Revista Brasil Energia fala sobre pesquisa conduzida pela TI Safe, em que mais da metade das indústrias do setor revelou não possuir controle contra softwares maliciosos.
Expostas ao perigo
Empresas que compõem a chamada infraestrutura crítica, como o setor elétrico, não seguem recomendações internacionais de segurança cibernética e aumentam exposição ao risco
Por Gisele de Oliveira Publicado em 19/11/2018
As indústrias de infraestrutura crítica – que incluem as empresas do setor elétrico, de telecomunicações, de transportes e de abastecimento de água – não estão adequadas às recomendações internacionais de segurança cibernética, aumentando a exposição dos sistemas dessas companhias ao risco e às consequências de um ataque virtual por hackers. A constatação está na pesquisa “O estado da cibersegurança nas infraestruturas críticas brasileiras”, desenvolvida pela consultoria TI Safe, em parceria com a universidade gaúcha Unisinos.
Segundo o levantamento – que ouviu 40 empresas, entre estatais e privadas, do segmento de infraestrutura crítica -, mais da metade, ou 55,27% dos entrevistados não possui controle contra softwares maliciosos. Se possui, não é realizada a atualização periódica da base de dados desta solução, o que torna a área de automação suscetível à ataques cibernéticos.
Outro dado importante é que 84,20% afirmaram que não possuem política de segurança para a área de automação ou a política não está implementada. E apenas 13% das companhias garantem que contam com um plano de contingência para os casos de adversidade ou acidente.
A metodologia adotada para a pesquisa teve como base as recomendações de segurança do National Institute of Standards Technology e buscou identificar o nível de aderência de organizações responsáveis por infraestruturas críticas brasileiras que utilizam sistemas de controle industriais.
Entre os setores que compõem a chamada infraestrutura crítica, o setor elétrico é o mais visado. Os motivos que contribuem para essa exposição envolvem a grande interdependência sistêmica de sua operação e o alto volume de armazenamento de dados pessoais, com distribuição a clientes (pessoas físicas). Além isso, há ainda o fato de os ativos em operação no país serem antigos, exigindo substituição de tecnologias para melhoria operacional.
“A modernização das redes elétricas traz vários benefícios para a indústria, principalmente pela maior eficiência que ela oferece, mas também aumenta os riscos de ciberataques. E o risco de não ter uma rede segura gera um custo muito maior do que o investimento total em automação”, observa Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
Fonte: Portal Brasil Energia