Uma ótima notícia não só para a cidade do Rio de Janeiro, mas para o Brasil: a capital carioca vai abrigar a Rio AI City, maior pólo de data centers da América Latina. O projeto prevê a construção de um hub com capacidade inicial instalada de até 1,8 gigawatts (até 2027) e estrutura preparada para apoiar a inovação impulsionada por inteligência artificial.
A iniciativa será construída na região do Parque Olímpico e conectada diretamente ao Porto Maravilha, reforçando a estratégia de integração urbana e tecnológica do Rio de Janeiro e consolidando o novo ecossistema de inovação e qualidade de vida planejado para a cidade.
E não para por aí. O projeto tem previsão de expansão para três gigawatts até 2032, o que tornará a Rio AI City um dos 10 maiores do mundo. Além da grandiosidade em termos de capacidade, a infraestrutura será voltada à tecnologia sustentável. O complexo contará com fornecimento dedicado de energia limpa e água, além de um sistema de resfriamento eficiente, visando economizar o consumo.
Quando concretizada, a Cidade IA do Rio possibilitará a instalação de novos supercomputadores, como o já existente Santos Dumont, localizado no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) e administrado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, garantindo operações de latência zero.
Para viabilizar o projeto, a Prefeitura do Rio de Janeiro buscará investidores nacionais (públicos e privados – com incentivos fiscais) – e internacionais.
Diferença de um data center tradicional para um centro de dados de IA
A Rio AI City está planejada para ser um centro de dados preparado para operações de Inteligência Artificial. As principais diferenças de hubs como esse para instalações tradicionais é que eles possuem arquiteturas avançadas de computação, rede e armazenamento, bem como infraestrutura específica para lidar com as altas cargas de trabalho proporcionadas por inteligência artificial, aprendizado de máquina, etc.
Explicando melhor, um data center comum teria seus sistemas rapidamente sobrecarregados pelas demandas de IA. Algumas outras diferenças estruturais são:
| Recursos | Data center típico | Data Center IA |
| Hardware | Principalmente CPUs | GPUs, TPUs e armazenamento NVMe |
| Resfriamento | Padrão | Avançado (resfriamento líquido, imersão, etc.) |
| Demanda de energia | Moderada | Extremamente alta devido às cargas de trabalho e volumes de dados processados |
| Rede | Padrão | Alta velocidade e interconexões de baixa latência |
Data centers ao redor do mundo
Com a digitalização acelerada, o contínuo crescimento da Inteligência Artificial, Internet das Coisas, aprendizado de máquina, computação na nuvem, e tantas outras tecnologias que movimentam o mundo, data centers são cada vez mais necessários. Eles abrigam uma infraestrutura de TI, com recursos de armazenamento, de processamento e de rede.
Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, país que concentra a maior quantidade instalações de data centers do mundo, contam com 5390 unidades. Na sequência estão: Alemanha (522), Reino Unido (512), China (449) e Canadá (336). No Brasil, são 181.
Em termos de tamanho, os três maiores hubs de data centers no mundo ficam na China e nos Estados Unidos:
- China Telecom – Parque de Informações da Mongólia Interior, em Hohhot, China, com 994.062 metros quadrados e 150 MW de capacidade energética;
- A Cidadela – Switch, em Nevada, EUA, com 668.901 metros quadrados e até 650 MW;
- Centro de Dados de Harbin, em Harbin, China, com 663.000 metros quadrados e 200 MW de capacidade.
Os data centers são estruturas fundamentais para a economia na era digital, pois garantem a disponibilidade e segurança das informações e beneficiam empresas, contribuindo para a gestão dos dados e fornecendo serviços vitais para o crescimento dos negócios.