Você saberia dizer quantas senhas diferentes possui atualmente, entre acessos pessoais e do trabalho? E as suas senhas são todas iguais, para evitar esquecimento, ou diferentes? Vocês as grava na memória ou em alguma anotação física ou do celular?
Passwordless significa ‘sem senha’. E, de acordo com Ann Johnson, vice-presidente de soluções de segurança cibernética da Microsoft, a meta da empresa para um futuro próximo, assim como de outras gigantes da tecnologia, é eliminar a necessidade de senhas e o risco que elas representam atualmente.
Mas afinal, senhas não são mais seguras?
Entre os objetivos desse movimento por um mundo sem senhas é tornar a experiência de segurança dos usuários mais fluida e intuitiva. A iniciativa também visa facilitar o dia a dia de acessos a aplicativos, dispositivos e sistemas.
Ao mesmo tempo, a principal finalidade é assegurar um ambiente mais protegido em um cenário de aumento constante em ataques de phishing, ransomware e outras ameaças. Segundo a Microsoft, nos últimos nove anos, o volume de tentativas de phishing aumentou 3.000%.
Senhas estão cada vez mais propensas a fraudes e já não são mais tão seguras como antigamente. Isso ocorre devido às próprias escolhas dos usuários, que optam por senhas fracas e fáceis de serem descobertas.
Uma pesquisa da Verizon indicou que mais de 80% dos ataques de hackers partem de senhas fracas ou do roubo de credenciais. De acordo com a Microsoft, hackers lançam uma média de 50 milhões de ataques de senha por dia – o que equivale a quase 600 tentativas de violação por segundo.
Com a possibilidade de eliminar a necessidade de senhas, novas tecnologias estão sendo impulsionadas com o intuito de reduzir riscos de ameaças digitais e tornar os ambientes mais seguros.
Se não teremos mais senhas, o que teremos?
Uma das apostas para eliminar as senhas é a autenticação multifatorial (MFA), que muitos já conhecem e utilizam. O serviço de nuvem da Microsoft já adota essa postura de segurança por padrão. Existem vários métodos de MFA, entre eles envio de código por SMS ou email ou ainda via aplicativo de autenticação, que geram códigos com validade de poucos segundos para liberar o acesso.
A biometria também está entre as alternativas para substituição de senhas e já é usada em diversas frentes e dispositivos, especialmente o reconhecimento da digital e o reconhecimento facial. Há também a biometria por voz, que utiliza ondas sonoras para autenticar o acesso.
Uma série de comportamentos naturais dos usuários podem ser usados para validar a identidade de forma automática, evitando a necessidade de senhas. Informações comuns, mas únicas de cada usuário, deverão ser suficientes para permitir acessos num futuro próximo.
A necessidade constante de construir uma cultura de segurança não pode ser esquecida. Trata-se de um pilar essencial para um amanhã digital mais seguro e sem a necessidade de senhas. Afinal, a segurança é uma responsabilidade coletiva.
Na Microsoft, a proposta de um futuro sem senhas está sendo trabalhada em um programa chamado “Secure Futures Initiative”, que se baseia em três pilares: secure by design (seguro por design), secure by default (seguro por padrão) e secure operations (operações seguras). Esses pilares já são aplicados em toda a infraestrutura da Microsoft.
Aliança FIDO
Desde 2023, a FIDO Alliance, uma associação aberta de indústrias do setor de tecnologia – entre elas Apple, Google e Microsoft – tem a missão de desenvolver e promover padrões de autenticação que ajudem a reduzir a necessidade de senhas.
Os padrões que vêm sendo desenvolvidos pela FIDO têm impulsionado soluções de autenticação sem senha mais amplamente disponíveis para consumidores e organizações.
Uma das principais metodologias vem mudando o paradigma da autenticação: de ‘algo que você conhece’ para dispositivos criptográficos que ‘você possui’. Essa proteção ainda pode ser reforçada com a verificação biométrica, que depende de ‘quem você é’.
Aumento nos ciberataques reforçam necessidade de mudanças
Ainda temos muito a evoluir nesse cenário até a eliminação total da necessidade de senhas. E devemos seguir desta forma. Um relatório da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, apontou um aumento de 47% nos ataques cibernéticos em todo o mundo (em comparação ao mesmo período de 2024). Organizações estão enfrentando ataques mais constantes e mais sofisticados – especialmente dos setores de educação, governos e telecomunicações, que foram os alvos mais frequentes dessas violações.
Outro destaque da pesquisa foi em relação aos ataques por ransomware, que escalaram 126% em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Os setores de bens e serviços de consumo, de serviços empresariais e de manufatura industrial foram os mais visados.