Já há algum tempo o Brasil tem sido um dos principais alvos de cibercriminosos. Os ataques, cada vez mais sofisticados, exploram desde vulnerabilidades em sistemas legados a brechas em processos de autenticação e conectividade de redes.
Segundo um levantamento realizado pelo FortiGuard Labs, laboratório de análise e inteligência de ameaças da Fortinet, em 2024 as empresas brasileiras sofreram cerca de 356 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos. Na América Latina, o Brasil está no topo do ranking entre os países mais alvejados por malwares, na frente de México, Colômbia e Peru.
A pesquisa faz um retrato da segurança cibernética em toda a América Latina: mais de 921 trilhões de atividades maliciosas foram detectadas na região. Destas, 918 bilhões foram bloqueadas por sistemas de prevenção de intrusão, de acordo com os dados da Fortinet.
Principais ataques praticados pelos cibercriminosos
O crescente volume de ciberataques no Brasil tem como foco o sequestro de dados e a paralisação de serviços essenciais, visando pedidos de resgate milionários e/ou a venda das informações na darkweb. Confira a seguir alguns dos ataques cibernéticos mais praticados no Brasil:
DoS e DDoS
Os ataques de negação de serviço (DoS) ou negação de serviço distribuído (DDoS) objetivam limitar a capacidade ou indisponibilizar o funcionamento da operação. A estratégia desse tipo de ação é sobrecarregar os recursos de um servidor ou rede, tornando-os inacessíveis aos usuários legítimos.
O ataque de DDoS é ainda mais abrangente, uma vez que utiliza múltiplos dispositivos para paralisar o sistema.
Phishing
Um dos tipos de ciberataques mais conhecidos, o phishing é baseado no vazamento de dados que ocorre devido à entrada de vírus por e-mails, por meio de links em mensagens de WhatsApp ou anexos fraudulentos.
O phishing é um ataque de engenharia social, ou seja, conta com falhas humanas para conseguir êxito no acesso a dados, utilizando histórias falsas e táticas de pressão para manipular as vítimas e causar danos a elas mesmas ou às organizações.
Uma das principais técnicas adotadas por cibercriminosos para a aplicação de phishing é o spoofing, que consiste na falsificação de domínios de sites, chamadas telefônicas, identificadores, extensões, IPs, entre outros, com foco em roubar dados, dinheiro ou espalhar malware.
Ransomwares
Integrante da ‘família’ dos malwares, os ransomwares respondem por 1,8% dos mais de 3,5 milhões de casos de ciberataques registrados no país nos quatro primeiros meses de 2024.
A infecção por ransomware ocorre por meio de softwares maliciosos que se infiltram, explorando falhas e vulnerabilidades operacionais ou se aproveitando de desatualizações de programas e firewalls. Dependendo do tipo de ransomware, todo o sistema operacional ou somente arquivos individuais são criptografados.
O grande desafio desse tipo de ataque é que, ao contrário de outros malwares, a chave de criptografia do software permanece no servidor do criminoso, e só ele pode acessá-la para liberar as informações. Geralmente, essa liberação ocorre mediante ao pagamento do resgate estipulado pelos cibercriminosos, mas vale ressaltar que o pagamento nem sempre garante a devolução das informações e a restauração integral da segurança do sistema, uma vez que o código de criptografia ainda pode estar sob o controle dos hackers, permitindo que eles se infiltrem novamente e realizem novos ataques.
Setores com maior volume de ataques de ransomwares
A alta de ataques de ransomwares a sistemas digitais afetam diferentes setores em todo o país. De acordo com uma pesquisa realizada pela Check Point Software (CPS), o setor de manufatura foi o mais visado, representando 29% das vítimas de ataques de ransomware em todo o mundo, com um aumento significativo de 56% em 2024, em comparação com o ano anterior.
De acordo com o levantamento, o setor da saúde ocupa o segundo lugar entre os mais atacados, registrando um aumento de 27% em 2024 em comparação com 2023. Os segmentos de varejo e atacado foram alvo de 9% dos ataques globais de ransomware. Já as áreas de comunicação e serviços públicos apresentaram, no último ano, um crescimento de 177% e 186%, respectivamente, no registro desse tipo de ação maliciosa.
Investimentos em cibersegurança
Com o crescimento de ataques cibernéticos e o avanço da inteligência artificial para o desenvolvimento de intrusões personalizadas e cada vez mais complexas, o investimento na área de cibersegurança é essencial para que as empresas garantam o resguardo dos sistemas e atendam às políticas de proteção de dados vigentes.
Segundo uma pesquisa realizada pela Mordor Intelligence, o mercado de segurança cibernética na América Latina deve crescer mais de 40% nos próximos cinco anos. Os dados divulgados pela pesquisa IT Forum, mostram que, de 2023 para 2024, o percentual médio da receita total das empresas revertido para investimento em TI saltou de 4,2% para 5,9%, evidenciando um foco mais acentuado na modernização tecnológica, favorecendo as melhores práticas para a segurança digital.
Entre as principais medidas adotadas pelas empresas contra ataques cibernéticos estão criptografia de dados, segmentação de redes, autenticação multifator e monitoramento contínuo.
Além das estratégias tradicionais, a TI Safe desenvolve um conjunto de soluções individualizadas para a proteção de ecossistemas industriais e redes operativas, incluindo o programa de Assinatura de Segurança Cibernética de Infraestruturas (ASCI) – uma suíte definitiva de soluções para mitigar riscos, prevenir ataques e monitorar ambientes industriais, IoT e infraestruturas críticas.