Tecnologias colaboram para o crescimento das fraudes e violações de dados sensíveis
Na lista dos países que mais sofreram ataques cibernéticos, o Brasil figura em primeiro lugar. Os dados são do Índice de Fraude 2025 – relatório produzido pela Veriff, especializada em verificação de identidade e segurança na web. O estudo mostra que 78% dos consumidores brasileiros já foram vítimas de golpes viabilizados por IA e deepfakes, recursos que colaboram para o aumento dos ciberataques no país.
Deepfakes: entenda os riscos envolvidos
O termo deepfake se refere a conteúdos falsificados (vídeos, áudios ou imagens) gerados com o apoio de inteligência artificial (IA). Essa técnica usa redes neurais capazes de imitar expressões faciais, vozes e gestos humanos extremamente realistas, tornando cada vez mais difícil saber o que é verdadeiro do que é “fake” – uma ferramenta poderosa nas mãos de cibercriminosos.
Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento expressivo nos golpes envolvendo esse tipo de manipulação. Em muitos casos, criminosos têm usado IA para clonar vozes de executivos e solicitar transferências bancárias, falsificar vídeos de influenciadores promovendo investimentos fraudulentos ou até criar documentos falsos para abrir contas e realizar compras online.
De acordo com o relatório da Veriff, 26% dos brasileiros afirmaram ter sofrido fraude cinco vezes ou mais nos últimos 12 meses, uma taxa bem superior à registrada em países como Estados Unidos (15%) e Reino Unido (20%). Além disso, quase 40% dos entrevistados relataram perdas financeiras acima de US$ 251 (cerca de R$ 1.300), e 5% disseram ter perdido mais de US$ 5.000 (mais de R$ 26 mil) em um único golpe. Esses números refletem a gravidade da situação e ratificam que o país se tornou um dos principais alvos globais de crimes digitais.
Impactos de ataques de IA e deepfakes nas organizações
Os golpes com deepfakes não se limitam mais somente a enganar consumidores, mas também atingem empresas, instituições financeiras e órgãos públicos. Cibercriminosos conseguem forjar reuniões virtuais inteiras com identidades falsas, replicando o rosto e a voz de executivos para autorizar pagamentos, aprovar contratos ou liberar acessos. O resultado é um impacto direto nas operações do negócio, na reputação e na confiança dos clientes.
Para o setor corporativo, o uso de IA em fraudes digitais representa uma nova fronteira de risco. Empresas que não possuem mecanismos de verificação de identidade robustos tornam-se alvos fáceis. Além das perdas financeiras, os danos à reputação e as implicações legais podem ser devastadores. Um único incidente pode comprometer anos de construção de imagem, resultando em perda de clientes, parceiros e investidores.
Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em vigor, as organizações são obrigadas a adotar medidas técnicas e administrativas para proteger informações pessoais. Vazamentos e violações de dados sensíveis não apenas afetam a privacidade dos usuários, como também geram às empresas multas e sanções, reforçando a importância de medidas preventivas e da manutenção de uma cultura organizacional voltada à segurança digital.
Como se proteger: o papel das empresas
Diante desse cenário, é essencial que as organizações compreendam a necessidade dos investimentos em cibersegurança, de forma estratégica e não apenas como um custo operacional. A prevenção deve começar pela verificação de identidade digital, com uso de biometria facial, autenticação multifatorial (MFA) e validação cruzada de informações, e se estender à análise do comportamento dos usuários, detectando padrões suspeitos de acesso e uso indevido de credenciais.
Outro pilar importante é o monitoramento contínuo de ameaças. Ferramentas baseadas em inteligência artificial devem ser adotadas de forma proativa para identificar deepfakes, detectar variações de voz artificiais ou inconsistências em vídeos e imagens. Essa abordagem proativa ajuda a antecipar fraudes ou ataques de engenharia social antes que causem prejuízos relevantes.
A conscientização dos colaboradores também é essencial. Muitos golpes e ciberataques só são bem-sucedidos porque exploram falhas humanas: seja um clique em um link falso, o envio de dados sem confirmação ou a falta de verificação de uma mensagem suspeita. Treinamentos regulares, simulações de phishing e campanhas de alerta são medidas simples, mas eficazes para reduzir significativamente o risco de violações.
Além disso, empresas devem contar com planos de resposta a incidentes bem definidos, capazes de conter ataques rapidamente e reduzir impactos, incluindo protocolos de comunicação com clientes, fornecedores ou autoridades, análise de dados acessados e revisão constante das políticas internas de privacidade, entre outros documentos regulatórios.
Tão importante quanto implantar medidas protetivas é comunicá-las com clareza e transparência. Segundo o levantamento da Veriff, 87% dos consumidores brasileiros levam em consideração o histórico de prevenção a fraudes de uma empresa antes de contratar seus serviços.
A exposição das medidas de segurança adotadas, bem como o investimento em certificações e a adoção de boas práticas de governança no ambiente digital, agregam diferencial competitivo às organizações e são passos fundamentais para a construção da confiança com os consumidores.
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