As mudanças causadas pela era tecnológica estão em todos os setores. O que hoje é atual, amanhã já é passado. Ter esse olhar é fundamental para as organizações que buscam o crescimento, a segurança e a continuidade de seus negócios.
No segmento da indústria, a evolução dos ICS (Sistemas de Controle Industrial) para os CPS (Sistemas Ciberfísicos) vem marcando a quarta revolução industrial (Indústria 4.0) e acendendo alertas para novos desafios e oportunidades relacionados à segurança cibernética.
Você sabe quais são as principais diferenças entre esses sistemas (ICS e CPS)? Como vem acontecendo a transição entre esses modelos, ocasionada em boa parte pela evolução tecnológica? E os impactos dessas mudanças na segurança cibernética?
As respostas para essas perguntas você encontrará nas próximas linhas. Vamos juntos!
Diferença entre ICS e CPS
As redefinições no modo de operação de sistemas industriais e infraestruturas críticas são resultados do advento da Indústria 4.0, que vem promovendo uma verdadeira transformação digital no setor industrial. Entre as mudanças percebidas, temos a evolução dos ICS para os CPS.
Enquanto os sistemas de controle industrial (ICS) têm como finalidade controlar e monitorar redes operativas industriais, os sistemas ciberfísicos (CPS) integram elementos computacionais com processos físicos.
Os ICS são como o corpo humano do gerenciamento de operações industriais complexas, garantindo que máquinas e processos operem de forma eficiente, segura e confiável.
Já os CPS têm uma arquitetura que integra hardware e software, permitindo a aplicação de algoritmos e análise de dados em tempo real para acompanhar processos físicos. Assim, as máquinas são capazes de tomar decisões autônomas, adaptar-se a possíveis mudanças e otimizar sua performance.
“A principal diferença entre ICS e CPS reside na escala, na complexidade e interdependência dos sistemas envolvidos”, ressaltou Thiago Branquinho, CTO da TI Safe, durante sua palestra sobre o tema, no Roadshow em São Paulo.
Confira algumas dessas e outras características dos sistemas:
| ICS | CPS |
| Conectividade: Tradicionalmente isolada, integrada recentemente à TI. | Conectividade: Alta, incluindo IoT. |
| Autonomia: Média e baixa, dependente da sugestão humana. | Autonomia: Alta, com aplicações de inteligência artificial. |
| Segurança: Focada na proteção operacional e cibernética. | Segurança: Cibernética e física atuando de forma integrada. |
| Exemplos: SCADA, DCS, PLCs em indústrias críticas, etc. | Exemplos: Veículos autônomos, cidades inteligentes, dispositivos médicos, smart grids, etc. |
“Em resumo, os ICS se concentram em infraestruturas específicas, como plantas industriais ou redes de distribuição de energia. Já os CPS integram IoT em múltiplos domínios e camadas, conectando dados operacionais com algoritmos avançados, funções de análise preditiva e inteligência artificial”, destacou Thiago.
A transição do ICS ao CPS e seus impactos
Até bem pouco tempo, quando o assunto era cibersegurança industrial, era suficiente proteger somente as redes de TO (ICS).
Porém, com a convergência cada vez mais ampla entre TI (Tecnologia da Informação), TO (Tecnologia Operacional) e IoT (Internet das Coisas), o escopo de proteção aumentou, sendo necessário proteger toda a rede (CPS).
Com base nas definições trazidas até o momento, não há dúvidas de que os sistemas ciberfísicos tornam o mundo e tudo o que acontece nele mais inteligente, autônomo e moderno.
Ao mesmo tempo, quando não temos mais somente sistemas fechados, projetados para operar de forma isolada e desconectada de redes externas (ICS), não temos mais algumas barreiras ‘naturais’ de proteção.
“Com mais dispositivos conectados e aplicações possíveis, mais protocolos de segurança são necessários. Infinitas portas se abrem para fragilidades e vulnerabilidades, ampliando também o campo para ataques cibernéticos”, enfatizou Thiago.
Uma recente pesquisa da Claroty – The Global State of CPS Security 2024: Business Impact of Disruptions -, empresa de proteção de sistemas ciberfísicos (CPS), revelou alguns impactos dos ataques cibernéticos em ambientes com esses modelos de sistemas. Cerca de 60% das organizações brasileiras relataram que tiveram prejuízos na ordem de US$ 100 mil a quase US$ 500 mil devido a ataques cibernéticos que violaram seus sistemas ciberfísicos.
O estudo destacou ainda outros prejuízos, entre eles a paralisação de operações, causada por ataques aos sistemas ciberfísicos. As empresas entrevistadas relataram de uma hora até 1 mês de parada – tempo necessário para o processo de recuperação.
Principais ameaças cibernéticas aos CPS
De forma simplificada, a arquitetura de um sistema ciberfísico é dividida em plataformas de processamento e controle, sistemas e estruturas de comunicação e dispositivos que permitem a interface com o mundo físico.
São inúmeros os tipos de ataques cibernéticos que podem colocar em risco a integridade dessa arquitetura, como:
- De redes (MITM, DoS, replay, replicação de nó)
- À privacidade (identificação, rastreamento, extorsão )
- De softwares (malware, 0-day, XSS, alteração de configurações)
- Físicos (injeção de falha, de código, engenharia social, violação de dispositivos)
- Violação de dados (ransomware, alteração, exposição e destruição de dados)
- De superfície (sistemas operacionais, firmware, aplicações)
- Entre outros.
Essa infinidade de ameaças aos CPS requerem controles e defesas avançadas, muitas delas baseadas em big data e inteligência artificial – que também são usadas para projetar os ataques.
“É preciso estar muito bem preparado para garantir a segurança cibernética dos sistemas ciberfísicos. As organizações devem ter urgência em buscar parceiros confiáveis para implantar estratégias e ferramentas adequadas e atualizadas, como capacitação das equipes, arquitetura Zero Trust, segmentação de redes, defesa em profundidade e utilização de IA e Machine Learning para a detecção de anomalias”, finalizou Branquinho.
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