinco erros de segurança cibernética que costumam ser subestimados, mas que aparecem com frequência em investigações de incidentes reais.

1.      Compartilhar acessos entre equipes ou fornecedores

O compartilhamento de usuários e senhas ainda acontece em ambientes corporativos, seja em sistemas industriais, plataformas legadas ou ferramentas administrativas. Em muitos casos, um único login é utilizado por equipes inteiras ou terceirizadas para agilizar operações.

Esse hábito elimina a chance de rastreabilidade. Quando ocorre uma alteração indevida, exclusão de dados ou acesso suspeito, torna-se difícil identificar quem executou a ação. Além disso, contas compartilhadas normalmente permanecem ativas por períodos longos e acabam acumulando privilégios desnecessários.

O problema ganha dimensão maior quando fornecedores mantêm acessos remotos permanentes sem revisão periódica. Um comprometimento externo pode permitir movimentação lateral dentro da rede corporativa.

A gestão de identidades e privilégios deve fazer parte da base operacional de programas maduros de segurança cibernética, especialmente em ambientes conectados e infraestruturas críticas.

2.      Confiar excessivamente na segurança dos fornecedores

Empresas terceirizadas frequentemente possuem acesso a e-mails corporativos, ERPs, sistemas industriais, plataformas financeiras e ambientes em nuvem. Em diversos casos, esse acesso ocorre sem avaliação da maturidade em segurança do fornecedor.

De acordo com o Data Breach Investigations Report, da Verizon, o percentual de violações envolvendo terceiros duplicou em comparação à pesquisa anterior (de 15% para 30%), evidenciando os riscos associados à cadeia de abastecimento e aos ecossistemas de parceiros.

Os ataques à cadeia de suprimentos crescem porque fornecedores menores costumam apresentar menos controles de proteção do que grandes organizações. E os cibercriminosos exploram justamente o elo mais vulnerável para alcançar o ambiente principal.

O risco aumenta quando contratos não incluem critérios claros relacionados à autenticação multifator, gestão de vulnerabilidades, monitoramento de acessos e resposta a incidentes.

Outro ponto relevante: muitas organizações realizam homologação inicial de fornecedores, mas deixam de revisar acessos ativos ao longo do tempo. Isso cria contas esquecidas, conexões permanentes e integrações sem o monitoramento adequado.

A dependência operacional de terceiros exige governança contínua e a segurança de fornecedores precisa ser tratada como parte do risco corporativo.

3.      Utilizar IA generativa sem governança e validação humana

Ferramentas de inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina corporativa em desenvolvimento de software, automação, análise documental, pesquisas e atendimento. O ganho de produtividade é real, mas muitas empresas ainda utilizam essas soluções sem critérios mínimos de validação técnica e segurança.

Em projetos de software, já existem registros frequentes de códigos gerados por IA contendo bibliotecas vulneráveis, exposição de chaves de API, falhas de autenticação e erros de tratamento de dados sensíveis. Em ambientes corporativos, também aumenta o envio inadvertido de informações confidenciais para plataformas públicas de IA.

Segundo o relatório Cost of a Data Breach de 2025, da IBM, o uso não autorizado de ferramentas de IA (shadow AI) gerou um aumento médio de R$ 591 mil nos custos com incidentes. E a adoção de ferramentas de IA (internas ou públicas), apesar de seus benefícios, adicionou um custo médio de R$ 578 mil às violações de dados.

Ainda de acordo com o estudo da IBM, a governança e a segurança de IA estão sendo amplamente ignoradas pelas empresas do Brasil: 87% delas relataram não possuir políticas de governança de IA em vigor e 61% não têm controles de acesso à IA. O crescimento acelerado da IA corporativa sem governança adequada tende a ampliar cada vez mais o volume de exposição acidental de dados.

A validação humana nos casos de uso de inteligência artificial continua indispensável, principalmente em três frentes:

  • Revisão técnica de códigos e automações;
  • Análise de segurança antes da publicação;
  • Controle sobre quais dados podem ser enviados às plataformas de IA.

4.      Adiar atualizações e correções por falta de tempo

Correções pendentes continuam entre os fatores mais explorados em ataques de ransomware e invasões direcionadas. Mesmo assim, muitas organizações ainda tratam a atualização de sistemas como uma atividade secundária.

O problema normalmente não está na ausência de patches, mas no acúmulo de exceções operacionais:

  • Sistemas que “não podem parar”;
  • Equipamentos legados sem janela de manutenção;
  • Aplicações críticas incompatíveis com novas versões;
  • Dependência de aprovação de terceiros.

Com o tempo, a organização passa a operar com vulnerabilidades conhecidas publicamente e já documentadas por grupos criminosos. Inclusive, a exploração de vulnerabilidades aparece no relatório da Verizon como vetor de acesso inicial para violações em 20% dos casos analisados, com um aumento de 34% em relação ao ano passado.

Em ambientes industriais e infraestruturas críticas, o planejamento de cibersegurança deve ser ainda mais cuidadoso. Realizar as atualizações de segurança precisa ser parte do processo operacional regular de qualquer empresa, com inventário atualizado de ativos, classificação de criticidade e definição de janelas de correção.

5.      Acreditar que conscientização, sem processo e monitoramento, é suficiente

 O fator humano permanece como um dos principais vetores de ataque, de acordo com o estudo da Verizon, sendo registrado em cerca de 60% dos casos. Ao mesmo tempo, ataques atuais utilizam automação, IA e personalização avançada para aumentar a taxa de sucesso.

Treinamentos de conscientização são importantes, mas não substituem controles técnicos e processos estruturados. Muitas empresas realizam campanhas internas sobre phishing, uso de senhas e proteção de dados, porém não utilizam autenticação multifator, possuem permissões excessivas, não segmentam suas redes e não revisam os acessos periodicamente.

Nesse cenário, o colaborador continua sendo responsabilizado por falhas que poderiam ser reduzidas com controles adequados.

Pequenos desvios, grandes riscos

A maturidade em cibersegurança depende da combinação entre pessoas, processos e tecnologia. Quando um desses elementos opera isoladamente ou sem o devido monitoramento, ou ainda apresenta falhas, o ambiente fica suscetível a incidentes cibernéticos.

Incidentes relevantes raramente surgem de um único erro. Na maior parte das vezes, eles resultam do acúmulo de decisões e vulnerabilidades operacionais que permaneceram sem revisão ao longo do tempo.

Com o aumento da conectividade corporativa e industrial, processos aparentemente simples passaram a ter impacto direto sobre continuidade operacional, conformidade regulatória e proteção dos dados. Por esse motivo, organizações que desejam elevar seu nível de segurança precisam adotar uma abordagem contínua de gestão de riscos, monitoramento e governança cibernética.

A TI Safe atua apoiando empresas na avaliação de maturidade, no entendimento do contexto organizacional, mapeamento de riscos, construção de planos, monitoramento contínuo e resposta estruturada, seguindo os padrões da Metodologia iCPS Cybersecurity, desenvolvida para fortalecer a segurança de infraestruturas críticas conectadas, considerando os desafios atuais da convergência entre automação industrial, IoT, inteligência artificial, computação em nuvem e sistemas críticos cada vez mais interconectados.

Fale com nossos especialistas, conheça a metodologia iCPS Cybersecurity e saiba como a TI Safe pode apoiar na implementação de estratégias avançadas de proteção digital para ambientes de TI, TO e sistemas ciberfísicos.

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