Segmento é um dos mais visados por hackers no Brasil
O ataque cibernético que atingiu ao menos seis instituições financeiras em 1º de julho, considerado um dos maiores já registrados no setor, evidencia a vulnerabilidade da área, cada vez mais visada por cibercriminosos devido ao valor dos dados e ativos armazenados nos sistemas digitais.
Segundo um levantamento divulgado pela ISH Tecnologia, o setor financeiro é um dos principais alvos de ataques no Brasil, concentrando 20,18% de todos os incidentes registrados no primeiro trimestre de 2025. A pesquisa destaca que, entre janeiro e março, ocorreram mais de 132 mil tentativas de violações — equivalente a mais de duas tentativas por dia, por organização monitorada.
No ano passado, as ameaças a instituições do mercado financeiro também ocuparam a primeira posição no ranking de cibercrimes, com 19,76% dos incidentes registrados. Mesmo com a modernização das infraestruturas e a implantação de medidas de segurança cibernética para a mitigação dos danos, as investidas à área continuam a crescer rapidamente e com arquiteturas cada vez mais sofisticadas.
Ataque à C&M Software e ao Banco Central
A ação criminosa ocorrida no início de julho teve como alvo a C&M Software, empresa que faz a ponte tecnológica entre instituições financeiras e o Banco Central. Na ocasião, os hackers utilizaram credenciais vazadas de clientes da C&M, como login e senha, para acessar os sistemas da empresa. Segundo as informações divulgadas pela Folha de São Paulo, foram desviados cerca de R$ 1 bilhão em recursos de clientes mantidos em contas de reserva no Banco Central — dos quais aproximadamente R$ 500 milhões pertenciam a um único cliente da C&M.
Como aconteceu:
O ataque cibernético foi realizado em uma modalidade conhecida como Supply Chain, uma forma em que os cibercriminosos atacam uma organização visando “os clientes dos clientes”. A C&M é uma empresa de software para o setor bancário registrada no Banco Central que faz a comunicação entre instituições financeiras e o SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), incluindo o sistema do Pix.
Dessa forma, os hackers acessaram as contas utilizadas para acesso aos bancos e transferiram o dinheiro de bancos clientes da C&M Software.
Investimentos em cibersegurança no setor financeiro
Especialistas do segmento destacam a incorporação de aportes para a proteção dos ecossistemas digitais na área. “Os bancos investiram, em 2022, mais de R$ 35 bilhões em tecnologia e segurança cibernética e têm internamente ferramentas que rastreiam comunidades na deep web que estejam planejando ataques ao setor financeiro”, afirma Carolina Sansão, diretora-adjunta de inovação, tecnologia e cyber da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em entrevista para o portal InfoMoney.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, enfatiza a importância do treinamento dos times de cibersegurança, considerando a complexidade e capacidade de escala dos ataques orquestrados. “É fundamental contar com profissionais capacitados, como hackers do bem ou ethical hackers, e contratar empresas com expertise em segurança ofensiva com foco em identificar as vulnerabilidades antes que sejam exploradas por agentes maliciosos”, pontua Branquinho.
Embora o volume de ataques ao setor financeiro tenha alcançado patamares alarmantes, as ameaças ao segmento indicam apenas uma ponta do iceberg no oceano dos cibercrimes. Segundo dados do FortiGuard Labs, laboratório de inteligência e análise de ameaças da Fortinet, o Brasil é o segundo maior alvo de ciberataques na América Latina. Só em 2022 foram registrados 103,16 bilhões de tentativas de crimes digitais no país, ficando atrás apenas do México, com 187 bilhões.