No mês de março, um ataque cibernético do tipo Ransomware paralisou grande parte dos serviços públicos da cidade de Foster City, na Califórnia (EUA). O impacto afetou praticamente todos os serviços governamentais, incluindo as linhas telefônicas da polícia local, que chegaram a ficar temporariamente fora do ar. As autoridades também alertaram sobre a possibilidade de comprometimento de dados públicos e do vazamento de informações pessoais e, preventivamente, orientaram os moradores que já tiveram contato com serviços da cidade a alterarem suas senhas e logins.
O incidente ocorrido no estado da Califórnia evidencia os impactos cada vez mais severos dos ciberataques contra infraestruturas críticas e instituições públicas, capazes de provocar a paralisação de serviços essenciais por períodos indeterminados. Ações maliciosas direcionadas a sistemas públicos podem comprometer atendimentos hospitalares, afetar operações de segurança, interromper o fornecimento de energia e prejudicar serviços indispensáveis para a população, gerando prejuízos econômicos significativos e colocando vidas em risco.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 2021, quando o sistema público de saúde da Irlanda sofreu um ataque cibernético considerado um dos maiores já registrados contra uma infraestrutura hospitalar. A ofensiva, conduzida por um grupo de ransomware, comprometeu os sistemas da Health Service Executive (HSE), órgão responsável pelos serviços de saúde do país, causando a interrupção de atendimentos em hospitais e clínicas por vários dias.
Como consequência, consultas, exames laboratoriais e procedimentos médicos foram cancelados ou adiados, enquanto profissionais da saúde precisaram recorrer a processos manuais para manter parte dos atendimentos funcionando. Além do impacto operacional, o ataque também resultou no vazamento de dados sensíveis de pacientes e funcionários, ampliando os danos à privacidade e à segurança das informações.
Por que infraestruturas críticas estão entre os principais alvos de cibercriminosos?
Redes elétricas, sistemas de abastecimento de água, saúde e telecomunicações são estruturas vitais para o funcionamento do país. Qualquer interrupção nesses serviços pode causar um efeito em cascata, impactando diversos setores. Por isso, são alvos prioritários de cibercriminosos, que são motivados por:
- Razões políticas: Ataques a serviços essenciais geram pânico e instabilidade, sendo usados em conflitos geopolíticos como ferramentas de sabotagem ou guerra híbrida.
- Extorsão financeira: A paralisação de um hospital ou uma usina representa um dos mais altos níveis de emergência. Assim, as vítimas têm maior probabilidade de pagar resgates de ransomware para restaurar operações críticas rapidamente.
- Espionagem: Grupos patrocinados por Estados buscam acesso a esses sistemas para coletar dados sensíveis sobre as capacidades de defesa e infraestrutura de países rivais.
- Hacktivismo: Hackers atacam sistemas para chamar a atenção para uma causa, usando o “espetáculo” do caos como forma de protesto global ou apenas demonstração de poder.
- Intenção de distrair as autoridades: Às vezes, o caos em uma infraestrutura, como o transporte público, é uma “cortina de fumaça” para distrair as equipes de segurança enquanto um ataque muito mais silencioso e sofisticado ocorre em outro lugar.
O Relatório Global de Ameaças 2026 da Fortinet, elaborado pelo FortiGuard Labs, aponta que o Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025. O país registrou 187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares em 2025, um crescimento de 535% em relação a 2024.
Segundo um estudo publicado pela IBM X-Force, os setores que mais sofreram investidas de cibercriminosos no último ano foram o de manufatura, responsável por 41,5% das detecções registradas, seguido pelos segmentos de transporte e logística, com 27,6%. O relatório também aponta os setores de energia, petróleo e gás entre os ambientes mais expostos a ameaças cibernéticas, evidenciando o crescente direcionamento de ataques a infraestruturas críticas.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, compara os ataques cibernéticos a infraestruturas críticas a uma ‘tempestade invisível’: “A nova fronteira do crime digital é mais sombria – ela mira máquinas, sensores, bombas, válvulas, motores, subestações e sistemas ciberfísicos que mantêm cidades inteiras funcionando. Um incidente é capaz de paralisar regiões inteiras do Brasil sem que um único criminoso pise no país”.
O especialista também destaca a evolução dos grupos de ransomware, que têm como foco comprometer não apenas dados, mas equipamentos: “Hoje, ataques de ransomwares não querem apenas criptografar arquivos. Eles querem paralisar a operação, gerar impacto físico, criar caos social. E, se possível, colocar vidas em risco para aumentar a pressão por pagamento. Essa nova onda de ataques é chamada de Ransomware of Things (RoT)”.
Branquinho pontua ainda que o Brasil é um dos países mais vulneráveis a esse tipo de ataque, uma vez que muitos ambientes operacionais no país possuem:
• Controladores industriais desatualizados;
• Sistemas SCADA sem criptografia;
• Redes corporativas e industriais conectadas sem segmentação;
• Acesso remoto de terceiros sem controle;
• Câmeras IP expostas publicamente;
• Firewalls mal configurados ou inexistentes;
• Senhas padrão como “admin123” ou “1234”;
• Windows XP e Windows 7 em ambientes críticos.
“Em 2021, um ataque na estação de tratamento de água de Oldsmar, na Flórida, quase intoxicou uma cidade usando apenas TeamViewer e um computador antigo. Um hacker alterou a concentração de hidróxido de sódio (soda cáustica) adicionada à água. O valor foi aumentado em 11.000%. O que aconteceria aqui, onde milhares de instalações usam softwares mais obsoletos, conectados a redes mais frágeis e com monitoramento inexistente?”, questiona o CEO.
A proteção de sistemas ciberfísicos em infraestruturas críticas é uma questão de segurança operacional, continuidade dos serviços essenciais e proteção à vida, considerando que pequenas vulnerabilidades podem desencadear impactos de grandes proporções e consequências altamente desastrosas.
A TI Safe atua no fortalecimento da cibersegurança em ambientes industriais e infraestruturas críticas, contando com especialistas preparados para apoiar empresas na proteção de operações OT e sistemas ciberfísicos, com base em políticas de governança, controle rigoroso de acessos remotos à planta, visibilidade contínua do ambiente industrial, segmentação entre TI e OT, monitoramento de ameaças e outras estratégias voltadas à redução de riscos e ao aumento da resiliência operacional. Fale com o nosso time e saiba mais!