A Oracle confirmou recentemente uma violação de dados em seus sistemas na nuvem. O cibercriminoso, que teria roubado registros de mais de 140 mil clientes da Oracle Cloud, exigiu, em um primeiro momento, US$ 20 milhões. Após, colocou os dados à venda e propôs trocá-los por explorações zero day.
O caso da multinacional de tecnologia norte-americana e a crescente dependência de ambientes virtuais para processamento e armazenamento de dados levanta um alerta para a cibersegurança na nuvem. De acordo com o Relatório de Risco da Nuvem 2024, da Tenable, 74% das organizações têm seu armazenamento publicamente exposto, tornando os dados um alvo potencial de hackers.
Outro dado preocupante apontado pela pesquisa da Tenable é que 84% das empresas têm chaves de acesso perigosas, com vulnerabilidades que vão desde à infraestrutura de TI e TO a aplicações e sistemas de identidade.
Ciberataques continuam crescendo e nuvem é um dos principais alvos
A pesquisa Thales Global Data Threat Report (DTR) 2024, que ouviu cerca de 3 mil profissionais da área de cibersegurança, de 37 setores, em 18 países, mostrou que a curva dos ciberataques continua ascendente: 93% dos entrevistados relataram aumento das violações, sendo malware (41%), ransomware (36%) e phishing (32%) os que mais cresceram.
Os principais alvos foram ativos em nuvem: aplicativos SaaS, sistemas de armazenamento e gerenciamento de infraestruturas — evidenciando a cibersegurança na nuvem como um assunto estratégico para as organizações.
A gestão de identidade e acesso dos colaboradores (IAM do Workforce) e a gestão de identidade e acesso do cliente (CIAM) são fatores que preocupam, uma vez que o erro de usuários é uma das principais causas de violações de dados na nuvem, sendo o motivo de 31% das invasões.
Como garantir cibersegurança na nuvem
Acesso não autorizado, violação de dados, ameaças cibernéticas, APIs não seguras e configurações incorretas são alguns dos riscos presentes no dia a dia das organizações que possuem dados, aplicativos e infraestruturas hospedados na nuvem.
Construir e manter uma estratégia robusta de cibersegurança na nuvem é, portanto, primordial. Ela deve:
- Garantir a segurança e a privacidade dos dados em redes, em aplicativos, workloads, containers, etc.
- Controlar o acesso a dados para todos os usuários, dispositivos e software.
- Fornecer visibilidade completa dos dados na rede.
- Entender os diferentes modelos de implementação (pública, privada, híbrida e multinuvem).
As melhores práticas de cibersegurança na nuvem pressupõem a combinação de políticas, tecnologias e medidas proativas para proteção de dados, aplicativos e infraestruturas. A adoção de recursos de segurança cibernética que listaremos a seguir depende do setor de atuação da organização, dos modelos de implementação selecionados, entre outros fatores a serem analisados de forma personalizada. Algumas das práticas mais empregadas são:
- Zero trust: Este modelo de segurança é essencial para proteger informações confidenciais em nuvem, na qual dados são distribuídos por diversas plataformas. Ele pressupõe que nenhum usuário ou dispositivo é automaticamente confiável e impede que hackers se movimentem livremente caso invadam uma parte do sistema.
- Criptografia de dados: Protege dados em trânsito e em repouso e garante que eles não serão lidos sem as chaves de descriptografia adequadas – mesmo que sejam interceptados.
- Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM): Esse recurso, baseado em funções (RBAC) ou na MFA (Autenticação Multifator), ajuda a controlar quem tem acesso aos recursos da nuvem.
- Ferramentas de monitoramento contínuo e detecção de ameaças: Uma atividade potencial ou suspeita pode acontecer a qualquer momento. Por isso, o monitoramento contínuo consegue detectar configurações incorretas e vulnerabilidades em tempo real.
- Plano de respostas a incidentes: Esta ação é crucial para minimizar o impacto de ataques cibernéticos. Ele contempla as etapas para conter e se recuperar de uma violação. Backups de dados e sistemas são uma forma de garantir o restabelecimento em caso de falhas ou ataques.
- Auditorias de segurança: Contribui para a verificação da conformidade com políticas e regulamentações e ajuda a detectar possíveis vulnerabilidades.
- Capacitação das equipes: Treinamentos são fundamentais para a criação de uma cultura de segurança, garantindo que as práticas e orientações sejam seguidas por todos.
Vale destacar que a nuvem não pode ser considerada mais ou menos segura do que um servidor físico ou data center, por exemplo. O que fará a diferença no nível de proteção é a adoção de políticas e a implementação de ferramentas de monitoramento e controle específicas para garantir a cibersegurança na nuvem de cada ambiente.