Que a inteligência artificial e suas aplicações estão revolucionando a forma como fazemos as coisas e interagimos com o mundo, não é novidade. Que ela também está sendo usada para aprimorar os mais diversos processos no universo corporativo, também não. Contudo, assim como a evolução da tecnologia é aplicada para o bem, ela também é empregada para usos maliciosos.
Foi o que aconteceu com o chatbot Claude, desenvolvido pela empresa Anthropic. A ferramenta – um assistente de codificação agêntico que funciona diretamente no seu terminal para automatizar tarefas, ajudar na depuração e construir novas funcionalidades – foi explorada para conduzir a operação cibercriminosa de IA mais abrangente e lucrativa conhecida até hoje: pesquisar, hackear e extorquir pelo menos 17 organizações.
O caso aconteceu em julho deste ano. A operação cibercriminosa envolveu roubo de dados e extorsão em empresas da área da saúde, serviços de emergência, instituições religiosas e até mesmo entidades governamentais. Os hackers utilizaram a inteligência artificial Claude tanto para consultoria quanto para operar ativamente a execução dos ataques.
Além do comprometimento de dados sensíveis, também houve prejuízo com pedidos de resgate, que variaram entre US$ 75 mil e US$ 500 mil em criptomoedas. As informações foram divulgadas pelo Relatório de Inteligência sobre Ameaças da própria Anthropic, publicado em agosto.
É possível evitar ataques de inteligência artificial?
O incidente com o Claude evidenciou a evolução dos crimes cibernéticos. Amparado por inteligência artificial, um único hacker operou com uma infinidade de informações e orientações privilegiadas, conseguindo se adaptar às defesas em tempo real e tomar decisões táticas para atingir os alvos de forma mais eficaz. A execução dos ataques, se feita ‘à moda antiga’, seria mais difícil, demorada e detectada de forma mais agilizada.
Contudo, assim como a IA pode ser usada para desenvolver um ataque, ela também pode – e deve – ser usada a favor da proteção, aprimorando estratégias de segurança cibernética e realizando a defesa proativa de sistemas, infraestruturas críticas e informações sensíveis.
Algoritmos inteligentes e técnicas de aprendizado de máquina são altamente eficazes para melhorar a detecção em tempo real, prevenção e resposta a ameaças cibernéticas, mitigando rapidamente as anomalias. A inteligência artificial também pode ser usada para automatizar tarefas, como análise de dados, padrões e verificação de vulnerabilidades em escala e velocidades além das capacidades humanas.
Outra grande vantagem do uso da IA para segurança cibernética é a sua capacidade de adaptação e evolução. Ela consegue aprender continuamente com novos dados, fortalecer o gerenciamento de vulnerabilidades e melhorar o potencial de resposta para identificar e combater ameaças emergentes.
TI Safe utiliza inteligência artificial para segurança cibernética industrial
Em 2003, a TI Safe já realizava os primeiros testes com o Safer, uma ferramenta inovadora de cibersegurança industrial, baseada em inteligência artificial generativa. O software foi desenvolvido internamente, no TI Safe Lab – laboratório de inovação da empresa.
Seu objetivo inicial era utilização pelos CPS-SOCs da TI Safe. Para isso, a tecnologia recebeu cerca de 480 horas de treinamento, envolvendo conteúdos da universidade TI Safe, base de dados do Incidente Hub, mais de 5 mil páginas de normas, apresentações técnicas e manuais, entre outros materiais.
Em 2024, o Safer foi lançado oficialmente e passou a ser adotado como um analista virtual de segurança cibernética na TI Safe. Sua atuação envolve a gestão de tickets de clientes, respostas a incidentes, capacitação da equipe, entre outras funcionalidades.
Neste ano, observando o movimento do mercado e a crescente necessidade de adoção de inteligência artificial para tornar mais eficaz os processos de cibersegurança, um novo passo foi dado na evolução do software: ele foi aprimorado e já está disponível na versão demo para a experiência de parceiros pré-cadastrados. O lançamento oficial do Safer para aquisição no mercado de cibersegurança está previsto para o primeiro semestre de 2026.
Além de soluções técnicas cada vez mais precisas quanto a respostas a incidentes, a plataforma agora é capaz de auxiliar na elaboração de planos de segurança, analisando cenários e agilizando processos, bem como no acompanhamento de conformidade, verificando se os procedimentos estão sendo executados dentro das normas e políticas de cibersegurança.
Para o mercado da segurança cibernética industrial, o Safer está chegando para ajudar organizações com diagnósticos precisos e indicações de medidas corretivas, oferecendo às equipes técnicas mais clareza, eficiência e segurança na tomada de decisões.