O relatório Global Cybersecurity Outlook, do World Economic Forum (WEF) apontou a fraude cibernética como a principal preocupação operacional na agenda de riscos das organizações em 2026.
A fraude cibernética se configura como um crime cometido no ambiente digital, utilizando a internet e a tecnologia para enganar pessoas e empresas. No Brasil, de acordo com o Relatório do Varejo 2025, da Adyen, as fraudes geraram um prejuízo de cerca de R$ 11 milhões a empresas (de março de 2024 a março de 2025), alta de quase 35% em comparação ao ano anterior, quando foram contabilizados pouco mais de R$ 8 milhões.
Esse movimento acompanha o aumento de ataques de engenharia social e manipulação de identidades digitais que, potencializados pela inteligência artificial, simulam comunicações legítimas e causam impacto direto em processos críticos, como transações financeiras, validação de acessos e relacionamento com clientes.
A adoção de inteligência artificial generativa introduziu um novo nível de sofisticação nas fraudes cibernéticas. Ataques utilizam comunicações altamente personalizadas, com linguagem e contexto realistas, reduzindo a eficácia de métodos tradicionais de conscientização, já que os sinais clássicos de fraude se tornam menos evidentes. Como resultado, a detecção depende cada vez mais de análise comportamental e validação de contexto.
Por que a fraude cibernética cresce mais do que outras ameaças
Uma análise realizada pelo Global Cybersecurity Outlook, do World Economic Forum (WEF), aponta que a evolução da fraude está associada à profissionalização dos grupos criminosos e à disponibilidade de ferramentas especializadas. Modelos como phishing-as-a-service permitem que hackers operem campanhas em larga escala sem necessidade de conhecimento técnico avançado.
Além disso, tecnologias como deepfake ampliam o grau de verossimilhança em ataques direcionados. Exemplo disso é o conhecido caso de um funcionário do setor financeiro de uma multinacional em Hong Kong, que foi induzido a pagar US$ 25 milhões a fraudadores que usaram a tecnologia deepfake para se passar pelo diretor financeiro da empresa durante uma videoconferência.
A contratação de serviços de produção de material audiovisual adulterado é comum na dark web, de acordo com dados da Kaspersky. Esse tipo de recurso permite simular voz e imagem de executivos, influenciando decisões financeiras e operacionais dentro das empresas.
Esse cenário explica por que a fraude cibernética superou o ransomware como a principal preocupação em 2026, de acordo com dados do relatório do WEF. Enquanto ataques de ransomware dependem de etapas mais estruturadas, como invasão, movimentação lateral e execução da criptografia, fraudes digitais exploram processos cotidianos e interações legítimas, o que dificulta a detecção antes da ocorrência do impacto.
Impactos práticos nos negócios
Fraudes cibernéticas expõem lacunas na gestão de risco e afetam diretamente a continuidade operacional e a integridade financeira das organizações. Entre os principais impactos estão:
– Transferências financeiras indevidas.
– Comprometimento de credenciais críticas.
– Manipulação de processos internos.
– Perda de confiança de clientes e parceiros.
A falta de estratégias orientadas por riscos acaba gerando decisões de investimentos em segurança que não consideram quais ativos e processos são mais críticos para o negócio. O cenário de avanço das fraudes cibernéticas exige ajustes na forma como a segurança é estruturada e gerenciada. Entre as principais iniciativas recomendadas estão:
– Definir critérios claros de priorização de riscos.
– Integrar áreas de negócio na tomada de decisão sobre segurança.
– Revisar processos críticos sob a ótica de fraude.
– Monitorar continuamente a eficácia dos controles implementados.
Essas medidas permitem direcionar investimentos para pontos com maior impacto real, reduzindo a exposição a fraudes. “A ausência de priorização adequada compromete a efetividade dos investimentos em segurança. Sem clareza sobre os riscos mais relevantes, os controles implementados tendem a ter baixo impacto prático”, destaca Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
A governança de segurança deve incluir métricas que conectem risco cibernético ao impacto no negócio. Esse alinhamento permite decisões mais consistentes sobre investimento e priorização.
A TI Safe atua na estruturação da segurança cibernética a partir de critérios objetivos de risco, conectando ativos críticos, processos de negócio e controles de proteção. Esse modelo permite priorizar investimentos com base em impacto operacional e estabelecer mecanismos de monitoramento contínuo da eficácia dos controles.
Com essa abordagem, organizações aumentam a capacidade de resposta a incidentes e reduzem a probabilidade de perdas financeiras e interrupções operacionais associadas a fraudes e outros incidentes cibernéticos.